13/07/2007

.: RESENHA .: QUADRINHOS .: Guerra Civil # 1

Apesar da curiosidade, não me rendi aos scans (quadrinhos scaneados e devidamente distribuídos pela internet – uma espécie de jeito bonito de dizer “pirataria”) e só agora, com a versão nacional em mãos, pude conferir a primeira parte da mega-série marvete “Guerra Civil”.

Aos mais afoitos, devo dizer que as comparações que vêm sendo feitas com a mega-série da concorrente DC, “Crise Infinita”, são absolutamente infundadas. Caberia muito mais traçar um paralelo com “Crise de Identidade” – que, assim como “Guerra Civil”, analisa o aspecto humano por trás das máscaras, armaduras e superpoderes. Esqueça as sagas cósmicas, os vilões megalomaníacos, os universos paralelos, os enormes e ameaçadores canhões de energia e as entidades niilistas mais velhas do que o tempo. Aqui, Mark Millar destila aquilo que faz de melhor, ao jogar um banho de realidade no mundo dos super-heróis, trazendo-os para perto das vozes das ruas e para as páginas dos jornais e noticiários. Assim como em “Os Supremos” (a reinterpretação ultimate dos Vingadores), sua principal obra em quadrinhos até então, a trama de “Guerra Civil” começa a ganhar seus contornos no campo político. É bem verdade que as sementes já vinham sendo cuidadosamente plantadas e sentidas há alguns meses, em revistas de linha como “Homem-Aranha” e “Os Novos Vingadores”.

O Congresso dos EUA estava tramitando uma lei de registro dos seres superpoderosos, que seriam devidamente catalogados e carimbados (além de treinados) para trabalhar em parceria com o governo. Neste primeiro número, um incidente causado pelo irresponsável grupo teenager Os Novos Guerreiros deixa um saldo de centenas de mortos na cidade de Stamford depois de uma explosão do vilão Nitro (é, aquele mesmo que causou câncer ao Capitão Marvel), o que leva a uma comoção popular pela aprovação da lei – e a uma maior desaprovação pública dos vigilantes que se escondem por trás de uma identidade secreta. É claro que a palavra “guerra” no título da série indica uma divisão clara entre os próprios heróis, alguns a favor da emenda e outros radicalmente contra – assustados com a possibilidade de ter suas vidas expostas de tal maneira que os principais vilões saibam bem quais são os pais, mães, irmãos, irmãs, filhos, filhas, esposas e maridos que devem seqüestrar e/ou atacar e/ou torturar.

Assumindo uma destacada posição pró-governo está o bilionário Tony Stark, mais conhecido como o vingador dourado Homem de Ferro. É bem verdade que o sujeito parece ter os seus próprios interesses nesta jogada, conforme fica claro em edições anteriores de gibis da editora (a farsa envolvendo o Homem de Titânio em Washington é a principal prova). Mesmo assim, a cusparada que toma na cara de uma mãe que perdeu o filho em Stamford, em plena cerimônia fúnebre em homenagem aos mortos, aliada a um dedo na cara e uma acusação de financiador de assassinos (não vamos esquecer que é o dinheiro dele que mantém os Vingadores há muitos anos) talvez tenham sido pivotais nesta virada radical de postura.

Do outro lado, quem começa a mostrar as garras, e de maneira surpreendente, é o Capitão América. O sujeito é pressionado por Maria Hill, a substituta de Nick Fury no comando da S.H.I.E.L.D., para comandar uma espécie de força-tarefa de contenção aos rebelados caso a lei entre de fato em vigor. “Você está me pedindo para lutar contra homens que arriscam as suas vidas sete dias por semana em defesa do próximo”. E fica claro que a moçoila não vai conseguir convencer Steve Rogers a seguir as ordens da Casa Branca assim tão fácil por meio da burocracia hierárquia. Cercado por soldados fortemente armados, o homem do escudo dá a volta por cima, quebra o pau com todo mundo, chuta as bundas de quase uma dezena de militares atirando para todos os lados e ainda salta pela janela, pousando sobre um avião que vai levá-lo tranqüilamente para longe dali. Mais paudurescente, só se fosse escrito pelo Alan Moore e com um monte de palavrões.

Há de se convir que, desde que a dupla Ney Rieber/Cassaday reformulou o personagem pós-11 de setembro, tornando-o mais adequado aos nossos tempos, o Bandeiroso tornou-se muito mais digno de atenção – menos uma propaganda patriótica barata e mais um soldado antiquado perdido em uma era muito mais confusa e sombria. O mesmo aconteceu quando Ed Brubaker tomou os argumentos de sua revista em mãos. Mesmo assim, a mão pesada e característica de Millar só faz com que o Capitão se torne ainda mais forte e durão, quase com a mesma quantidade de culhões do que a sua ignorante parte em “Os Supremos”.

Vale destacar ainda a excelente (e realista) arte de Steve McNiven, que consegue dar brilho, solidez e austeridade tamanhas à roupa metálica do Ferroso que ele transparece ares de um cavaleiro medieval, só que do universo do Ipod.

E que venha logo este segundo número, catso! (sete edições é sacanagem, hein?)

3 comentários:

mariachi disse...

Fala EL cid, também li a primeira edição agora e gostei, espero que não estraguem tudo depois com os skrulls. Visite o meu blog, abraço.

Léo disse...

Blz, El Cid? É o bolo de novalgina, brother. Cara, como órfão da Arca sou obrigado a fazer um comentário fóra de hora e de post: MEU SONHO ERA VER A CARA DO ZARKO QUANTO AO TRANSFORMERS! (e aposto que não sou o primeiro a dizer isso... heheh!) Falow, cara! =o)

priscila disse...

hei de comentar o blog. só preciso de 5 minutos de paz pra ler tudo. bjks e boa volta ao trampo. :P