06/09/2008

.: QUADRINHOS .: Thor chuta a bunda metálica de Tony Stark

Na mesma semana em que meu MP3 Player dispara uma dezena de músicas do Manowar sobre as divindades nórdicas em suas batalhas épicas de sangue, aço, glória e honra, eis que cai na minha mão a edição de número 55 da revista "Novos Vingadores". Que porrada. Dizer que o Brubaker e o Bendis vêm fazendo um bom trabalho com seus respectivos títulos é chover no molhado, mas devo ressaltar que cada vez me surpreendo com o mais do que bem-vindo renascimento do Thor pelas mãos da dupla J.Michael Stracfehgffefegnski e Oliver Coipel. Simplesmente espetacular. Acho que, pelo menos até agora, é o melhor arco de histórias do Deus do Trovão que li desde a saudosa época de Walt Simonson.


As histórias são inteligentes, com ótimos diálogos e com uma utilização mais do que adequada dos elementos da mitologia nórdica - tratada com a dose certa de pompa, mas sem aquele tipo de babaquice reverente demais. Finalmente, alguém entendeu que, se o Thor é um deus, um deus de verdade, ele precisa trazer uma aura de sagrado quase arrogante ao seu redor. O desenho do Coipel, que criou um novo traje para o herói, só colabora - já que o seu Thor é um sujeito enorme, quase assustador, com um olhar que mistura nobreza e um tanto de tristeza meio sombria. Trata-se do Deus do Trovão que desceu à Terra. As pessoas comuns sabem que ele é uma divindade, e por isso o tratam com um misto de respeito e desconfiança.

Esta edição traz o aguardado reencontro com o Homem de Ferro pós-Guerra Civil - quando Tony Stark e seus colegas a favor do registro criaram um clone do Thor para tentar vencer a batalha utilizando sua excelentíssima figura. É claro que, renascido depois de passar pelo Ragnarok, Thor não ficou nada feliz. Stark veio com aquele papinho, de que o Deus do Trovão precisaria escolher o seu lado, que fazer Asgard brotar em pleno interior dos EUA não seria uma boa idéia, tal e coisa. Pois é. Mas não prestou. Thor convoca todos os raios e tempestades possíveis, aplica uma surra homérica no Latinha com o Mjolnir a todo vapor e, quando pega o novo diretor da SHIELD pelo pescoço e arranca-lhe a máscara, dá para ver nos olhos dele que o bigodudo está pensando: fodeu.

Mas o melhor mesmo é a verdadeira lição de moral que Thor dá no seu outrora amiguinho. "Dê suas ordens e ultimatos a quem escolher obedecer ou for covarde demais para lutar. Não a mim. Ou aprenda novamente a diferença entre um deus do trovão e um mortal num traje metálico", diz ele. "Se algum mortal vier a Asgard sem ser convidado em nome daquele que supõem deter o poder, em menos de uma hora eles saberão o que é o verdadeiro poder".

Resultado? Asgard passa a ser considerada uma espécie de missão diplomática e/ou embaixada, ganhando imunidade e, portanto, estando fora da lei de registro. Eficiente, não? E ele ainda consegue encontrar o Heimdall em plena Nova Orleans devastada pelo Katrina.

Aliás, vamos combinar que não dá MESMO para entender o que se passa na cabeça do Stracfehgffefegnski. O cara escreveu a Liga da Justiça como ela deveria ter sido escrita desde sempre em "Poder Supremo" - porque, desde então, o Hyperion é a minha visão definitiva do Super-Homem. Está fazendo um excelente trabalho com o Thor. Mas quando dão a ele a oportunidade de ser roteirista do personagem MAIS LEGAL DO MUNDO, o cara acaba com tudo num piscar de olhos. Inventa poderes de origem totêmica, homens-aranha ancestrais, transforma a Gwen Stacy numa vagabunda...Juro que não dá para entender.

3 comentários:

Paulo Martini disse...

Você tem o J. Michael Straczynski e o Sam Raimi, eu tenho o Simon Furman e o Michael Bay. Como diria o Julio, cada um tem o que merece. :-D

O senhor vai bem? Esposa e filhota também? :-)

Paulo Martini disse...

Ah, e outra coisa: barbaridade essa última história do Bendis no Homem-Aranha Millenium 80, hein? Lindo o diálogo entre o Peter e a Tia May. E olha que eu já estava impressionado com a edição anterior, aquela do rolo com o Rei do Crime, o Cavaleiro da Lua e o Demolidor. Uau, simplesmente UAU! :-D

Diego Kober disse...

Cid, essa historia você leu em portugues? Ou foi uma revista americana?