26/06/2009

.: MÚSICA .: Um adeus ao rei do pop

Longe de mim querer ser advogado de defesa de Michael Jackson, o lendário músico que morreu nesta quinta-feira, dia 25, aos 50 anos. É óbvio que o sujeito tinha uma vida pessoal conturbada e problemática, às voltas com acusações de pedofilia e gastando a maior parte de sua fortuna em processos que o colocavam nas manchetes das principais publicações sensacionalistas do planeta. E também sofria de um sério problema de auto-imagem, que o levou a todas as transformações físicas responsáveis por torná-lo irreconhecível. Mas nada disso poderia - ou pelo menos, deveria - eclipsar seu talento e sua inegável importância para o cenário musical. O título de "Rei do Pop" não era mero marketing. Era mais do que merecido.


No universo da música pop, Michael Jackson foi tão importante e revolucionário quanto Elvis Presley e os Beatles. E se vai deixando uma marca muitíssimo presente e visível, influenciando artistas como Justin Timberlake (assumidamente seu seguidor fiel), Beyoncé Knowles, Black Eyed Peas e incontáveis outros atuais líderes das paradas de sucesso. Por sinal, Michael Jackson fez mais do que mudar a música negra norte-americana. Ele virou toda a música pop mundial de pernas para o ar. Estabeleceu um novo padrão de qualidade, fazendo com que todos os outros artistas de sua época, independentemente do gênero musical, tivessem que correr atrás para adequar-se aos novos tempos. "Thriller", que até hoje permanece imbatível como disco mais vendido da história, era pop dançante de altíssimo nível. Mas também era rock, era blues, era soul. Tinha até a guitarra de Eddie Van Halen. Era uma enorme mistureba sonora que funcionava como uma engrenagem perfeita, que cativava, que emplacava um hit atrás do outro como se fosse a coisa mais natural do mundo.

O astro também foi responsável por um novo jeito de dançar, único e inconfundível, sempre imitado e reverenciado. Michael cunhou o moonwalkin', uma das mais marcantes imagens do nosso imaginário pop. Quem, em sã consciência, nunca tentou dar aqueles passinhos escorregando para trás? Ele também esteve por trás de uma nova forma de se enxergar os videoclipes como plataformas de lançamento para os singles nas rádios e para os discos nas lojas. Foi Michael Jackson quem fez dos clipes verdadeiras superproduções de orçamento milionário, com histórias próprias, alçando a MTV a um outro nível. A televisão se rendeu a esta nova linguagem, que foi imediatamente adotada por rappers, roqueiros e divas.

Repito: não sou defensor do que, porventura, Jackson tenha feito de errado em sua vida pessoal. Mas, sinceramente, pouco me importa a sexualidade de Michael Jackson. O que me interessa, de fato, é a sua música. E eu achava mesmo, de coração, que a turnê de Londres anunciada para o próximo mês faria mais do que tirá-lo do ostracismo. Ajudaria a recuperá-lo, a deixar os problemas de lado por um momento e focá-lo exclusivamente na música, ela e tão somente ela. Quem sabe até pudesse servir de incentivo para um novo disco de inéditas, mais do que aguardado por seus fãs. Infelizmente, tudo isso vai ficar no campo das especulações e das incertezas. Certeza mesmo, de fato, é que o cara era rei. E reis nunca perdem a sua majestade. O rei está morto. Longa vida ao rei.

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