04/09/2007

.: TV .: Hell-O-Kitty

Rolou na internet durante muito tempo um boato daqueles que as pessoas insistem em transformar em verdade: o de que a tradução literal do nome “Hello Kitty” seria o “olá” em inglês” mais uma bizarra explicação de que “kitty”, em japonês, seria “demônio”. Pois é, isso mesmo. Dizendo o nome da Hello Kitty, você estaria ajudando a saudar o demônio, perpetuando uma sociedade satanista, trazendo maus fluidos para sua vida e demais baboseiras. Infernal hails.

Por algum motivo, o mesmo alguém que perdeu tempo inventando esta teoria conspiratória parecia convenientemente se esquecer de que “Kitty” é, ao lado de “Kittie”, uma das formas de tratamento carinhoso, também na língua inglesa, para “gato”. Ou seja: gatinho (a). Portanto, “Olá, Gatinha”, e não “Olá, Demônio”. Mas vai explicar isso pra esta galera que ainda acredita na história do rim roubado na banheira de gelo e no sensacional chamado emergencial concebido ao se teclar a sua senha do cartão ao contrário no caixa eletrônico.

O fato é que, introductions aside, no último final de semana, quando levei minha filhota ao MCDonald’s (sei que sou vegetariano, não precisa me lembrar disso. Mas a pequena adora, fazer o quê?), o brinde do McLanche Feliz eram DVDs. E, de primeira, ela escolheu o da Hello Kitty – no caso, aquela animação em stop motion exibida no bloco “Pop Box”, da PlayTV. Eu teria preferido os Jovens Titãs, mas precisei lembrar a mim mesmo que tenho quase 30 anos, e não 3. Logo, o direito de escolha ficou com a criança de fato.

Como era de se esperar, eu e minha esposa assistimos às singelas aventuras da felina sem boca umas trezentas vezes depois que voltamos para casa – já que crianças pequenas têm a tendência sádica de querer ver os mesmos desenhos repetidas vezes (que o diga o amaldiçoado Bob Esponja na Idade da Pedra). E posso dizer, sem qualquer dúvida, que a Hello Kitty é uma mala. Ou, como a Mira (aka: my wife) disse, uma daquelas mulheres insuportáveis em TPM contínua. Ela só chora, reclama, esbraveja, grita, bate a porta na cara dos amiguinhos, deixa a turma do lado de fora o dia inteiro, chora mais um pouco e vai brincar sozinha, enfiada embaixo dos lençóis. Em resumo: uma mala. Sem alça, sem rodinhas e com o fundo rasgado.

A turminha disfuncional daquela floresta amaldiçoada por uma musiquinha irritante ainda é formada pela coelhinha My Melody, que adora jogar coisas na cabeça dos outros e dar marteladas na galera; pelo gorducho cachorro (ou algo semelhante) sem-noção Pompompurin, que quebra tudo que vê pela frente; pelo cozinheiro CinammonRoll (é, o nome é este mesmo), que passa o dia inteiro cozinhando pães doces para aumentar os níveis de colesterol de sua patota; e o pingüim chifrudo Badtz-Maru, um irritadinho pentelho que destrói a casa inteira quando está de mau-humor e brinca de pega-pega consigo mesmo.

E antes que você pergunte...não, não estou exagerando. Tudo isso acontece MESMO nesta animação que funciona como castigo para os papais e mamães que não se comportaram bem durante o ano. Já entendi o recado, Papai Noel.

Pensando bem, acho que começo a entender a história do “Olá, Demônio”. Gatinha dos infernos. Ao lado, veja a verdadeira representação da imagem da Hello Kitty.

Um comentário:

Mira disse...

POis é huney, a galera do Asilo Arkham é muito mais normal!

Bitocas