15/06/2007

.: QUADRINHOS .: Homem-Aranha ganhando reboot?

A idéia teria sido sugerida há algum tempo por John Byrne e Roger Stern. E, de acordo com a confiável coluna “Lying in the Gutters”, mantida pelo fofoqueiro Rich Johnston do site “Comic Book Resources”, teria sido retomada há pouco nos bastidores da Marvel Comics. Seria uma solução considerada “genial” para que a cronologia do Homem-Aranha fosse colocada nos eixos. Vejam bem: no fundo do poço, Peter Parker, no alto da ponte em que morreu sua amada Gwen Stacy, pensaria pela milionésima vez sobre a hipótese de abandonar o seu uniforme teioso. Depois de oferecer sua alma para que tudo voltasse a ser como era antes – bingo! Surgiria o Figurador (HEIN?), um extraterrestre com o poder de transformar sonhos em realidade. Ele remodelaria o mundo ao redor de Parker, levando o herói e todo o seu elenco de coadjuvantes de volta à adolescência, no colegial, exatamente como nos primórdios de Stan Lee e Steve Ditko.


Ou seja: assim como um computador, Parker teria sua existência “resetada”, reiniciada do zero. Isso resolveria o problema da identidade secreta revelada durante a saga “Guerra Civil”, colocando todas as pessoas que Parker ama em risco – a começar por sua Tia May, alvejada por um tiro recentemente. E também daria um fim ao casamento de Peter com Mary Jane, um dos maiores motivos de desgosto do editor-chefe Joe Quesada, que acha que a união do casal causa uma série de impedimentos criativos nas histórias do aracnídeo.

Diabos.

Mas que solução absolutamente meia-boca. Uma verdadeira ofensa à inteligência do leitor, que nos últimos anos tem sido presenteado com histórias de nível muito superior, cortesia de autores como Brian Michael Bendis, Mark Millar e Brad Meltzer (“Crise de Identidade”). Como fazer alguém com metade do cérebro engolir uma saída infantil e imbecil destas, na qual um estalar de dedos seria suficiente para nos dizer que TUDO QUE ACONTECEU NOS ÚLTIMOS 30 ANOS ERA UMA MENTIRA? As histórias mais recentes têm sido pobres e decepcionantes, é verdade. Mas mais pobre e decepcionante ainda é tentar resolver a coisa de uma maneira simplista e maniqueísta como esta – que na década de 70 já seria considerada vexaminosa, o que dirá em pleno século XXI. Quesada, você ainda não aprendeu que o público consumidor de quadrinhos de super-heróis mudou e exige padrões de qualidade um tantinho maiores no que tange aos roteiros?

O tipo de notícia que faz um leitor como eu, que gasta seu suado dinheirinho em três revistas mensais do Cabeça de Teia, ficar 100% revoltado. Acho que seria mais digno desaparecer com a cronologia normal e manter apenas e tão somente o Homem-Aranha em sua versão ultimate, definitivamente mais interessante do que a versão considerada “oficial” *.

Ah, mas então os DCnautas estão aí, rindo à toa do futuro que aguarda os pobres marvetes? Pois também tenho novidades pra vocês: rumores altamente confiáveis dão conta da existência de uma nova “Crise”. Sim, exatamente. Mal aconteceu esta “Crise Infinita” e, olhem só, tudo vai ser sacudido e mudar de rumo novamente na já apelidada “Final Crisis”, que teria roteiros de Kurt Busiek. Tsc, tsc...Eles não cansam nunca destas megasagas que interligam todos os gibis da editora e que, no final das contas, não dão em nada e deixam tudo como era antes – ou, pior, ainda mais complicado?

* PS: A única parte boa desta trama bisonha seria a possibilidade de podermos esquecer de uma vez por todas que o Venom sequer existiu. Afinal, as “Guerras Secretas” seriam apagadas da existência do Aranha, junto com o uniforme simbionte e com o próprio Eddie Brock. E imagine um universo sem a possibilidade de existência do Carnificina, aquele Venom genérico pintado de vermelho? Deus seja louvado!

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