27/04/2009

.: CINEMA .: Justiceiro: Zona de Guerra

Terceira encarnação diferente de Frank Castle, o homicida vigilante dos quadrinhos da Marvel Comics, este “Justiceiro: Zona de Guerra” merecia um destino melhor do que ter sido lançado diretamente em DVD – por mais que os resultados de bilheteria nos EUA não tenham sido satisfatórios. Mas já que foi assim que aconteceu, que pelo menos os fãs de HQs dêem uma chance ao filme. Vamos esquecer, por um minuto (talvez até para sempre, se possível), aquela primeira tentativa com o Dolph Lundgren no papel principal, de 1989. E vamos direto para 2004, quando Thomas Jane assumiu o manto da caveira branca e teve como vilão um inacreditável John Travolta, mais canastrão do que nunca. O filme não é ruim – muito pelo contrário, tem uma enorme dose do humor negro da fase Garth Ennis, nítida inspiração principal da película. O único erro gritante? Ter ligado diretamente a morte da família de Castle a um único mafioso (por sinal, em busca de sua própria vingança), e não a criminosos sem rosto que o forçariam a continuar uma matança sem fim. Dá até para tentar (!) engolir que a história se passe na ensolarada Miami e não na sombria Nova York.

Este segundo recomeço, promovido pela diretora Lexi Alexander, coloca Ray Stevenson, um dos astros da série “Roma”, no papel do anti-herói. E o primeiro acerto reside bem aí – porque o sujeito tem a cara de malvado e uma expressão de frieza pétrea que lembram imediatamente as capas de Tim Bradstreet (por sinal, homenageado com o nome do hotel que sedia a batalha final da trama). Com Stevenson, temos até então o melhor intérprete cinematográfico de Castle. Na história, Alexander acrescenta ainda mais violência, espalhando sangue por todos os lados da tela, e ainda mantém boa parte do humor negro da era Ennis, corrige a origem do personagem e dá mais corpo a um interessante conjunto de coadjuvantes – porque, combinemos, o retrato de Joan, Dave e Bumbo na película anterior é risível. Estão aqui Martin Soap, o policial fracassado encarregado de segurar a bomba que é cuidar da Força-Tarefa Justiceiro, e até o Microchip, parceiro nerd responsável pelas inovações tecnológicas e pelo arsenal do combatente do crime (E quem mais poderia interpretá-lo senão Wayne Knight????).

E, ao invés do Russo, que rendeu apenas uma divertida seqüência de luta no outro filme, Alexander acaba recorrendo aos quadrinhos para trazer o grande arquiinimigo do Justiceiro – tudo bem, sabemos que ia ser complicado colocar o Rei do Crime na jogada (ele já apareceu no filme do Demolidor, existe um elemento complicador que são os direitos autorais e o tempo que se tem que esperar para renegociar estas coisas), então ela pegou o Retalho e fez um grande trabalho, sem precisar criar um mafioso italiano para acomodar um grande astro hollywoodiano. “Justiceiro: Zona de Guerra” funciona bem, por sinal, por não precisar de rostos assim tão conhecidos. E também porque a diretora estudou não só os recentes trabalhos de Garth Ennis, mas buscou ainda elementos das décadas de 80/90, da minissérie de Mike Zeck e Steven Grant e também do trabalho recorrente de Mike Baron e Klaus Janson. O resultado é muito interessante, divertido e, por que não dizer, bastante fiel às décadas de mortes promovidas nos gibis. Experimente. De preferência, num volume bem alto.

Um comentário:

Ednilson disse...

O mais lamentável e comparar esse filme com o sucesso imerecido de X-Men Origens: Wolverine. Trabalhos sérios nunca são reconhecidos pela mídia e pelo público.