11/08/2009

.: CINEMA .: A morte do filósofo da puberdade

Juro que não consigo lembrar onde foi que li a descrição do diretor e roteirista John Hughes como sendo "o filósofo da puberdade". Mas sei que sempre fez todo o sentido para mim. Na última quinta-feira, dia 6 de agosto, quando Hughes morreu aos 59 anos de um infarto durante as férias, Kevin Smith disse em seu twitter oficial: "Hughes foi o homem que melhor retratou os geeks no cinema". E isso vindo justamente do ídolo contemporâneo dos nerds, responsável por pérolas como "Barrados no Shopping", faz ainda mais sentido para mim.


Hughes andava meio afastado do cinema, trabalhando muito mais como roteirista do que efetivamente dirigindo - o que é uma pena. Tá certo, ele escrevia os filmes da série "Esquecendo de Mim" (com Macaulay Culkin) e "Betthoven" (com aquele adorável cachorro são bernardo). Mas sua cinebiografia vai muito além disso. Hughes fez a adolescência de qualquer sujeito de 30 e poucos anos, como este que vos escreve, muito mais divertida. Porque ele soube retratar, em meio aos excessos da década de 80, os adolescentes de maneira inteligente, sutil e delicada, sem nunca perder o humor ou soar piegas.

Para muitos, seu filme mais marcante é Curtindo a Vida Adoidado. De fato, Ferris Bueller (Matthew Broderick) é um personagem pra lá de carismático - e aquela cena da multidão cantando "Twist and Shout" é inesquecível. Mas o grande acerto de Hughes, na minha opinião, ainda é o seu segundo filme, O Clube dos Cinco (The Breakfast Club/1985). Misturando humor e drama na medida certa, ele desconstrói cinco estereótipos típicos da adolescência, que a gente vê não só nas escolas estadunidenses, mas por aqui também: o nerd, o bad boy, o esportista, a princesinha e a esquisitona. Toda escola tem um deles. E aqui, eles são retratados como tendo mais em comum do que se imagina. Destaque para a química assombrosa entre o valentão Judd Nelson e o diretor da escola, Richard Vernon.

Uma pena que ele não tenha tido mais tempo para continuar mostrando seu trabalho, que ainda contava com filmes do tipo Mulher Nota 1000 - entendeu o que Kevin Smith estava querendo dizer? - e o doce Gatinhas e Gatões. Numa Hollywood que agora entende os adolescentes como sendo um bando de imbecis fazendo piadas sobre peitos, bundas, peidos e arrotos, que acha que os jovens são uma versão de Ashton Kutcher e Sean William Scott em "Cara, Cadê o Meu Carro?", Hughes vai deixar MUITAS saudades.

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