12/06/2008

.: QUADRINHOS .: Homem-Aranha # 78

Hoje em dia, é muito fácil meter o pau nos arcos de história da cronologia corrente do Homem-Aranha, dizendo (como eu faço sempre) que seria melhor que ela fosse exterminada e substituída de uma vez pela versão ultimate do personagem. Ainda mais sabendo que se aproxima o fatídico momento do estalar de dedos de Mefisto. Mas é preciso ser justo e admitir que ainda dá para tirar algumas pérolas do meio de tanta porcaria - e duas delas, por sinal, estão reunidas na edição de número 78 da aracno-revista, recentemente publicada por aqui. Esqueça as duas tranqueiras que estão no meio da revista, um confronto ridículo entre a Gata Negra e a Felina e mais uma trama com referências aos poderes totêmicos, criaturas-aranha ancestrais e afins. Fique apenas com a primeira e com a última histórias da edição Vale a pena.


Abrindo a revista, está a belíssima e premiada "Ter e Manter", com roteiro de Matt Fraction e uma arte refinadíssima de Salvador Larroca, que nos flashbacks evoca o mestre John Romita de maneira muito competente e saudosista. A trama mostra um agente da SHIELD - do qual os fãs mais atentos devem se lembrar - enquadrando a ruiva Mary Jane Watson para que ela entregue de vez o maridão Peter Parker, perseguido pela desobediência à Lei de Registro de Super-Heróis. À medida que passam as páginas, MJ e Peter vão relembrando momentos importantes de seu relacionamento, mostrando o quanto um é importante para manter o outro de pé, dando uma nova e sensível camada a este casal. Chega a dar pena quando a história acaba e você se lembra que tudo isso vai ser simplesmente apagado da cronologia. Puft.

No final da revista, chega a parte 4 de "A Volta do Uniforme Negro", na qual o argumentista J.Michael Straczynski tenta se redimir de todas as bobagens que escreveu nos últimos anos dentro dos gibis do Teioso. A arte dinâmica de Ron Garney só ajuda no excelente resultado final. O Aranha vai até a prisão da Ilha Ryker para um confronto cara a cara com o Rei do Crime, responsável pelo tiro que atingiu mortalmente a Tia May. E, sem a máscara, Peter Parker se despe de todas as piadinhas e mostra a que veio, tomado por uma fúria poucas vezes vista antes. É uma luta surpreendente para quem estava acostumado com outro tipo de comportamento do herói, enfrentamento direto ao ponto e visceral.
Dá até para tirar uma conclusão depois que a porradaria acaba: quando usava o uniforme negro simbionte, aquela persona quase cruel que Peter passou a manifestar não era efeito da roupa. Era apenas um pedaço de si mesmo trazido à tona, um pedaço que ele sempre preferiu manter escondido e em segurança. Contra Wilson Fisk, esta faceta surge sem restrições. Chega a dar pena quando a história acaba e você se lembra que tudo isso vai ser simplesmente apagado da cronologia. Puft.

Ai, ai. Por que eu continuo a ler quadrinhos, afinal...?

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