05/09/2007

.: NA MÍDIA .: Folha de São Paulo/Ilustrada (04/09/2007)

Estou eu, na academia, no intervalo entre um exercício e outro, dando uma checada na entrevista que o Pedro Butcher fez com o cineasta Brian De Palma para a “Ilustrada”, a respeito de seu “Redacted”, filme de guerra a ser exibido no Festival de Veneza. Perguntado sobre quais seriam seus próximos planos (ou algo do gênero), o diretor ficou revoltado. Rasgou a calcinha e pisou em cima. “Não precisamos necessariamente fazer um sucesso atrás do outro, não? Vejam o caso do Sam Raimi, por exemplo. Um diretor talentoso – mas que vai passar o resto da vida fazendo ‘Homem-Aranha’? Eles vão rodar mais três!”. Holy Jesus. Certas pessoas deveriam saber a hora de ficar caladas.

Alguém deveria explicar ao De Palma que não se sabe se o Raimi vai continuar dirigindo os filmes do aracnídeo (embora a minha vela de 7 dias esteja acesa). Mas, se acontecer de fato, o lance é que Raimi é, além de um profissional que deve ficar muito feliz no final do mês ao checar sua polpuda conta bancária depois do pagamento da Columbia, um fã. Pois é. Ele gosta do Homem-Aranha e conhece sua mitologia tanto quanto eu, por exemplo. Se algum figurão de Hollywood resolvesse me dar toneladas de verdinhas para que eu dirigisse um blockbuster estrelado pelo meu personagem favorito, eu diria: “Quer que eu use meias 7/8 também?”. Catso! O mesmo valeria para o Fanboy, caso deixassem ele dirigir o filme dos “Transformers”, para o Elfo se surgisse a oportunidade de cuidar do “Superman” e até para o Zarko, se fosse requisitado para uma cinebiografia dos Ramones estrelada pelo Tom Hanks! E falo por todos nós quando digo que não sentiríamos nossas “carreiras conspurcadas” pelo “toque amaldiçoado do mainstream”. Nem o Roman Polanski fala mais este tipo de asneira, vá. Isso é muito coisa de diretor francês pentelho da década de 60.

Não sei porque os “artistas” que dependem da indústria do entretenimento ara pagar as contas têm esta maldita mania de considerar “descartável” toda e qualquer película que não é “autoral”, “independente” ou “de arte”. Jisuis! E, detalhe: isso vindo de um cara que vai rodar uma prequel para “Os Intocáveis”!!!! Quer coisa mais caça-níqueis do que estes prólogos/continuações tardios de antigos clássicos? Pelamordedeus, hein? Cria vergonha na cara, De Palma! “Scarface” foi ótimo, mas foi há mais de 20 anos! Depois daquele chatíssimo “Dália Negra”, um pastiche noir arrastado e sem brilho, o sujeito ainda quer dar lição de moral? Pára tudo. Como dizem os camaradas do Judão...mordi.

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