15/02/2009

.: MÚSICA .: Até que enfim, o Kiss

Finalmente, estou com meu ingresso para o show do Kiss aqui em São Paulo devidamente guardado em casa. A contagem regressiva para o dia 7 de abril começou oficialmente. Afinal, devo dizer que sempre sonhei em ouvir soando, nos alto-falantes do estádio, o anúncio lendário: “Alright, São Paulo. You wanted the best, you got the best. The hottest band in the world, Kiss!”.

Desde o dia em que passei a me considerar fã de rock, o Kiss sempre esteve entre as minhas bandas top 3, pouco abaixo apenas do Queen e do Blind Guardian (bandas com igual potencial de nerdice, vamos combinar). Os motivos são bem claros: é rock festeiro, farofa, divertido, performático, com um bocado de circo e história em quadrinhos no caldeirão. O baixista Gene Simmons, apesar do jeito falastrão e das declarações direitistas, é um dos meus ídolos incontestes no mundo da música. Ele é um claríssimo exemplo do nerd que não desistiu dos seus sonhos, foi atrás do que queria, batalhou, deu a cara pra bater e tornou-se um verdadeiro ícone da cultura pop.

Lembro até hoje da última vez em que o Kiss veio ao Brasil, com a formação original (Gene, Paul, Ace e Peter), para a turnê cheia de efeitos especiais do “Psycho Circus”, com direito a óculos 3D e tudo mais. O ano era 1998. Apesar de já escrever as minhas bobagens no finado site “PQP”, eu ainda era um jovem universitário de Santos que ganhava uma merreca como estagiário na rádio comunitária da faculdade. Ou seja: não tinha a menor esperança de qualquer grana extra para bancar uma vinda a um show em São Paulo. Sem chances. É óbvio que fiquei frustrado. Mas não tinha muito jeito de resolver a situação sem que tivesse que pensar em vender meu corpinho...

Poucos meses depois, lá estava eu, enfim conhecendo a redação da Editora Abril – sonho de todo moleque nascido no final da década de 70/começo da década de 80 e que tenha passado a vida lendo os quadrinhos Marvel/DC. Levado pelo amigo Fábio Yabu (criador dos “Combo Rangers”, das “Princesas do Mar” e também do mesmo “PQP” para o qual eu escrevia), conheci o amigo Marcelo Forlani – hoje, um dos criadores e editores do “Omelete”. E na mesa dele, bingo, estava aquele desejado óculos 3D do show do Kiss. Tudo que ele tinha a dizer sobre a experiência: “Foi do caralho”. A inveja me corroeu. Mas durou pouco, já que, poucos minutos depois, fui apresentado ao sujeito que ganhava a vida editando os gibis do “Homem-Aranha”. E, obviamente, a inveja passou todinha para os ombros do cara.

Já vi um show do Blind Guardian – o que foi uma experiência memorável, emocionante, de tirar lágrimas dos olhos. E ver um show do Queen de verdade, aquele Queen liderado por Freddie Mercury e com John Deacon no baixo (e não aquela banda zumbi-aberração que Brian May e Roger Taylor insistem em chamar de Queen), sei que nunca foi conseguir. Assim sendo, dá para perceber o quanto este show do Kiss me é deveras importante.


Tá bom, sobraram apenas o Paul e o Gene. Mas o Eric Singer, sempre excelente, está nas baquetas. E...vamos ser sinceros? De fato? Freddie Mercury sempre foi o Queen. Isso é claro. Não vamos nos enganar, ele era o espírito da banda. Da mesma forma, Ace Frehley e Peter Criss que me perdoem, mas Gene Simmons e Paul Stanley sempre foram coração e alma do Kiss. Isso me basta. Com muitos efeitos pirotécnicos, shows de luzes, sangue de mentira e aquele baixo em forma de machado.

Sobre o set-list? Vai ser uma surpresa pra mim e, honestamente, prefiro que seja assim. Mas eu vou ficar feliz feito pinto no lixo se ele tocarem pelo menos 65% do que segue abaixo:

BLACK DIAMOND
DEUCE
GOIN’ BLIND
ROCK ‘N’ ROLL ALL NITE
DETROIT ROCK CITY
DESTROYER
DO YOU LOVE ME
SHOUT IT OUT LOUD
CALLING DR.LOVE
HARD LUCK WOMAN
CHRISTINE SIXTEEN
LOVE GUN
SHOCK ME
PLASTER CASTER
I WAS MADE FOR LOVIN’ YOU
CREATURES OF THE NIGHT
I LOVE IT LOUD
LICK IT UP
HEAVEN’S ON FIRE
FOREVER
UNHOLY
GOD GAVE ROCK ‘N’ ROLL TO YOU
WE ARE ONE
PSYCHO CIRCUS

Um comentário:

The Portal disse...

Deixa eu então fazer um pouco de inveja: eu estive nesse já memorável show (aliás, foi em 1999, não em 1998)! Realmente o Kiss ao vivo é uma experiência única! Sério, quando o famigerado anuncio de "you wanted the best, you got the best" foi feito e em seguida as cortinas explodiram, entrando direto em "Pyscho Circus" eu deixei de ser um indivíduo e me tornei parte da entidade que o público vira! Acho que foi um dos show mais emocionantes da minha vida - e mais tranquilos também em termos de civilidade. Tanto que atrás de nós, estavam o avô e os netos assistindo, todos com os rostos pintados!

Concordo com você que Gene e Paul são a alma da banda, mas fico feliz de poder ter visto a formação original!!

Não sei se vou conseguir ver esse ano (casamentos consomem grana), mesmo com minha noiva morrendo de vontade de vê-los. Mas quem sabe?

De qualquer forma, bom show e aproveite, é uma oportunidade e tanto!!