25/10/2007

.: QUADRINHOS .: Rob Liefeld ataca Alan Moore (título de post seguindo a sugestão do próprio Liefeld)

Pois é, o sujeito que não conseguiu aprender a mínima noção de anatomia até hoje, que ainda desenha duas pernas esquerdas, músculos que não existem e fileiras intermináveis de dentes resolveu lançar uma declaração pública atacando Alan Moore. Vamos analisar cada trecho do texto do sujeito...

"Se você fez negócios com Alan, tem uma opinião diferente sobre o cara. Ele se vende como um poeta, mas é só um negociador sem escrúpulos, como todo mundo. Ele ficava querendo mais trabalho porque só queria dinheiro. Você devia vender isso para a Wizard, 'Rob Liefeld ataca Alan Moore'”.

Bom...vivemos numa sociedade capitalista. A profissão do Alan Moore é escrever – quadrinhos, livros, o que quer que seja, porque vai ter sempre um monte de malucos como eu dispostos a comprar. Nada mais justo do que ele receber por seu trabalho, afinal ele precisa colocar comida na mesa. Se, por algum motivo, isso é ilegal, imoral ou engorda, paciência. Na verdade, acho que por conta de algumas posturas mais radicais e que vão na contramão do que acontece no mercado de quadrinhos atual, as próprias pessoas criaram este estereótipo do Moore como um combatente da liberdade antimainstream – quando, na verdade, tudo que vejo é um cara genial mas anti-social e um tantinho excêntrico, que prefere encher a cara num pub a encarar hordas de fãs ensandecidos numa Comic-Con da vida. Direito dele, ué.

”Ele é brilhante, mas penso que saiu do controle. Tipo, ele brigou com a Wildstorm, e teve outra briga com a DC, e não trabalha para a Marvel. Uma hora a gente tem que pensar, putz, Alan, é você ou o resto do mundo?”Agora que Will Eisner se foi, considerando o universo dos quadrinhos, sou muito mais o Alan Moore do que o resto do mundo, brigando ele com quem estiver afim de brigar. Alan só quer receber mais dinheiro, só isso. Desculpe, Alan. Não o coloco no pedestal como Jack Kirby e Frank Miller."

Isso, coloque Frank Miller no mesmo pedestal que o Jack Kirby. O mesmo Miller que fez “Cavaleiro das Trevas 2” e aquele crossover entre Batman e Spawn. Realmente, um autor fantástico.

"Ele é só um cara que quer ser pago e faz negócios que depois não gosta, aí vira reclamão e chorão... Cara, ele trabalhou para mim por dois anos, eu fiquei quieto por uns dez. E aí vi ele se queimar com todo mundo e pensei 'Hmmm'. Mesmo que a gente não tenha brigado. Ele simplesmente parou de trabalhar para nós (a editora de Rob, Awesome Comics), porque agora queria investir em seu novo universo com a Wildstorm e, de novo, tudo foi por água abaixo. Ele dá um novo sentido ao termo 'artista temperamental'."

De fato, ele pode ser temperamental. Mas o que ele fez com aquela cópia vagabunda do Super-Homem chamada de Supreme é algo memorável, pelo qual Liefeld deveria se ajoelhar todos os dias agradecendo aos Céus e implorando por uma chance de, algum dia, fazer algo 1% semelhante. As reclamações constantes do Moore se devem ao tipo de contrato estabelecido pelas editoras, com cláusulas abusivas e nenhum controle a respeito do que seria feito com suas criações a partir de então, incluindo adaptações para cinema e desenhos animados de gosto questionável. Mas o Liefeld parece se esquecer “convenientemente” disso, já que ele próprio é dono de uma editora e tem lá seus contratos com a Marvel Comics. Fica mais fácil, portanto, chamar o Moore de “aquele velho barbudo reclamão e chorão”. Do tipo: “ele é só um maluco de hábitos estranhos, não vamos dar ouvidos ao que ele diz”.

"Aí ele vem e diz para todo mundo 'eu vou reclamar de todas adaptações de cinema que vocês fizerem', e não demonstra lealdade alguma a colegas como Dave Gibbons e David Lloyd (que trabalharam com Moore em Watchmen e V de Vingança). Ele sabe que, se reclamar do filme, vai manter uma porcentagem dos fãs longe. É um cara interessante, alguém devia fazer um documentário sobre ele."

Lealdade? Alguém pensou em perguntar ao Gibbons ou ao Lloyd se eles estão preocupados com isso? Eles também querem ganhar a sua porcentagem dos lucros – e, vejamos, a porcentagem dos lucros do Moore ele dá diretamente para os próprios Gibbons, Lloyd e demais parceiros nestes projetos adaptados, por não querer qualquer relação com este tipo de material. Hum. Agora entendi o que é esta história de “lealdade”, afinal.

Liefeld...vai chupar um parafuso até virar prego.

Nenhum comentário: