07/05/2008

.: CINEMA .: Homem de Ferro

Meus amigos nerds me acham meio maluco por isso mas, apesar de toda a genial campanha viral e da espera angustiante pelo que promete ser uma genial interpretação de Heath Ledger, eu tinha outro filme baseado em quadrinhos no topo da minha lista de espera da atual temporada de blockbusters. Tratava-se, como o título do post e a imagem ao lado entregam, do HOMEM DE FERRO. Dá para dizer que o motivo mais óbvio, é claro, é que eu sou muito mais marvete do que DCnauta. Mas não é só isso.


Desde as primeiras declarações do diretor Jon Favreau na confirmação do projeto até o trailer final, passando por spots de TV, fotos de produção e pôsteres, tudo neste filme me pareceu tratado com tamanho respeito, inteligência e fidelidade ao material original – e mesmo assim sem perder as características próprias – que depositei grandes esperanças no que veria como produto final. Por sinal, o ponto principal no qual Favreau me parecia ter acertado ainda era a escalação de Robert Downey Jr. para o papel principal. Todo o elenco (incluindo a enjoada Gwyneth Paltrow) parecia ter sido selecionado a dedo. Mas colocar Downey por baixo da armadura me soava como um toque de gênio.

Sim, assim como próprio Tony Stark dos quadrinhos, Downey foi ao inferno e voltou ao se deparar com seus próprios vícios. Só que a coisa toda vai além: Downey é um excelente ator, carismático e com uma presença de tela fantástica, abrindo com chave de ouro a safra de produções próprias da Marvel Studios, independente da presença das majors. Nerdíssimo, Favreau enxergou ali uma oportunidade ideal. Bingo. Eu estava certo. E ele também. Fui assistir ao filme na estréia e me deparei com um protagonista que estava plenamente à vontade na película, roubando toda e qualquer cena da qual participasse. Downey encarna um Tony Stark que é uma amálgama da versão atual do empresário amargurado pós-“Guerra Civil” com o seu paralelo no universo ultimate, um playboy hedonista, mulherengo e de língua afiada, que tem dinheiro saindo pelo ladrão e parece não se importar com o dia de amanhã. No filme, Stark é um daqueles gênios egocêntricos e quase intratáveis, desfilando excelente piadas em especial quando briga com os autômatos robóticos que o auxiliam na fabricação das duas versões finais da armadura.

Mesmo depois que retorna de seu cativeiro, já com o coração debilitado, o dono das Indústrias Stark continua infernal. Ele parece realmente abalado por tudo que aconteceu, sinceramente disposto a extinguir a divisão armamentista de seus negócios. Mas é nítido que seus motivos são dúbios, e que sua disposição para o combate emerge de verdade quando Obadiah Stane, mentor, sócio e homem de confiança, pisa no seu calo. Em seu papel de adorável calhorda, Downey simplesmente dá um show – provando que o espetáculo é sempre seu, não importando se é numa produção indie obscura ou num arrasa-quarteirões milionário.

Se a presença iluminada da grande estrela torna a produção facilmente palatável para quem não curte quadrinhos (muito embora “Homem de Ferro” não seja, como alguns pensam, um filme de ação ininterrupta com altas doses de adrenalina), o diretor moldou toda a película com referências e mais referências para deixar mesmo os mais xiitas babando de felicidade – e sem perder o bom timing, detalhe. Acertadamente, ele mudou o cenário da origem do herói da China para o Oriente Médio, atualizando a sua ânsia armamentista. Mas adivinhe qual o nome do grupo de extremistas que captura Stark e o obriga a construir uma arma para eles? Os 10 Anéis – numa clara referência ao vilão chinês Mandarim, principal antagonista do Latinha e que usa dez anéis ancestrais com diferentes superpoderes, um em cada dedo.

Mas tem mais: Stane refere-se a si mesmo como um “monge de ferro” (alcunha de sua armadura maléfica nos gibis), a inteligência artificial cibernética que auxilia Stark chama-se Jarvis (nome de seu mordomo, que mais tarde serviria os Vingadores), James “Jim” Rhodes (Terrence Howard) tem um breve momento “Máquina de Guerra”, Stan Lee fez sua participação especial a la Hugh Hefner e a S.H.I.E.L.D. está presente o tempo todo na história, ainda em seu formato embrionário. E por falar na organização, não seja estúpido: fique até o final dos créditos, porque está lá a breve seqüência na qual Stark se encontra com Nick Fury – interpretado por Samuel L.Jackson, tornando realidade a imagem desenhada por Bryan Hitch para “Os Supremos”.

Vamos ser realistas? Um filme que começa com “Back in Black” do AC/DC e termina com “Iron Man” (CLARO!) do Black Sabbath, não tinha como dar errado.

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