07/11/2008

.: MÚSICA .: O satanista sai do armário

Saca este camarada aí do lado? O nome dele é Gaahl, vocalista da banda norueguesa Gorgoroth. Pelo visual do sujeito, pelo seu nome artístico e pelo nome do grupo, já dá pra perceber que ele pratica um tipo de música muito particular. Estamos falando do mais puro black metal, aquela vertente metálica extrema, sombria, que aborda temas satânicos, profanos e anti-católicos. “Infernal hails!”, diz uma saudação bem conhecida. Ou seja: bem diferente do metal fofinho e de refrões grudentos do Edguy, que é uma das bandas que mais tem tocado no meu MP3 Player.

O fato é que, recentemente, Gaahl percebeu que seus fãs podem ser puristas tão extremos quanto a própria música que eles curtem. Ou pelo menos, uma parcela deles, aquela mesma parcela de pentelhos que inunda os fóruns internéticos trazendo no bolso seu pacote de verdades absolutas e inabaláveis. E começaram a circular uma série de boatos maldosos e de cunho preconceituoso sobre uma suposta relação “íntima” de Gaahl e um certo agente de moda chamado Dan De Vero, com quem Gaahl (ou melhor, Kristian Eivind Espedal, seu verdadeiro nome) criou uma linha de roupas para mulheres. Sem medo e sem disfarces, Gaahl veio a público e assumiu a sua homossexualidade. Estes mesmos fãs-babacas ficaram perplexos e até cogitaram um boicote ao Gorgoroth. Gaahl, é claro, não está nem aí.

Gaahl não é o primeiro vocalista metalhead a assumir sua homossexualidade – vide Rob Halford, o master-careca do Judas Priest. Mas existe uma espécie de “tolerância” dos puristas com ele, até por sua importância histórica na cronologia do metaaaaaaaaaaal. Gaahl não tem a mesma “sorte”. Só que eu quero ver quem tem coragem de encarar de frente este sujeito e chamá-lo de “boiola” (um dos adjetivos mais leves que andei lendo por aí) sabendo que ele já foi preso duas vezes por agressão. Mexe com o sujeito, mexe.

Sempre gostei do cara, apesar de não ser fã do tipo de música que ele faz (e nem de sua postura violenta da década de 90, é bom deixar claro). Vegetariano, praticante do xamanismo e especialista em mitologia nórdica, ele de fato nem acredita que Lúcifer exista – mas o usa como alegoria musical para expressar sua posição contra a opressão do Cristianismo em um mundo que cultua este tipo de ícones. Agora, vi o sujeito se assumir de verdade com toda a coragem do mundo, sem precisar dar satisfação a ninguém. E daí que ele é gay? Isso faz dele mais ou menos heavy metal? Pela mãe do guarda.

Um comentário:

Anônimo disse...

"Opressão do Crisianismo"?
Cara... eu tenho pena de você...

Aquele abraço,
Angela