02/12/2008

.: CINEMA .: O Incrível Hulk

Por motivos alheios à minha vontade (leia-se: uma esposa que odiou o filme do Ang Lee), perdi no cinema mas, como bom viciado em quadrinhos da Marvel, assim que “O Incrível Hulk”, nova interpretação cinematográfica do Golias Verde, chegou às locadoras, tratei de ir correndo para ver do que se tratava. E fiquei deveras satisfeito – em especial, com a performance de Edward Norton como o problemático Dr.Bruce Banner. Sabia que ia funcionar, não tinha como dar errado.

Aliás, todo o elenco está ótimo, incluindo Liv Tyler como Betty e William Hurt como o inescrupuloso General Thunderbolt Ross. O fato é que, apesar de todas as diferenças, este reboot da franquia funciona como uma espécie de complemento ao filme de Ang Lee. Enquanto o primeiro se foca mais no aspecto psicológico da vida de Banner/Hulk, analisando sua dualidade de personalidade como no arco comandado por Peter David (retomando as raízes Jekyll & Hyde da criação original de Stan Lee), esta interpretação do diretor Louis Leterrier mistura a ação desenfreada da década de 90 com o clima de perseguição do seriado dos anos 70 – fazendo, inclusive, uma inteligente menção ao relacionamento Mr.Blue/Mr.Green do recente arco escrito por Bruce Jones. O resultado são dois filmes complementares e nada excludentes, apesar dos pesares.

Em dado momento, todavia, é meio visível que, na ilha de edição, o filme foi cortado para ganhar mais ação e adrenalina do que deve ter sido previamente acordado no roteiro que teve a participação do próprio Edward Norton. Dá para sacar que o ator se pretende mostrar Banner com um “quêzinho” de profundidade a mais, que deve ter ficado pelo caminho. Nada, no entanto, que estrague a diversão – especialmente na poderosa luta contra o Abominável nas ruas de Nova York, repleta de destruição e com direito até ao “golpe das palmadas” e também ao clássico grito de “Hulk Esmaga!”, que deve ter arrepiado aos gibinautas com mais idade.

Estão lá as participações especiais de Stan Lee (excelente idéia, por sinal) e Lou Ferrigno, estão lá as menções a Nick Fury, a SHIELD e ao Dr.Leonard Samson, está lá a cena de Robert Downey Jr. como Tony Stark, sugerindo a criação de um supergrupo de heróis ao General Ross...E, obviamente, fica no ar uma possibilidade de continuação com a origem do Líder, vivido em seu estágio inicial por um neurastênico Tim Blake Nelson. Duas tentativas, dois acertos. Vejamos até quando a Marvel consegue manter esta porcentagem em suas produções caseiras.

PS: Resta aqui uma dúvida. No começo do filme, quando Banner está escondido no Brasil, seu professor de artes marciais é um ator brasileiro. A garota com quem ele demonstra uma ponta de envolvimento é uma atriz brasileira. Até o atendente dos Correios é um brasileiro, todos com português impecável. Juro que não entendo, então, por que cargas d’água optar por dar a atores não-brasileiros os papéis do dono da fábrica e do peão encrenqueiro, justamente aqueles que mais interagem com Banner - e justamente aqueles que falam um português todo macarrônico, pior até que o do próprio Norton. Catso, quem aquele careca pensa que está enganando? E ainda chama o herói de “gringo”? Shame on you, Kevin Feige!

Um comentário:

William disse...

Thiago, há uma explicação para a sua dúvida. As cenas internas da fábrica foram filmadas no Canadá, e não no Brasil. Lá apareceram aqueles caras dizendo que falavam "brasileiro", e o diretor acreditou...

Mas, mesmo assim, o filme é bom mesmo! Espero que a Marvel continue acertando até o filme dos Vingadores! =)