16/01/2008

.: TV .: HEROES

Seguindo a minha tradicional tendência de “atrasado no hype”, enquanto todo mundo baixa alucinadamente os últimos episódios da segunda temporada de HEROES, eu finalmente consegui assistir à primeira temporada da bagaça. Sim, eu sei, pode dizer “nossa? Mas só agora?”. Mas foi completa, numa paulada, de uma vez só. Verdadeira overdose de mutantes.

Sinto muito se vou desapontá-lo, caro amigo Fanboy, mas eu gostei do diacho da série. Acho que você vai continuar mesmo sendo o único nerd que não vai com a cara de Hiro Nakamura e sua trupe superpoderosa. Admito que, apesar de bem amarrada e fechadinha, a trama é claramente uma espécie de mistura entre “Watchmen” (a profissão de Sylar remete ao Dr.Manhattan, a descrição do plano final de Linderman é claramente Ozzymandias) e a clássica saga dos X-Men “Dias de um Futuro Esquecido” (o futuro apocalíptico no qual os mutantes são caçados por um governo opressor). Mas, mesmo assim, com um cheirinho de pastiche no ar, o negócio funciona, sabia?

Um dos motivos, é claro, são as muitas referências que iriam pegar pela perna um gibiota viciado como eu. Não tinha como dar errado. A participação do Stan Lee, os desenhos do Tim Sale, os quadrinhos que o Micah lê, o prédio batizado de Kirby Plaza (Jack Kirby, alguém?), o forjador de espadas cujo nome é Claremont (Chris Claremont, alô?), as tiradas nerds do Hiro...além, é claro, da possibilidade de passar 23 episódios comparando os poderes dos personagens da série aos poderes dos muitos personagens de HQs que estão dentro do meu arquivo obrigatório de cultura inútil. Mas não acho que seja só isso.

"Heroes” é um programa riquíssimo também na construção de personagens, carismáticos, bem-desenvolvidos e tridimensionais mesmo com habilidade super-humanas. E nem estou falando do Hiro, que virou o ídolo cult maior dos webnerds. E muito menos do mala do Peter Petrelli, um protagonista de franjinha ridícula e que mal sabe usar ao mesmo tempo dois dos poderes que absorve. Estou me referindo ao ótimo elenco de personagens secundários.

A começar pelo gordinho policial Matt Parkman, de longe o meu favorito de toda esta primeira saga. E daí que o único poder dele é ler mentes? O cara é tão real quanto o meu vizinho ou o seu colega de faculdade! Niki Sanders, uma espécie de Incrível Hulk loiro e de cinturinha fina, é outra personagem divertida e fascinante ao dividir-se entre porradarias com mafiosos e a dura decisão do que fazer para o jantar. Que venha a segunda temporada. Porque agora é hora de ver a segunda temporada do “House”.

Um comentário:

Fanboy disse...

Não, meu caro Cid: na verdade, eu acho o Hiro espetacular. Foi o motivo principal por eu ter aguentado a primeira temporada. Cada referência nerd dele, a vontade dele ser um herói, sem falar na própria simpatia em que o ator Masi Oka interpretava o personagem, é pura diversão.

Além dele, a série se sustentou por outros dois motivos: Matt Parkman (a relação com a esposa nos primeiros episódios foi muito bacana, algo esquecido mais para o final da primeira temporada) e o pai da Claire (você passa a temporada imaginando se ele é ou não é vilão, por exemplo, e quando você descobre nota que o cara é badass!).

Para mim, Heroes é uma miscelânea do que há de pior nas HQs de super-heróis. Aqui, ao invés de pegar os clichês e as tosqueiras e transformá-las, criando algo diferente, ou simplesmente brincar com aqueles elementos inerentes à mitologia dos super-heróis, parece que Tim Kring é um seguidor cego de Jeph Loeb e Rob Liefeld, pegando o que há de pior e simplesmente misturando tudo, trocando nomes de personagens e situações apenas.

Não é de graça que Kring já veio a público duas vezes pedir desculpas pelo caminho que a série tomou.

Resumindo: puta lixo, como diria Julio. :-)