06/11/2007

.: QUADRINHOS .: Os Novos X-Men de Grant Morrison

“Sabe o que eu mais admiro em você, Magrão? A sua calma demente em situações de perigo”
- Wolverine para o Ciclope durante a queda de um avião

Seguindo sua política de “compre seus quadrinhos divididos hoje que a gente vai lançar invariavelmente encadernado mais pra frente”, a Panini colocou no mercado os dois primeiros arcos dos Novos X-Men escritos pelo escocês pirado Grant Morrison.

Para quem andava empapuçado dos mutantes de colantes coloridos desde a invasão Jim Lee/Rob Liefeld da década de 90, com muitas cores e pouco cérebro, esta edição “E de Extinção” é ideal. O careca transforma os x-heróis numa verdadeira escola, definindo os medalhões como professores e apresentando toda uma nova geração de mutunas ao mundo. Aliás, todo o conceito do que é ser mutante é virado do avesso pelo sujeito e adaptado com maestria ao século XXI, resgatando os temas primordiais do preconceito de Stan Lee e jogando tudo nos guetos das grandes cidades, resultando em uma incontrolável explosão social.

O conceito da evolução faz parecer que os mutantes são uma raça predadora da humana, e também aparecer o próximo nível evolucionário – os O-Men, humanos que querem ser mutantes a qualquer custo.

Mas Morrison é mesmo um daqueles autores de personagem, capaz de dar profundidade até ao justiceiro mais bunda-mole e esquecido – vejam o caso do genial Homem-Animal. Nos X-Men, além de reformular radicalmente a Rainha Branca, fazendo de Emma Frost uma aristocrata arrogante e deliciosamente pervertida, e de dar um visual felino e um comportamento afetado e quase gay ao Fera, Morrison trabalha com perfeição na figura do Ciclope. Depois da fusão com o Apocalipse, Scott Summers parece estar mais frio e distante, muito mais um soldado, talvez até um comandante, do que um super-herói. Mas mostra claramente o nerd inseguro guardado dentro de si quando em sua relação com Jean Grey - na época, eles ainda eram casados, embora o autor desse sinais claros de que Summers começaria um caso com Emma (graças a Deus, aliás).

E só mesmo uma mente doentia como a de Morrison para conceber uma vilã absurdamente cativante como a feroz Cassandra Nova.

Ótimo ponto de partida para quem quer retornar os quadrinhos x, bem mais interessante até do que a própria versão “ultimate” dos pupilos do Professor Chico Xavier.

Um comentário:

fofolete disse...

pow, desse jeito vou ter que voltar a ser nerd.