09/03/2009

.: CINEMA .: Watchmen – O Filme

Nota 1: Este texto contém diversos spoilers. Leia com moderação.
Nota 2: Este texto é grande pacas. Leia com paciência.
Nota 3: Se quiser comentar, seja inteligente. “Se você não gostou, é porque não entendeu” não é considerado um comentário inteligente por aqui.

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Senhoras e senhores, meninos e meninas, Alan Moore estava certo. Sei que talvez os fãzoquinhas fiquem magoados, mas paciência: quando disse que “Watchmen” era uma história em quadrinhos criada especificamente para a linguagem daquele meio e cuja adaptação poderia acabar dando um escorregão feio, o barbudão que é ao mesmo tempo genial, escroto e mal-humorado acertou na mosca. Assim como “V de Vingança”, o filme de Zack Snyder é apenas divertido. Ponto final. Tem lá seus bons momentos mas, no balanço geral, está bem longe de ser histórico, clássico, um marco da indústria cinematográfica. Trata-se, sim, do primeiro blockbuster da era Obama, um arrasa-quarteirão milionário de uma economia marcada pela crise econômica. Mas nada disso tem de fato a ver com cinema. E, dentro da telona, “Watchmen” acaba falhando – e fica muito, mas muito distante das sutilezas da crítica social e política do inesquecível gibi original.

Antes de enumerar os três defeitos básicos da película, é necessário ser justo e destacar também suas qualidades. Os efeitos especiais são de cair o queixo – com destaque para o Dr.Manhattan criado digitalmente, trazendo aquela aura de divindade que todos esperávamos sem precisar forçar muito a barra. A direção de arte, que cria uma espécie de mundo alternativo no qual Richard Nixon foi eleito pela terceira vez consecutiva, é minuciosa em detalhes preciosos, sem esquecer até mesmo das placas e cartazes que só se vê nos cenários de fundo dos quadrinhos. Enquanto está em cena, Jeffrey Dean Morgan domina o filme como o odioso Comediante, retrato maior da decadência ianque. Depois de seu funeral, é a vez de Jackie Earle Haley mostrar a que veio, assumindo com perfeição o papel de Rorschach – e mostrando, pós-“Pecados Íntimos”, ser especialista em personagens problemáticos. Na cadeia, tanto na seqüência do refeitório quanto no embate com o diminuto gângster Figura, ele chega a ser brilhantemente assustador. Patrick Wilson também está ótimo no papel do fracassado e pançudo vigilante Coruja. A trilha sonora foi selecionada a dedo, indo de Bob Dylan a Jimi Hendrix – sem esquecer da utilização genial de “I’m Your Boogie Man” quando o Coruja e o Comediante tentam conter uma manifestação civil na década de 70.

Mas, dos 10 pontos possíveis, “Watchmen” acaba ficando apenas com 5,5 justamente por três “detalhes” altamente problemáticos que chegam a eclipsar boa parte das qualidades citadas acima. O primeiro deles é o que chamo, desde a época d’A ARCA, de “o pecado da ultrafidelidade”. Snyder é um cineasta, um criador original como o próprio Moore. E daí que ele está fazendo uma adaptação? Ele tem absoluto direito de trabalhar para fazer sua própria obra, sem necessitar de uma reverência constante ao original – como foi o caso do sonolento “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, no qual Chris Columbus chega a reprisar as mesmas falas do livro, tornando-se entediante e cansativo. O mesmo acontece com Snyder. A seqüência de abertura, por exemplo, é linda, um primor. Mas só faz sentido para quem leu a HQ de Alan Moore – porque é uma enorme quantidade de informações atiradas ao mesmo tempo na tela e que teriam de ser esmiuçadas para que o espectador comum pudesse compreender a ambientação, o clima de paranóia, a transformação dos vigilantes de ídolos em ameaças – neste sentido, Brad Bird é muito mais inteligente na abertura de “Os Incríveis”. Para ver “Watchmen – O Filme”, eu não precisaria ter de ler “Watchmen – O Gibi”. Não é pré-requisito obrigatório. Mas acaba acontecendo. “Watchmen – O Filme” não tem vida própria sem “Watchmen – O Gibi”.

Snyder é fã declarado de quadrinhos, de Alan Moore, de “Watchmen”. Nas entrevistas, já deixou claro que fez um filme de fã para fã – o que é sempre um sinal de alerta vermelho. A obsessão por recriar detalhe após detalhe a série faz com que ele tenha medo de usar a tesoura e acabe lotando a trama de pontas e mais pontas que não vão se fechar e que poderiam muito bem ser eliminadas para que outros pedaços da história tivessem a oportunidade de ser melhor explorados. Por que mostrar o dono da banca e o nerd leitor do “Contos do Cargueiro Negro” se nada vai ser dito a respeito deles? Por que insistir na cena da conversa entre Dan Dreiberg e Hollis Mason, o Coruja original, se a sua morte foi totalmente apagada mais para frente? E aquela última cena na redação do New Frontiersman, envolvendo o Diário de Rorschach? Seria dispensável, não faz qualquer sentido! E daí que as campanhas virais falavam do jornal? Ele não é sequer mencionado durante todo o filme como uma publicação de direita que Rorschach usava como leitura de cabeceira. A referência à “pilha dos lunáticos” fica perdida, sem nexo algum com a história.

Defeito número 2? Ozymandias. A): Matthew Goode é uma escolha completamente equivocada para o papel. Seria necessário um homem mais velho e com um perfil diferente. Mais carismático, mais envolvente, que ficasse no ponto certo entre o arrogante e o angelical. O olhar blasé de Goode não reflete em nada a inteligência quase soberana de Ozymandias, que fica parecendo apenas um milionário mauricinho e entediado, que quer explodir umas bombas aí só para passar o tempo. E B): Ozymandias aparece muito pouco durante a história para que se tenha uma justificativa plena do final. Sabe-se quase nada de sua trajetória, de suas habilidades atléticas, da afeição do público por um dos poucos heróis que tirou a máscara antes mesmo da Lei Keene. A história vai passando e, em nenhum momento, fica totalmente visível o porquê de Veidt ser considerado o homem mais inteligente do mundo. Foi um erro terem tirado as suas pesquisas genéticas da história (Snyder não soube mesmo onde usar a tesoura) e muito menos a explicação sobre seu hábito de assistir tantos televisores ao mesmo tempo. Sejamos sinceros: a cena na qual ele vai contando sua história para Lee e Iacocca enquanto se dirige ao elevador é curta demais, não ajuda a dar tridimensionalidade ao sujeito e a entender tudo que ele conseguiu absolutamente sozinho em um mundo virado de pernas para o ar.

Ozymandias está diretamente ligado ao defeito de número 3: o final. Sem meias palavras, achei o encerramento da película uma bosta. Assim mesmo, cinco letrinhas sem qualquer educação. Não, não sou um daqueles nerds xiitas que faziam questão da utilização da lula gigante. Antes mesmo de assistir ao filme, achei ótima a saída de Snyder ao trocar o imenso alienígena psíquico por explosões nucleares que colocariam toda a culpa no Dr.Manhattan. Mas é tudo conduzido de maneira apressada, sem ritmo, sem timing. Concordo com o amigo Borbs, do Judão: quando o Coruja e a Espectral libertam Rorschach, o filme se acelera de tal forma que você acaba descobrindo toda a maquinação de Veidt de maneira ligeira e quase superficial. O filme não te dá tempo de juntar as pistas, de saborear a descoberta. A investigação do Coruja e de Rorschach é desleixada e, vejam só, é tudo tão simples, as coisas caem no colo deles. E, como a representação de Veidt não é das melhores, você nem chega a ficar surpreso com a descoberta. No gibi, o personagem é retratado de maneira tão intocável, como uma estátua grega clássica, um patrimônio histórico, que você se recusa a acreditar que, de fato, ele seja o responsável por um plano destes. “Como assim? O cara é praticamente um santo!”, pensei na primeira vez que li a série. Nem precisei do Coruja dizendo que ele era um pacifista vegetariano. Alan Moore já tinha me feito comprar a idéia.

Aí, os heróis seguem para a base de Adrian Veidt na Antártica. Outro erro. Transformar sua colônia idílica de pesquisas para um mundo melhor em um templo gigantesco tentando emular Karnak só ajuda a dar uma imagem errônea sobre Ozymandias – agora, entendido como um megalomaníaco que quer destruir o planeta. Com aquele ar de soberba, Matthew Goode não convence ninguém na hora de explicar seu plano-mestre, suas motivações não estão claras, você jamais compra a idéia de que ele de fato acredita em suas boas intenções, de que ele realmente está convencido de que vai salvar o mundo. E, de novo, Ozymandias fica com os tons cinzentos de um vilão básico de histórias em quadrinhos mequetrefes. Faltou apenas a risada maquiavélica. A frase lendária, “eu fiz isso 35 minutos atrás”, tem seu impacto totalmente esvaziado.

O pior, no entanto, estaria por vir. Com cerca de duas frases, Ozymandias convence a todos, na sala do trono (Afe!), que terão que manter sigilo sobre o plano. Rorschach se recusa e vai embora. É interceptado e morto pelo Dr.Manhattan. Mas, diferente do que acontece no gibi, o Coruja presencia a cena do ex-parceiro sendo desintegrado. E a reação apaixonada que ele deveria ter tido na cena, cortada do roteiro, em que descobre a morte de Hollis Mason no bar, acaba tendo ali. O Coruja volta correndo para o interior da fortaleza e DÁ UMA LIÇÃO DE MORAL no Ozymandias, pegando-o pelo pescoço e enchendo sua cara de bofetadas. Repito: lição de moral. Quando ele e Espectral saem indignados, olhando para trás como se estivessem acima daquele homem completamente louco, fica claro que o final foi transformado em uma bobagem maniqueísta típica do cinemão hollywoodiano. Veidt é o vilão. Temos, portanto, uma divisão clara entre o bem e o mal.

Não, não, não, não. Muito errado.

Adriam Veidt nunca foi um vilão. Nos quadrinhos, até mesmo os leitores acabam sendo convencidos de que seu plano de matar milhões para salvar bilhões, de causar uma tragédia para unir a humanidade, de derramar tanto sangue para enfim alcançar a paz, pode fazer todo o sentido!!!! Pelamordedeus! É por isso que “Watchmen” é tão incrível, intensa, marcou época e dividiu águas na Nona Arte. O grande antagonista da história é um dos homens mais bem-intencionados da trama. É o grande benfeitor, camarada limpo, de bem, loirinho de olhos claros, acima de qualquer suspeita. E o que é mais incrível: ele é tão inteligente e puro, com uma eloqüência imensa, que suas loucas maquinações não nos passam a impressão de loucura, mas sim de paixão, de desejo de mudar o mundo. Veidt é um personagem muito verdadeiro e superior, que fica acima de todos os outros no final, por mais que paire uma nuvenzinha de dúvida sobre sua cabeça. No filme, no entanto, ele é tratado como um verme aproveitador – que vai usar a tragédia para reconstruir a cidade usando suas empresas e encher ainda mais os bolsos de dinheiro, como fica claro logo depois no buraco de Nova York sendo colocado novamente de pé. E...por favor, o que é a insinuação de que o Coruja e a Espectral vão continuar combatendo o crime? Sinal de uma continuação? Putz. Não quero nem pensar nisso agora – mas que Billy Crudup, o Dr.Manhattan, disse ter assinado contrato para três filmes, isso disse.

A minha comparação original continua valendo: “Watchmen – O Gibi” é um arquivo enorme do Photoshop, com centenas de camadas que dão volume e sutileza a cada pedaço da obra. Transformado em filme, “Watchmen” virou um JPEG salvo para a web, com todas as camadas mescladas e as bordas meio borradas. De longe, a imagem pode até ser a mesma. Bonitinha, até. Mas tente mandar imprimir. Seus olhos vão reconhecer imediatamente a diferença.

10 comentários:

Fabio Barreto disse...

Meu queridooooooooo,
Notou que o Snyder nem tentou criar expectativa sobre a morte do Comediante também? Dá tanto na cara que foi o Veidt que fiquei surpreso. Acho que o grande furo do filme foi mesmo nao dar atençao necessaria às subtramas. Concordo contigo sobre o Veidt. O plano final foi tocado com a barriga, sei la. Acho que funcionou para a história no cinema, mas também nao fiquei satisfeito com ele.

Daniel disse...

Concordo plenamente com grande maioria do que você disse.
Realmente o principal problema foi o final empurrado pela barriga (como o barretão disse ai) e sem timing algum (como o borbs disse no judão).
Porém não acho que tenha deixado de ser um bom filme. Cito minha namorada que gostou do filme e entendeu sem ter lido a graphic novel, mas também acho que este seja um caso isolado.
Agora usando a crítica do Borbs, que citava o clímax não muito bem aproveitado:
Pra um filme de 3 horas, o clímax tinha de ser um orgasmo múltiplo de pelo menos 40 minutos. Mas pra quem queria ver esse filme por tanto tempo, foi uma obra prima em relação a adaptação gráfica da coisa.

Silas Chosen disse...

Pra mim o maior problema do filme é o ritmo dele. Depois do primeiro terço do filme, ele fica completamente arrastado e demorado.

Consegue replicar a emoção de momentos fabulosos, não digo "sem o mesmo brilho"mas com um brilho diferente. Ainda assim um brilho. Como a cena da fotografia do Dr. Osterman, ou a viagem ao passado de Rorchach. A cena do estupro, entre outras.

E o final realmente perdeu TUDO o que sempre foi. Lembro que quando eu li os quadrinhos eu me senti incomodado pelo fato de não conseguir dizer o que o Ozymandias era. Porque ele conseguiu fazer algo aterrador, mas heróico. Ele não é um vilão, de maneira alguma. Ele está acima disso. Ele sabe o que é melhor pra humanidade. No filme isso quase não é abordado. Ele fica com aquela cara de homem mau, louco, incompreensível, que conseguiu trazer paz por meios escusos, mas vamos deixar por isso mesmo.

Culpar o Manhattan pelas bombas descaracteriza um pouco o próprio Manhattan, assim como a humanidade toda. Não achei crível. Pra mim, o mundo inteiro cairia matando em cima dos EUA se soubessem que o Manhattan, escudeiro do tio Sam fosse um assassino em massa. Paz uma ova.

Mas nem é uma questão da Lula Vagina. É uma questão de terminar o filme em ambiguidade, que nem os quadrinhos. O final é feliz. Watchmen não tem um final feliz. É um final amargo.

gabriel disse...

Thiago, acho que tem razão quanto a não gostar....mas acho q seu amor visceral pelos quadrinhos tirou de você uma graça estranhamente só propíciada aos leigos em Watchmen.
Eu li os quadrinhos todos, de cabo a rabo, e uma hora e meia depois fui assistir ao filme.
achei fantastico. Porque? porque, se compararmos com o quadrinho, o filme é ridiculo! RIDICULO mesmo. Mas esqueçamos o velho problema de adaptaçao, e vejamos o lado bom da coisa. O nosso amigo Zack Znider Realmente sabe como fazer uma tomada. Uma não, milhares delas.
O final, infelizmente, foi modificado pela industria, mas tente ve-lo como um final alternativo de como poderia ter sido. Poderia ter acabado daquele jeito. Tão mais hollywoodiano, tão mais poético.
Mas, o filme, como leigo que vai ao cinema uma hora depois de ler o quadrinho, é uma representaçao da arte pela arte. Se não existisse dinheiro no mundo, nem produtores que não buscam nenhum requinte cinematográfico no lugar do mesmo, teriamos um filme que agradaria a todos os fãs de wacthmen, o que também era muito importante.

toomuchocoffeeman disse...

até agora a melhor resenha do filme. e não, nem vou ver o filme. eu reli o quadrinho antes da estréia. tá doido.

Sandro disse...

Tudo bem, Thiago?
Não vi o filme mas sempre fico com um pé atrás quando se adapta algo com muitos detalhes que não podem ser deixados de lado sem comprometer o todo.
O Homem Aranha, por exemplo, embora tenha suas características bem definidas e toda uma mitologia (que nem a Marvel respeita), não necessita de uma transposição de uma ou outra história específica para gerar um filme bom, como os 2 primeiros podem provar. Basta preservar a essência do personagem e aproveitar alguns dos vários elementos de sua cronologia.
Com relação a Watchmen não dá; é aquela história, com aquelas características, subtramas e personagens peculiares, não dá pra fugir e fazer algo próprio aproveitando só o esboço.
E fazendo isso cai nessa armadilha que você mencionou: a ultrafidelidade, que nos faz perguntar pra que adaptar afinal já que o original não dá margem pra isso?
Fugindo um pouco: assistiu a Spirit? O que achou? Parece uma bomba.
Valeu!

kaickull disse...

"...ele é tratado como um verme aproveitador – que vai usar a tragédia para reconstruir a cidade usando suas empresas e encher ainda mais os bolsos de dinheiro, como fica claro logo depois no buraco de Nova York sendo colocado novamente de pé..."

Apesar disso acontecer no final da mini, beeeem discretamente - e um andamento até natural dos desenvolvimentos das empresas Veidt - sinto aqui um incomôdo deja vú de algo muito mais recente...

Thiago Leite disse...

É um bom filme, mas...

Concordo quanto aos efeitos especiais, quanto à interpretação... Mas acho que Snyder se saiu bem am alguns aspectos, conseguindo deixar a história cinematográfica. No entanto, isso não acontece durante todo o filme, e algumas vezes ele realmente fica parecendo uma cópia para a qual se usou o material errado.

A linda abertura foi uma solução possível para a complexa e longa história dos super-heróis da primeira geração e a conjuntura social e política da trama. Perde-se muita informação, mas algumas pessoas que nunca leram o gibi conseguiram entender bem o contexto. Porém, acabo concordando em parte com você: o filme tem muito mais graça para quem conhece o gibi.

Concordo também com o fato de que algumas coisas ficam excrescentes devido à preocupação com a fidelidade, e algumas ausências acabam fazendo muita falta. Um exemplo foi citado por você, sobre o New Frontiersman. Ficamos sem entender bem a visão e convicção conservadora de Rorschach (no filme ele parece ser um louco com valores confusos), sua leitura diária do jornal e até se perde uma pista de que ele é aquele ruivo esquisito que frequenta a banca (na HQ, poucos quadrinhos depois de ele ir à banca, Rorschach joga um jornal no colo de Dreiberg). Sem a compreensão de sua posição direitista, não dá para inferir, por exemplo, que o editor do jornal de direita certamente vai publicar o diário se o encontrar na pilha.

Concordo sobre Ozymandias. Não dá para comparar Goode a Alexandre o Grande. A ausência da história dele também deixa vazias suas motivações, e ele realmente fica parecendo um vilão que quer se divertir fazendo o mal. E não há pistas sobre ele ser o autor do desastre, como há no gibi.

Discordo que a explosão tenha substituído bem a lula gigante. Não pelo desastre em si, mas pelo fato de que, no gibi, a ilusão era a de uma ameaça externa ao planeta, o que justifica a solidariedade do resto do mundo para com os EUA e a consequente paz. No filme, a ameaça seria o Dr. Manhattan, a superarma norte-americana, e dificilmente isso levaria à paz, dificilmente os russos acreditariam que os EUA também sofreram o mesmo ataque. Fica parecendo mesmo que o desastre nuclear poderiam ter sido evitado de outra forma que não a solução de Veidt. Mas não se apresenta nenhuma alternativa no filme.

Há uma perda também na falta da última cena de amor de Dreiberg e Jupiter no palácio de Veidt, presenciada por Dr. Manhattan. É a cena que representa a deixa para que ele vá embora do planeta.

Realmente é absurdo pensar que Coruja e Espectral vão continuar combatendo o crime. Se ainda houvesse motivos para existir vigilantes mascarados depois do plano de Veidt, Rorschach não teria morrido. E ele morre (antes mesmo de Dr. Manhattan explodir Walter Kovacs) justamente porque não há mais lugar para ele no mundo que Veidt criou.

Há muitos mais detalhes interessantes para se comentar, e acho que vou escrever um post sobre isso.

A propósito, gostei do seu blog.

Roberto disse...

Boua, El Cid! Simplesmente traduziu tudo que eu queria dizer depois que assisti o filme, mas não sabia como!
Abraços!
Ói eu de volta! =D

Birimbeto

namekuseijin disse...

Excelentes colocações. Odiei Ozymandias do filme, mesmo com o pouco que esse personagem tão central mereceu de tempo na tela.

Outras chateações: típico visual de super-herói hollywoodiano com uniforme de borracha cheio de musculatura fake; também não entendi a necessidade de Dr. Manhattan ter um membro do tamanho de um de ator pornô; e aquelas lutas completas com golpes dignos de Superman dadas por meros mortais... patético.