09/06/2009

.: TELEVISÃO .: A quinta temporada de Lost

Enfim, acabei de assistir à quinta temporada de Lost, incluindo o seu apoteótico último episódio. E o que posso dizer, caro colega? Goste você ou não dos rumos que a história está seguindo, o fato é que produtores e roteiristas da série se especializaram em deixar os olhos do mundo vidrados. Até quem já não tem mais paciência para esta trupe perdida numa ilha no meio do nada com coisa nenhuma continua assistindo porque, diabos, a curiosidade para saber como tudo termina é muito maior. Espectadores de todo o planeta querem saber se todas as pontas soltas serão amarradas em algum momento. Enquanto revela alguns poucos segredos, a equipe de Damon Lindelof e Carlton Cuse despeja um outro tanto deles (Mais tripulantes? De outro avião? Vindos de não sei onde?), dando um nó na cabeça de quem está do outro lado da telinha e suscitando todos os tipos de teorias malucas. Há quem diga, por exemplo, que John Locke é, na verdade, o deus nórdico da trapaça Loki. Não vou arriscar nada tão ousado. Pelo menos por enquanto.


Gosto bastante da levada "ficção científica" que o programa tomou nesta temporada, com toda esta coisa de viagem no tempo. Mas não condeno quem defende teses como esta do Loki - porque também foi fortemente incorporado um elemento místico na coisa toda, com templos, curas milagrosas, gigantescas estátuas de deuses egípcios e, é claro, o tal do Jacob. Tomara que os homens do roteiro saibam bem para onde estão indo, porque esta é uma rota muito perigosa de se seguir e que pode facilmente resvalar para o piegas, para as saídas fáceis e frustrantes.

Sobre os personagens, destaque para a dualidade crescente de Jack e Locke, que consistentemente seguem caminhos opostos mas utilizando métodos similares (e até a Kate começou a perceber que o bom doutor não anda batendo muito bem). Também vale menção a nova abordagem proposta para Sawyer, que se sentiu em casa dentro da Iniciativa Dharma da década de 70, finalmente encontrando seu lugar no mundo. E, claro, para aquele que, nas duas últimas temporadas, transformou-se lentamente no meu favorito: Benjamin Linus. Sei que é fácil que eu tenha predileção pelos vilões, mas o fato é que este sujeito é uma das representações mais tridimensionais e profundas da série. É um ser humano na essência, com todas as dúvidas, mesquinharias, manipulações emocionais e escrotidões típicas. O cara é, em suma, o antagonista ideal. Pode parecer bizarro, mas me pego torcendo por ele em algumas ocasiões. Por mim, ele tinha mais é que chutar o traseiro do Charles Widmore.

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