13/08/2007

.: QUADRINHOS .: O fim de Supremos – Volume 2

E então, com uma diferença mínima de tempo com relação ao publicado nos Estados Unidos, os brasileiros foram brindados com o capítulo final de “Os Supremos – Volume 2”, a segunda (e última) temporada do roteirista Mark Millar e seu fiel escudeiro, o excelente desenhista Bryan Hitch, à frente da representação ultimate dos Vingadores. A história foi publicada na edição deste mês de “Marvel Millenium: Homem-Aranha” (Panini Comics).

Mas...fui só eu que fiquei frustrado?

Aliás, sou obrigado a ser sincero: este volume 2 ficou, na minha nada modesta opinião, beeeeeeeeeem abaixo do potencial apresentado naquele explosivo volume 1 (que acaba de sair encadernado por aqui, por falar nisso, e você não deveria perder por nada neste mundo, apesar do precinho salgado). O começo foi bem promissor, com todas aquelas teorias conspiratórias e suas cenas de ação de tirar o fôlego, em especial nas seqüências de prisão do Capitão América e do Thor. Ali, Millar exercitou a mesma verve que pudemos conferir naquele arco inaugural. Afinal, quem seria o traidor da equipe? Todos eram suspeitos. O ataque à família do Gavião Arqueiro foi de tirar lágrimas dos olhos, literalmente.

Mas o negócio degringolou quando Millar, megalomaníaco, criou a versão antiamericana dos Supremos e trouxe uma coalizão de guerreiros vindos principalmente da China e da Rússia para tomar conta da Terra do Tio Sam, espalhando caos e destruição por onde passavam. Aí, toda a evolução de personagens que o autor exercitara em números anteriores foi derrubada ao método “Roland Emmerich” de contar histórias.

Mantendo a comparação com o cinema, Millar aproveitou o budget inflado e, exatamente como Emmerich em “Independence Day”, gastou tudo em efeitos especiais, batalhas grandiosas com milhares de extras correndo pra lá e pra cá, tomadas monumentais de cenários arrasados pela guerra...e esqueceu da história. Mesmo a relação entre Loki e seu irmão platinado e fortão, que manteve em suspense até o final se nosso Deus do Trovão era apenas um maníaco superpoderoso com um enorme martelão e sonhos de divindade, acabou perdendo brilho e intensidade perante as gigantescas e monstruosas páginas inteiras com milhares de personagens e detalhes minuciosos. Tudo muito bonito. Mas cadê aqueles diálogos brilhantes e aquelas tiradas de um sarcasmo delicioso?

Uma batalha deste porte...e nenhuma frase como a já clássica “Você acha que este é um A de França?” proferida pelo ignorante Capitão Bandeiroso? Tsc, tsc. Que decepção. Mesmo o retorno do Thor, Mighty Thor, foi tão sem sal e nem pimenta que ficou um gostinho amargo na boca. Assim, tão rápido? É isso e acabou? Preferia que ele nem tivesse utilizado todo aquele exército de vikings e a própria ponte do arco-íris em prol de uma saída melhor, mais criativa e especialmente mais surpreendente. Pombas, Millar. Tomara que o final da “Guerra Civil” não seja assim, tão nas coxas (não, não leio scans e odeio spoilers! Bico calado!).

- E por falar em Supremos...bem interessante o longa animado direto para vídeo e estrelado pelo Homem de Ferro. Bem melhor do que aquelas duas porcarias com os Supremos, umas bobagens infatilóides estilo anos 80 e que só serviram para a Marvel desperdiçar celulóide. Desta vez, eles deram uma boa melhorada na animação (que ainda sofre um pouco com as cenas nas quais 2D encontra 3D, mas isso a gente vai perdoar por enquanto) e investiram em uma história que ficou até mais violenta e um pouco mais adulta do que eu esperava. Misturaram a origem do Latinha com uma escavação em busca do antigo templo do Mandarim – que, no fim das contas, mal aparece. São bem exploradas as relações do milionário playboy com Pepper Pots, Jim Rhodes e mesmo o paizão, Howard Stark. A única coisa que fiquei sem entender, contudo, é por que diabos ele passa tão pouco tempo utilizando a sua clássica armadura amarela e vermelha? Ele anda muito mais com aquela cinzenta e tosca armadura inaugural...

- E por falar em Homem de Ferro e na Guerra Civil...interessante o episódio no qual o Homem-Aranha revela a sua identidade publicamente, em apoio à Lei de Registro dos Super-Heróis. O episódio já tinha sido amplamente divulgado assim que rolou em terras estadunidenses, o que fez com que o fato em si não fosse lá grande surpresa. Mas ver as reações de coadjuvantes clássicos como J.Jonah Jameson (que tem a reação que eu esperava 100%) e Flash Thompson foi realmente muito divertido. Destaque para a insegurança de Parker já a partir do momento em que deixa a tribuna e vai para os bastidores. E a conversa que ele tem com Tony Stark assim que sai do banheiro onde passou um bom tempo vomitando mostra claramente que, inconscientemente, o Cabeça de Teia já sabe que fez uma cagada. De novo. O Stracvbdufdygfe3hgfveg3 bem que poderia escrever assim sempre, e evitar toda aquela bobagem de poderes totêmicos.

- E por falar em Mark Millar e Bryan Hitch...também é interessante: durante a convenção Wizard World realizada em Chicago, foi revelado o próximo projeto da dupla na Marvel pós-Supremos: Quarteto Fantástico. Veja, estamos falando do título mensal da equipe, dentro da cronologia normal do Universo Marvel. Nada de versões alternativas e/ou futuristas. E com a formação clássica: Reed, Sue, Johnny e Ben. Se o próprio Millar escreveu “Guerra Civil” e instaurou a cizânia no coração desta lendária família, nada melhor do que o próprio para resolver o babado. O que eu fico aqui me perguntando é: catso, o Hitch vai conseguir entregar os desenhos a tempo de uma vez por todas?

- E por falar na Wizard World Chicago...saíram um monte de informações interessantes por lá. Uma das mais empolgantes foi a liberação da imagem ao lado, desenhada por Alex Ross e marcando seu retorno à Casa das Idéias depois de um tempão. Novamente em parceria com Jim Krueger, ele deve tocar um projetinho secreto envolvendo o nosso simpatico Capitão América. Vejamos: a palavra “Return” pode se referir ao próprio Ross e não ao personagem, que voltaria do mundo dos mortos poucos meses depois de ser assassinado no final de “Guerra Civil”. Eu acho que esta foi mais uma jogadela de marketing de Quesada e sua tchurma, já que as mãos ao lado do Capitão indicam o Bucky e possivelmente o Namor, o que pode significar que Ross fará um projeto ambientado no passado e com os Invasores como personagens principais, lutando em plena Segunda Guerra. Mas que picareta...

- Esta é boa: o nerd-mór Genndy Tartakovsky, animador-criador de séries como “O Laboratório de Dexter”, “Samurai Jack” e a cultuada “Star wars: Guerras Clônicas” vai realizar o sonho de escrever e desenhar quadrinhos. O sujeito será o responsável pela mini-série em quatro partes “CAGE!”, que mostra o herói de aluguel na década de 70, ainda com seu visual de tiara e camisa amarela aberta no peito. Sweet!

- Saindo direto das trevas, David Michelinie vai escrever, pela terceira vez, uma mini-série mostrando um confronto entre o Homem de Ferro e o Doutor Destino (quem aí se lembra da luta em plena realidade de Camelot, com direito ao mago Merlin e tudo mais?). No cenário marvete pós-Guerra Civil, o embate promete ser dos mais duros. Quebra ele, Doom. A arte será de Ron Lim, com co-argumento de Bob Layton.

- Criação de Denny O’Neil e Neal Adams em 1971, Ra’s al Ghul tinha morrido em 2004 na série “Batman: Death and the Maidens”. Seu corpo foi cremado. Neste meio-tempo, um personagem que tinha sido desconsiderado na cronologia DC voltou a existir: Damian, filho de Bruce Wayne com Talia, justamente a filhota do genial e insano Ra’s. Pois é. Mas a história em oito partes “The Resurrection of Ra’s al Ghul”, a ser publicada em breve, vai provar que é impossível dar cabo de um sujeito que voltou à vida inúmeras vezes graças aos seus poços de Lázaro...

- O filme do Thor já tem diretor: Matthew Vaughn (“Nem Tudo é o Que Parece”, também conhecido como “Layer Cake”), que está planejando começar os trabalhos ainda este ano. Rápido, não? Além de diretor de “Stardust”, inspirado na obra de Neil Gaiman, Vaughn foi durante algum tempo o responsável por “X-Men 3”, mas abandonou o projeto por motivos pessoais e largou na mão de Brett Ratner.

- Para encerrar, uma notinha triste: morreu neste domingo, graças a um ataque cardíaco fulminante e inesperado, o desenhista de quadrinhos Mike Wieringo, 44 anos. Vegetariano, era descrito pelo amigo e também artista Todd Dezago como “um dos mais saudáveis do pedaço”. Putz. Que surpresa desagradável, não? E pensar que, no sábado, eu li uma história do Homem-Aranha desenhada por ele na qual a única coisa que se salvava era o desenho, e cheguei a pensar: “Ao lado do Mark Bagley, o Wieringo é um dos caras que mais gosto de ver desenhando o Escalador de Paredes”. Um minutinho de silêncio pra ele - artista responsável pela imagem do lado esquerdo...

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