13/02/2009

.: CINEMA .: O Curioso Caso de Benjamin Button

Por mais que esteja desativado (temporariamente, segundo as más línguas), o site A ARCA continua reunindo sua equipe de redatores para inúteis e deliciosas discussões sobre o mundo da cultura pop – seja pessoalmente ou mesmo pela internet. Um dos tópicos mais recentes foi justamente o campeão de indicações ao Oscar deste ano, “O Curioso Caso de Benjamin Button”. Preferi nem me meter na conversa porque ainda não tinha assistido ao dito cujo. Mas é claro que, depois de vê-lo, não vou resistir a colocar minha colher no doce de leite: o filme é muito bom. Mesmo. Sinceramente: e daí que não é um David Fincher típico?

Tá bom, “O Curioso Caso...” não tem aquela subversão quase anárquica de “O Clube da Luta” ou mesmo a tensão poderosa de “O Quarto do Pânico” e “Zodíaco”. Visualmente, o filme também não tem as piruetas fotográficas com as quais Fincher adora brincar. Isso, no entanto, quer dizer que o filme é uma porcaria? Significa que o diretor é obrigado a fazer filmes com a mesma roupagem pelo resto de sua carreira? Nada disso. Kevin Smith sempre fez odes à cultura nerd recheados com os personagens do “View Askew Universe” – mas foi só ele arriscar uma graciosa comédia romântica como “Menina dos Olhos” para os xiitas gritarem e rolarem no chão de raivinha. M.Night Shyamalan cansou-se dos finais-surpresa e dos suspenses e resolveu experimentar um conto de fadas – e quando lançou o doce “A Dama do Lago”, tinha gente roendo até os cotovelos de ódio. Mas que gente pentelha.

Também acho injustas as comparações com “Forrest Gump”. Adoro o filme do Zemeckis #corrigido por Igor José, é realmente uma fofura. Mas “O Curioso Caso...” é muito mais denso, profundo, cheio de camadas de significado. É outro tipo de obra. Ou alguém acha que todas as referências diretas e indiretas a tempestades são obras do acaso e não conseqüência direta da mão de um diretor inteligente e com atenção quase poética aos detalhes?

“O Curioso Caso...” é um filme sobre vida e morte, sobre aceitar a velhice, sobre seguir a sua vida sem que ninguém lhe diga o que você pode ou não fazer – e para quem entende de verdade o que quer dizer a palavra “anarquia”, este último detalhe é essencial. E o ritmo da película, que é bastante longa, é ainda melhor do que o timing de “Zodíaco”, que chega a ser um pouco cansativo lá pelas tantas.

Como de costume, Brad Pitt está muito bem no papel: e nem era para menos, já que Fincher é daquele tipo de diretor que sabe extrair o ator de verdade por baixo da beleza do Sr.Jolie. O mesmo pode se dizer de Cate Blanchett, mais linda do que nunca (impressionante como a idade fez bem a ela).

Se “O Curioso Caso de Benjamin Button” merece ganhar o Oscar? Sei lá. Para dizer uma coisa desta natureza com toda a certeza, eu precisaria ter assistido a todos os outros concorrentes. Mas o que o filme mais merece ganhar, sem dúvida, é um olhar mais atento e menos desleixado dos fãs de cinema, vamos combinar.

4 comentários:

Igor José P.G.G. da Silva disse...

Só uma correção:Forrest Gump foi dirigido pelo Robert Zemeckis, e não pelo Spielberg!

E ambos têm o mesmo roteirista...talvez explique um pouco a comparação...

alce disse...

saudades da Arca

Thiago "El Cid" Cardim disse...

Igor: você tem toda a razão. É um erro que cometo com freqüência, sabia? Por algum motivo, acho que o "Forrest Gump" tem a cara do Spielberg. Devidamente corrigido!

Fulvio Ramos disse...

desativado, temporariamente... TEMPORARIAMENTE!

não li nada mais pq sai comemorando... cara, faça a-arca voltar!

melhor site nerd e com QUALIDADE que já existiu no brasil!