22/10/2008

.: QUADRINHOS .: Um Dia a Menos

Finalmente, li a tal saga “Um Dia a Mais”, aquela que “revolucionou” a vida do Homem-Aranha, publicada integralmente no Brasil. Nem vou entrar muito no mérito do conteúdo, que nerds em geral e leitores deste blog em particular devem conhecer muito bem, dadas as minhas reclamações e choramingos freqüentes. O fato que me dói mais é saber que o diacho da história tinha lá seu potencial, sabia?


Vamos tentar desconsiderar o fato de que Peter Parker em nada combina com ambientações místicas / cósmicas / espirituais e afins. Straczynski consegue alguns diálogos e situações interessantes, que se fossem melhor desenvolvidas, poderiam desembocar em uma conclusão menos vergonhosa. Vejam, por exemplo, as muitas realidades possíveis para Parker sem ser mordido pela aranha radioativa, apresentado sempre como um homem solitário e amargurado.

Isso sem falar no traço do editor-chefe Joe Quesada, que voltou a atacar de desenhista. Nunca gostei muito do trabalho artístico do sujeito, mas tenho que admitir que a representação que ele criou para o Mefisto ficou espetacular – todo negro e sombrio, apenas com um tracejado vermelho. Macabro e ideal.

Só que todas as vantagens que se veja na história vão por água abaixo nas últimas páginas, quando o roteirista parece soluçar e dizer: “Ai, meu Deus! Meu espaço está acabando e eu ainda nem terminei a história!”. Aí, tudo se desenrola de maneira atrapalhada e acelerada demais, como se estivesse com pressa. Não paguei R$ 6,90 para isso.

Repito: entendo as motivações da Marvel e do rechonchudo Quesada. Sei que a idéia era tirar o personagem da lama de tristeza na qual estava afundado após a seqüência de acontecimentos trágicos em sua vida nos últimos anos. Acho válido tentar trazer de volta a jovialidade e o humor infame do Teioso, muito melhor representada em sua versão “ultimate”. Mas acho uma saída fácil e covarde demais dizer: “tudo que aconteceu na cronologia recente é uma mentira, um sonho, que acaba de ser esquecido num estalar de dedos”.

Concordo com o fim, mas acho os meios surreais. Nas mãos de um roteirista mais criativo e de uma equipe editorial comprometida em respeitar a inteligência do leitor, seria possível atingir o mesmo objetivo sem precisar recorrer a um recurso narrativo tão pobre. Mas vamos em frente. Não adianta mais reclamar. Quero é saber o que vai acontecer daqui pra frente. Porque as próximas histórias, com a cronologia rebooted, têm que ser boas, mas muito boas mesmo, para valer a pena tamanha pataquada.

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