29/04/2008

.: QUADRINHOS .: Guerras Secretas

Comprei o encadernado com a maxisérie da Marvel Comics. A importância, é claro, é histórica – é o primeiro grande crossover entre os personagens da editora, é a primeira vez que a edição sai completinha por aqui em formato americano, aquelas coisas. E acho que foi justamente por isso que comprei a dita cuja. Como o leitor recorrente deve ter notado, sou marvete de carteitinha, não deu para evitar. Mas preciso admitir que, como história única, “Guerras Secretas” não é lá das melhores coisas. Aliás, é uma trama bem da fraquinha, esticando clichês e obviedades ao limite e com diálogos que beiram o risível.

Isso sem falar nos desenhos de Mike Zeck (vamos ignorar completamente a dolorosa participação de Bob Layton), ainda muito longe do estilo orgânico, furioso e cheio de personalidade que mostraria em clássicos como “A Última Caçada de Kraven”. Mas, como celeiro para pequenos momentos que podem ser apreciados separadamente, até que a série funciona. Eles são mal-costurados entre si, mas se você conseguir abstrair, pode obter relativa diversão. Veja a treta entre o Wolverine e o Capitão América, por exemplo. Ou o enlace amoroso entre a Vespa e Magneto. Ou talvez ainda a confusão que se abate sobre o coração de Colossus, que se apaixona por uma alienígena e fica em dúvida sobre seu sentimento por Kitty Pryde.

O que vale mesmo a pena em “Guerras Secretas”, contudo, é a ameaça concretizada de um Dr.Destino afiadíssimo em seu papel de vilão supremo. Ele quer, ele vai atrás, ele monta um esquema mirabolante e maquiavélico, ele consegue. Von Doom torna-se o ser supremo, roubando os poderes da entidade cósmica conhecida como Beyonder e assumindo as facetas de onipotente, onipresente e onisciente. Mas, justamente por não ter se tornado completamente um deus, é derrotado por sua faceta mais humana, o rancor de jamais ter conseguido libertar a alma da mãe dos domínios de Mefisto. Se analisada sob este ponto de vista, “Guerras Secretas” é simplesmente sensacional. Von Doom merece ser mesmo o maior antagonista do Universo Marvel. Reed Richards? Faça-me o favor.

PS: Até então, eu tinha “Guerras Secretas” naquele primeiro formatinho, lançado originalmente pela Abril por aqui – e que trazia interessantes alterações feitas na história pelos brasileiros, que lançaram a série por aqui antes da cronologia publicada correntemente, o que causaria uma zona na cabeça dos leitores. Assim, eles optaram pela idéia porca de inserir diálogos que não existiam tentando justificar o visual punk da Tempestade e, ao final, inseriram um quadrinho muito, mas muito mal-feito, no qual o Aranha voltava a ter o uniforme tradicional azul e vermelho – e não o preto com o qual saiu da dimensão de Beyonder. É cada uma que me aparece...

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