08/10/2008

.: TELEVISÃO .: Os famosos e a web 2.0

Aniversariante de hoje, o simpático Julio “R.Pichuebas” Almeida, outra ponta da tríade d’A ARCA, sempre se opôs ao termo web 2.0, por achá-lo forçado e pedante – afinal, esta história de interatividade e produção de conteúdo, o consumidor se tornando o que os acadêmicos passaram a chamar de “prosumer” (producer + consumer), sempre foi a função original da internet. Mas independente de qualquer modismo marketeiro, é bem divertido ver que até os artistas estão resolvendo dizer o que pensam na web, abrindo um canal de comunicação bem diferente do que vemos nas páginas da “Caras” ou da “Contigo”.

Vejamos este exemplo recente: logo depois do VMB, o Tico Santa Cruz escreveu um post no seu blog com o sintomático título de “Merda no Ventilador”. Leia aqui.
Óia: nem gostar de Detonautas eu gosto. Questão particular, gosto artístico mesmo. Mas que eu sempre achei o sujeito deveras inteligente e corajoso, isso também é verdade. Às vezes um pouco arrogante, ok. Mas tudo bem, um leonino com ascendente em leão pode perdoar isso. O fato é que, neste post, Santa Cruz sentou a paulada na MTV e especialmente na previsibilidade do recente VMB. Estamos falando do vocalista de uma banda ligada a uma grande gravadora e que teve culhões para criticar as práticas daquele que é considerado pela indústria fonográfica e seus executivos grisalhos como sendo o principal veículo de divulgação para a molecada. Cá entre nós, tenho plena certeza de que ele só externou o que estava entalado na garganta de uma série de bandas pelo Brasil afora.

Aí, veio o Marcos Mion, apresentador da MTV, apresentador do VMB e colega do Tico Santa Cruz dentro da mesma ferramenta de “celebrity blogs” da Globo.com. Se não bastasse o Tico soltar o verbo, lá vem o Mion – que considero um dos camaradas mais divertidos da TV atualmente, preciso confessar – e sai em defesa da MTV e do VMB, surtando mais ainda. Leia aqui.

Nem me cabe dizer quem diabos tem razão, embora eu tenha uma ligeira propensão a concordar com o frontman do Detonautas. Mas o que é legal é ver que a conexão não acaba: embora seja uma clara resposta ao post do Santa Cruz, o Mion faz questão de deixar claro que se trata muito mais de uma reflexão do que qualquer outra coisa. E no final – eis que ele senta a sua própria paulada na crítica que o Thiago Ney, da “Folha de S.Paulo” e do blog “Ilustrada no Pop” (o mesmo que você vê entre os meus favoritos aqui, na coluna da esquerda), escreveu sobre o VMB, exaltando a escancarada apresentação em playback dos gringos Bloc Party. Uma prévia pode ser lida aqui.

O meu xará acha que tratou-se de uma tiração de sarro dos caras com a MTV, uma celebração à tosquice – o que me lembra um pouco a teoria do comparsa Emílio “Elfo” Baraçal sobre “Cavaleiro das Trevas 2”, dizendo que o Frank Miller fez aquele lixo de propósito. Eu, particularmente, achei ambas as situações, Miller e Bloc Party, vergonhosas e, se elas tinham algum significado oculto, não consegui chegar até eles.

Reparem, no entanto, na corrente: começou no Tico Santa Cruz, passou para o Mion e depois para o Thiago Ney. E agora chegou aqui. Onde mais esta história vai parar? Viva o caos cibernético, como diria o Gil (eu acho).

---------------------------------------------------


Ah, é, como pude esquecer? Por falar em discussões no mundo artístico, este vídeo do YouTube é brilhante. Trata-se de um trecho do programa “Altas Horas”, no qual o Serginho Groissman, todo meninão, resolve perguntar ao Álvaro Pereira Júnior, crítico de música do “Folhateen” – já que, neste caso, pouco importa a posição dele no “Fantástico” – a respeito de “saias-justas” que a profissão lhe tenha trazido e como os artistas lidam com a crítica. Aí, o Groissman resolve perguntar aos dois convidados musicais como eles lidam com a situação das críticas, coisa e tal. O Frejat lida com a situação com diplomacia, mas quando chega no Ed Motta, o negócio ferve e ele rasga a fantasia, subindo no salto da soberba e chamando os críticos de “moscas”, dizendo que eles não são músicos e portanto não podem criticar música (como se o próprio Ed Motta fosse produtor de vinhos para poder falar sobre eles, mas tudo bem!). A tirada final do Álvaro Pereira Júnior, no entanto, é genial. Vale ver até o fim.



2 comentários:

Alexander Pindarov disse...

Dá uma olhada no meu blog ... Há mais sobre essa discussão tola e sem proveito ;)

Selenity disse...

Não sei se concordo quanto ao Tico ser um cara inteligente... entrevistei o cara e o máximo que ele tem para responder são "respostas ensaiadas" e confusas. Foge do assunto em questão e parece não compreender mto bem o universo jovem que defende e acredita...