13/04/2009

.: CINEMA .: Monstros vs. Alienígenas

Parece que ficamos todos muito mal-acostumados com animações como "Wall-E" e "Happy Feet" - que, apesar do poderio cômico para o público infantil, foram trabalhadas com delicadeza tamanha que acabaram atingindo em cheio o público adulto, inclusive os cinéfilos mais exigentes. Não espere tamanho grau de sofisticação de "Monstros vs. Alienígenas", a mais nova animação da Dreamworks. Até porque, se você for ao cinema sem tantas expectativas, com certeza vai se divertir muito mais. Foi o que aconteceu comigo. Por vezes, colocar as expectativas lá, mas bem lá no alto mesmo, pode ser fatal para uma experiência cujo único objetivo, claro e nítido, é aquele entretenimento ligeiro, bem pizza com Guaraná mesmo.


Homenagem descarada às matinês de filmes de terror e ficção científica das décadas de 50/60, "Monstros vs. Alienígenas" é puro cinema pipoca, com personagens suficientemente carismáticos para entreter a molecadinha, enquanto as sacadinhas e referências que se lêem no subtexto, no plano de fundo, ficam a cargo de pais nerds como eu. Sou obrigado a dizer, inclusive, que fui a única pessoa no cinema lotado a rir quando os analistas do governo dizem que aquele é um "código Nimoy". Pra mim, a projeção teve um baita gosto de infância/adolescência, me remetendo diretamente às sessões gratuitas no Senac de Santos, com a exibição de clássicos trash como "Plan 9 From Outer Space", "O Ataque dos Tomates Assassinos" e "O Monstro do Armário", tudo com direito à pipoca e refrigerante de graça e muitas risadas numa fileira repleta de amigos.

Enquanto minha filhota vidrou no Dr.Barata (ou, para os mais atentos, "A Mosca") e no Insetossauro (alguém aí lembra da Mothra, que chegou a lutar com o Godzilla e destruir Tóquio uma centena de vezes?), eu adorei o megalomaníaco vilão alienígena Gallaxhar e, é claro, o desvairado Presidente dos EUA - dublado, com a competência costumeira, pelo sempre divertido Guilherme Briggs. Vê-lo tocando a música-tema de "Um Tira da Pesada" no teclado para tentar se comunicar com o enorme robô do espaço quase me fez cair da cadeira de tanto rir! :-)

No fim das contas, um filme como "Monstros vs. Alienígenas" nos ensina uma boa lição: se temos de parar de nos levar tão a sério, por que razão temos que levar este tipo de cinema tão a ferro e fogo também? Vá lá, curta, saia para encontrar os amigos e tudo bem. Valeu o seu ingresso.

Se eu posso apontar um defeito? Claro. A utilização ainda preguiçosa dos recursos 3D. Estávamos todos de óculos, nitidamente em uma sala 3D. Mas foram raríssimas as ocasiões em que o filme soube se aproveitar desta tecnologia - assim como em "Os Mosconautas no Mundo da Lua", o máximo que aconteciam eram alguns detalhes levados para o primeiro plano. Se fosse o caso, daria muito bem para ver o filme em 2D. Mais ousadia, meus caros executivos de Hollywood, para deixar seu público de olhos vidrados e voltar a encher as salas de cinema.

Um comentário:

Anônimo disse...

gostei do site!