04/05/2009

.: CINEMA .: X-Men Origens: Wolverine

Uma coisa não se pode dizer sobre “X-Men Origens: Wolverine”: que seu trailer vende algo que o filme não é. Pelo contrário: nos trailers, se vê uma mistureba que não tem fim de personagens e uma boa porção de lutas barulhentas que parecem acontecer sem muito sentido. Resumindo, o filme é bem isso. Como naqueles crossovers ruins que aconteciam nos gibis de super-heróis Marvel/DC na nada saudosa década de 90, o mutante raivoso encontra novos personagens pelo caminho e, antes de conversar, parte para a porrada. Passada a fase do quebra-pau, eles trocam uma idéia e resolvem se ajudar. E a história segue assim por boa parte da película. Sei bem que o diretor creditado é o Gavin Hood – mas parece que os produtores botaram tanto a mão no negócio para poder integrar o filme à franquia cinematográfica “X-Men” e, ao mesmo tempo, para atrair a atenção da molecada que, por um momento, achei que o diretor era o Michael Bay, dada a enorme quantidade de explosões e sonoplastias ensurdecedoras. No acender das luzes, salva-se apenas um 1/3 do filme, possivelmente a meia-hora inicial, descontada a inclusão desnecessária de um casal de Martha e Jonathan Kent que teria dado a jaqueta e a motocicleta para o herói. Virge.

Pois bem, este foi o parágrafo sem spoilers, curto e direto, escrito na medida para quem não aprecia digressões quase xiitas sobre problemas de cronologia e afins. Agora, por favor, vou fazer jus ao “nerd” que carrego no nome deste blog, levantando alguns tópicos para discussão. Pensemos sobre eles, como eu e o amigo Rapha tanto discutimos ao final da sessão:

1) Hugh Jackman: Nunca fui fã do Wolverine nos gibis. Isso é fato, quem me conhece sempre soube disso. A postura de bad boy vazia, com os dentes trincados e veias saltando que pudemos ler quando a Marvel fez sua resposta direta à ascensão da Image Comics não ajudou em nada no meu juízo sobre o personagem. Mas sabe que, no cinema, foi justamente a interpretação do Hugh Jackman que me fez mudar de idéia, acrescentando uma bem-vinda dose de humor ao conjunto, transformando Logan em um sex symbol meio azarado, teimoso, cabeça-dura? Deu certo.

Em “X-Men 3”, filme que acho divertido mas do qual diversos fãs não gostam, ele chega ao auge de sua performance como o canadense, ficando raivoso como se queria vê-lo desde o começo, arrancando sangue com suas garras e tudo mais. Agora, justamente em seu filme solo, as coisas ficam mais leves? Por que diabos não arriscar e mostrar um pouco mais de violência e sangue, um pouco mais do aspecto brutal do sujeito antes de sua entrada na equipe de Charles Xavier, justamente o homem que o ajudou a controlar sua faceta animalesca? Apenas para garantir uma censura mais baixa? Faça-me o favor! Como esconder o fato de que Wolvie é um dos maiores matadores do Universo Marvel? Pois é, um assassino com uma sede de sangue que por pouco não se compara à de Frank Castle!

2) Dentes de Sabre: Excelente escolha a de Liev Schreiber para o papel. Ele soube transportar com perfeição o lado malicioso, escroto e manipulador de Victor Creed para as telas, indo além do aspecto físico. Só não concordo com a decisão de, no começo do filme, quando se mostra uma adaptação da minissérie “Origens”, deixar 100% claro que o garoto Victor é mesmo o Dentes de Sabre. Fica por demais explícito, justamente para uni-los como irmãos nas décadas seguintes. Nos quadrinhos, por mais óbvio que possa parecer, isso sempre foi dúbio, e o bacana é não se saber nunca ao certo qual é a relação entre ele e Logan – houve uma época até que se pensou em uma relação de pai e filho. Ah, sim, é claro: como diabos vai ser explicada a transformação de Creed entre o final deste filme e a sua aparição como o animal babão e gigantesco do primeiro “X-Men”? Deve ter acontecido alguma coisa realmente muito traumática na vida do camarada, hein? ;-)

3) Deadpool: No começo do filme, a glória – finalmente deram um papel decente em uma produção de quadrinhos ao Ryan Reynolds. E ele prova ser a escolha certa, falando o tempo todo de maneira irritante e ao mesmo tempo divertida. Tá certo que, espadas em punho, seu Wade ainda lembra um pouco o Hannibal King que o próprio Reynolds viveu em “Blade 3”. Mas ali está a prova de que Deadpool merece seu filme próprio, por mais que seja uma produção de baixo orçamento. Mas então...vem o final. E Stryker chama a tal Arma XI de “Deadpool”. E Wolverine percebe que aquele é o mesmo Wade Wilson que ele conheceu. E literalmente, caga-se tudo. Não havia qualquer necessidade de estabelecer relação entre Wade e/ou Deadpool com aquele clone malfeito do Kratos, do jogo “God of War”. Era só chamá-lo apenas de “Arma XI” e acabou. Fim de história. Ia ser um vilão estúpido, com espadas de adamantium que não lhe permitiriam dobrar o braço, sem qualquer sentido a não ser o de causar uma espécie de redenção final entre Logan e Creed? Ia. Mas pelo menos, não ia manchar o bom nome do Deadpool.

4) Gambit: Como, por algum motivo, o Josh Holloway (vulgo Sawyer de “Lost”) não aceitou o papel do mutante cajun, resolveram chamar o modelete Taylor Kitsch, de “Friday Night Lights”, para o papel. Mas, na possível tentativa de cativar o público feminino, a interpretação do ator para Remy LeBeau fica mais parecida com Sawyer do que com o próprio Gambit! Tá bom, não chega a comprometer, ok. Mas onde estava o sotaque francês? Por que a escolha por uma postura de ianque interiorano? E outra: muito legal ver o Gambit jogando suas cartas no Wolverine, coisa e tal. Mas que ali poderia ter sido inserido qualquer personagem, apenas com a função de levar o personagem principal de avião ao centro de pesquisas de Stryker, isso poderia.

5) Cronologia: Por mais que eu goste de “X-Men 3”, sou obrigado a admitir que o filme tem um excesso de personagens por metro quadrado, aparecendo na tela apenas para bater cartão, muitas vezes sem nenhuma profundidade, o que talvez permitisse maior identificação com o público – ao invés apenas de ter meia-dúzia de fãs apontando e dizendo “olha, que legal, aquele é o fulano da edição 465!”. Enfim. “Wolverine” sofre do mesmo problema. E com um detalhe: alguém me explica por que colocaram o Ciclope na jogada? Nem estou falando da cronologia dos gibis, estou questionando um enorme furo na cronologia dos cinemas mesmo! Muito bacana a aparição especial do Professor Xavier no fim, viva, sensacional. Mas não precisava colocar o Scott Summers no meio do bolo. Como explicar que ele não conheça o Wolverine, o Dentes de Sabre e/ou o General Stryker nos filmes que vieram cronologicamente depois? Estar com os olhos vendados é uma solução picareta demais, vamos combinar, aqui, só entre nós. E isso porque nem falei da sugestão de que Emma Frost seria irmã da Silver Fox. O nome nem foi citado, mas nem precisou. E olha que eu sou o maior defensor das mudanças quando se adapta uma obra das HQs para as telonas. Bom senso, minha gente, bom senso.

6) Amnésia: Isso foi de matar. Ao invés de perder a memória no momento em que o adamantium foi implantado em seus ossos, Wolverine teve sua memória apagada depois de salvar um grupo de jovens mutantes das mãos de Stryker. E tudo como parte do plano final do grande vilão: tiros com balas de adamantium. Tá de sacanagem, não é? Vai querer me fazer engolir que o Wolverine tem dois buracos no crânio – porque, pensem bem, o adamantium não se regenera como se regenera o corpo do camarada? E dois balaços no meio da testa seria o cálculo ideal para apagar toda a memória de Logan, sem sequer pensar que seu cérebro poderia ter se regenerado sem qualquer tipo de dano, como se espera do fator de cura tão poderoso do herói? Mas que soluçãozinha furreca essa.

Saldo final? “X-Men Origens: Wolverine” é um filme que simplesmente não precisava ter sido feito, porque não muda em absolutamente nada e tampouco acrescenta à percepção que fãs de quadrinhos e/ou apenas fãs de cinema tinham da franquia cinematográfica dos mutantes. Sei que a Columbia fez um ótimo trabalho com o Homem-Aranha, e respeito muito isso. Mas me vejo obrigado a concordar com o amigo Fábio Barreto: depois de “Homem de Ferro” e “O Incrível Hulk”, talvez fosse melhor deixar todos os filmes de personagens da Marvel nas mãos da própria Marvel. O controle de qualidade da editora jamais deixaria certas bobagens passarem em branco.

PS: Caríssimos nerds inveterados, não se esqueçam – tem cena depois dos créditos. Fiquem até o final. É coisa curtinha. Mas tem.

4 comentários:

Valéria Masson disse...

Ai meu Deus! Depois de ler isso, não sei se eu quero ir assitir...Acho que eu vou, mas depois volto aqui pra dizer se eu concordo com você ou não, ok?
Bjos

Silas Chosen disse...

Eu quero ver até Dragonball, sabendo o que vou encontrar. Quero ver é se as explosões e os efeitinhos conseguem impressionar meus amigos ou se alguma hora eles vão sacar que não tem muito fundamento por trás do CGI

Raphael Godzilla disse...

Pois é...
O que falar?...
Bom, o cara na equipe que chama Bradley é um personagem idiota que chama Bolt e depois de virar aprendiz do Maverick passa a usar a alcunha dele...
Mas que monte de estrume...
Valeu pela citação senhor ElCid.
Abs.

wagner nascimento disse...

O filme desulpe a palavra é um lixo só.