04/09/2007

.: TV .: Cavaleiros do Zodíaco – Hades: A Saga do Inferno

Eu fui um daqueles fãs que assistiu aos 114 episódios (compreendendo “Saga do Santuário”, “Saga de Asgard” e “Saga de Poseidon”) dos “Cavaleiros do Zodíaco” em sua versão original, ainda na extinta TV Manchete. E, já naquela época, apesar de curtir a sessão de pancadaria regada a uma mistureba mitológica como só os criadores de animês poderiam fazer, já tinha sentido um certo cansaço da fórmula. Quando Seiya e seus amigos chegam às 12 casas do Santuário para enfrentar os Cavaleiros de Ouro, o negócio se transforma em um videogame: mata o chefão daquela fase em uma luta que dura quatro episódios, passa para a próxima fase. E vai indo assim, repetindo-se nas terras geladas de Odin ou no fundo do mar.

”Hades: A Saga do Santuário”, primeira parte da nova série de aventuras dos Guerreiros da Deusa Atena, mudou os conceitos da coisa toda de uma maneira muito positiva. Não quer dizer que os roteiros ficaram tão adultos, complexos e densos quanto os de um “Neon Genesis Evangelion”, por exemplo, apenas para manter a comparação dentro do âmbito nipônico. Mas o fato é que aquela inocência bobinha de quinze anos atrás deu espaço para os primeiros passos do que seria uma verdadeira (r)evolução no longa “Prólogo do Céu”, momento no qual os Cavaleiros deixam a pancadaria gratuita de lado e passam a investir em um lado filosófico de questionamento do papel dos deuses que, embora tenha desagrado a molecadinha mais nova, me fez enxergar sob outro prisma a animação que embalou minha adolescência.

Sua continuação, “Hades: A Saga do Inferno”, consegue ser ainda melhor do que a antecessora – e por uma série de motivos. Finalmente nos domínios do mestre da escuridão, Hades, os cinco cavaleiros de bronze precisam correr para ajudar Atena (ou Saori Kido, como queira) em sua luta final contra o deus maléfico. Além da própria Atena, que deixa o papel de donzela em perigo para trás e passa a travar suas próprias batalhas, quem ganha merecido destaque é o anteriormente afeminado Shun, que vira o vilãozão bambam da parada, devidamente possuído por Hades e colocando o instrumento na mesa para qualquer um que duvidasse de sua masculinidade (e daí que ele usa uma armadura cor-de-rosa, ora bolas?).

E, finalmente, Ikki de Fênix (de longe, meu personagem favorito) salta da posição de “coadjuvante de luxo” para as luzes que sempre deveria ter tido. E descobrimos que, debaixo de todo o seu mau-humor, arrogância, rebeldia e falta de educação, sempre existiu um irmão mais velho preocupado com o seu pequeno e frágil irmão mais novo. Até o Seiya, aquele sujeito pentelho que infelizmente dá nome à série em seu original, tem lá uns momentos interessantes – em especial, quando os demônios de seu passado são exorcizados no episódio “O Julgamento Silencioso”.

As lutas são mais ágeis, dinâmicas e menos cheias de lenga-lenga e blá-blá-blá. E o final apoteótico com os Cavaleiros de Ouro é para deixar qualquer fã, novato ou velhaco, totalmente emocionado. Os únicos que se ferram nesta história toda são mesmo Hyoga de Cisne e Shiryu de Dragão, sub-aproveitados de tal forma que, além de passarem boa parte do tempo apanhando e sendo salvos pelo Kanon (irmão gêmeo de Saga...de Gêmeos), só ficam correndo, correndo, correndo e correndo de um lado para o outro, sem qualquer relevância para a trama.

Que venham os Elíseos, então. Vejamos onde a coisa toda vai parar. Me surpreendam.

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