12/12/2007

.: CINEMA .: Transformers

O meu querido colega Fanboy, tão fã dos Transformers quanto eu sou do Homem-Aranha, devia estar achando que eu não queria ver o filme dos seus queridos robozinhos por despeito, sei lá. Até agora não tinha me dignado a assistir ao dito cujo, nem sequer levantei a bunda da cadeira para ir ao cinema. Falta de tempo, gato, pode ficar tranqüilo. Apesar de não ser um fanático como você e o Garretimus, repito que os guerreiros de Cybertron fizeram parte da minha infância – e nem o fato de saber que a direção seria de Michael “Tudo Nos Meus Filmes Faz Cabum!” Bay tinha me tirado a vontade, em especial depois dos trailers instigantes. Isso não quer dizer muito (afinal, os ianques são mestres na arte de fazer trailers enganadores), mas estava com boas esperanças. Todo mundo tinha me dito que achou o filme pra lá de divertido.

Neste último final de semana, fui à locadora e trouxe os primos ricos dos Gobots para casa. E...caceta. Que decepção. Eu só não digo, de boca cheia, que achei o filme “uma bosta!” porque o jovem Shia LeBeouf consegue carregar todo o elenco, real e em computação gráfica, nas costas. O carisma e a empatia que o sujeitinho imprime em papéis assim, do natural born loser, é impressionante. Ele é o único responsável pelos momentos minimamente divertidos e espontâneos da película. E tenho sérias dúvidas que isso seja devido a uma boa direção de ator, já que a única coisa que Michael Bay dirige bem são explosões. Mas há de se convir, claro, que o seu Sam é mais uma variação óbvia do estilo Peter Parker, o nerd sem jeito com as mulheres e que é mal-tratado pelos jogadores de gutebol americano...

O que eu queria entender, de verdade, é porque diabos uns quatro ou cinco amigos fizeram questão de bater o martelo ao dizer que este “Transformers” seria melhor do que “Homem-Aranha 3”. E isso sem qualquer juízo de valor com relação ao filme do Teioso e sem mergulhar de cabeça no meu lado fã. Pensemos no que eu ouvi durante a comemoração do casamento do amigo Emílio Elfo:

”Homem-Aranha 3 não tem roteiro”.
Ah, tá. Perdão...mas onde diabos foi parar o roteiro do filme dos Transformers, então? É uma história tão rala e clichê que tudo, absolutamente tudo, do desenvolvimento dos personagens ao encerramento da trama, eu já tinha deduzido só de ver o trailer. Mas tive, por um momento, a esperança vã de que fosse estar enganado. Quantas MILHARES de vezes você já não viu filmes e/ou desenhos que seguem a linha: “duas facções de guerreiros rivais vêm para a Terra e encontram num jovem garoto a chave para decidir seu futuro”. E ele ainda fica com a gostosa fanática por carros no final. ARGH!

”Homem-Aranha 3 tem personagens demais, e não dá tempo de desenvolver todos eles”.
E o que dizer de “Transformers”? Antes mesmo dos robôs aparecerem, os muitos personagens humanos já desfilam pela tela sem eira e nem beira. Os soldados do Qatar, por exemplo, são tão bidimensionais quanto um gibi do Justiceiro da década de 80. A hacker genial aparece um pouquinho e some. O mesmo vale para o tratamento vago dado ao Jon Voight e ao John Turturro. Os principais protagonistas, os robôs, são desperdiçados ao extremo. Os Autobots são apresentados, com suas características principais, e depois mal se toca no assunto. Fora o Optimus e o Bumblebee (cuja sacada de falar através das músicas tocadas no rádio foi realmente bacana, concordo), o restante só pula pra lá e pra cá, dando porradas aleatórias. Na seqüência final, mal dá para saber quem é quem. O mesmo princípio vale para os Decepticons. Starscream aparece durante, sei lá, meio minuto. E, em nome de Odin, o que fizeram com o Megatron? Ele deveria ser o vilão do filme! O vilão! Não aquele arremedo de monstro metálico que sai do congelamento, dá meia dúzia de porradas pra lá e pra cá...e morre. Acabou. Motivação? Hein? O que diabos é isso mesmo? E depois ainda reclamam do Venom ter aparecido só no finalzinho de “HA 3”?

”Homem-Aranha 3 tem várias cenas de vergonha terceirizada”.
Nisso, “Transformers” ganha de lavada. Um robô mano, falando língua de rapper americano e dizendo “Yo”? Um robô fazendo xixi em cima do John Turturro – exposto a um papel de absoluta canastrice, mas não daquela canastrice divertida, mas sim daquela canastrice deprimente? Um bando de robôs gigantescos se escondendo em torno da casa do personagem principal, quase andando nas pontas dos pés? Robôs tamanho família fazendo pose de ninja para lutar? Sou muito mais a dancinha do Aranha, numa boa.

O grande problema é que, desde o primeiro filme, e até mesmo nos gibis originais, o Homem-Aranha sempre foi uma mistura de aventura, drama e humor. No caso do filme dos Transformers, o roteirista e o diretor não sabem bem se vão para o lado humorístico/infantil/bobinho dos desenhos animados originais ou então para o lado ação/anime style da reinvenção nos quadrinhos promovida por Pat Lee. É um filme que se leva a sério ou um filme que vai para o lado da sátira escrachada? Decidam-se, homens e máquinas.

Fanboy, meu amigo do coração, me perdoe. Mas “Transformers” é broxante. Não consegue ser divertido nem quando você resolve esquecer que é “Transformers”, como o Morphosis tinha sugerido. É só um grande desperdício de tempo. Não fique triste comigo. Ainda amo você.

PS1: Sou muito mais os robôs com seios e com bigodes (piada interna).
PS2: Também sou muito mais a peruca do Nicolas Cage no filme do “Motoqueiro Fantasma”.
PS3: Danem-se os malditos Camaros! O Bumblebee tinha que ser um fusca. Um FUSCA (gritando e batendo o pé)!

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