07/10/2009

.: CINEMA .: Filmes de vampiros que a geração "Crepúsculo" precisa ver...

Na TV, o sucesso "True Blood" e a recente estreia de "The Vampire Diaries". No cinema, a estrondosa repercussão da franquia "Crepúsculo", que saiu dos livros e agora já chega ao segundo filme, "Lua Nova". Definitivamente, os dentuços voltaram a entrar na moda para uma nova geração de fãs. Não duvido que esta molecada que ficou apaixonada pelos sugadores de sangue comece logo, logo a jogar RPG, fazendo todo o escritório da White Wolf soltar fogos de comemoração. Só vai dar Toreador, para entendimento dos iniciados.


Mas, por mais que eu compreenda que o que move os seguidores de "Crepúsculo" é muito mais a história de amor entre os personagens criados por Stephenie Meyer do que o fato de vampiros estarem ou não na jogada, acho que se faz necessária aqui uma correção. Não se enganem, nobres teenagers: o estereótipo do vampiro vai muito, mas muito além daquele triângulo amoroso adocicado. Já que estamos falando em cinema, acho que não custa dar algumas dicas de filmes clássicos estrelados por seres vampirescos e que mostram diferentes retratos dos monstrengos. Alguns sombrios e depressivos, outros máquinas de matar sem alma, outros divididos entre a imortalidade e a herança humana. Crave suas presas aqui, por favor:

NOSFERATU (1922)
Absolutamente obrigatório, uma lição de terror. O filme é preto e branco e ainda por cima mudo, o que pode torná-lo meio difícil para alguns - mas basta ver o olhar por vezes amargurado e por vezes selvagem do ator alemão Max Schreck para entender a verdadeira definição de monstro. E nem me venha com esta desculpa esfarrapada de que "não gosto de filme de arte". Cinema bom é cinema bom. E ponto.

DRÁCULA (1931)
Uma das pioneiras adaptações cinematográficas da obra de Bram Stoker - apesar de ser de fato inspirada na peça de teatro de Hamilton Deane, mas isso não vem ao caso. No papel principal, o fantástico ator da Broadway, Bela Lugosi. Sua interpretação é exagerada, isso é visível. Mas foi este homem de capa e jeitão sinistro que criou boa parte dos clichês e trejeitos vampíricos que até hoje permeiam boa parte da interpretação deste gênero na cultura pop.

DRÁCULA (1958)
Muito antes de Saruman e Conde Dooku, o eterno vilão Christopher Lee assumiu o papel nas lendárias produções de horror da Hammer. O seu príncipe das trevas é bem menos caricatural e mais visceral do que aquele vivido por Lugosi, mas igualmente imperdível. Ele tem pouquíssimas falas durante a história, trabalhando as expressões faciais e corporais de maneira surpreendente. Merece.

A DANÇA DOS VAMPIROS (1967)
Tá bom, o filme do Polanski - sim, o mesmo Polanski atualmente nos noticiários, correndo o risco de ser preso - é uma comédia. Mas está indicado aqui justamente por brincar e virar do avesso, com bastante inteligência e elegância, os clichês de dezenas de outras películas de horror lançadas nas décadas anteriores. Doses e mais doses de humor negro e a presença da bela Sharon Tate, esposa de Polanski que seria assassinada anos depois pelos lacaios da seita de Charles Manson.

FOME DE VIVER (1983)
David Bowie está no filme, mas o camaleão britânico está longe de ser o principal destaque por aqui. A faminta e degenerada Miriam, interpretada por Catherine Deneuve e sua beleza nórdica e quase gélida, é uma caçadora voraz que envolve Susan Sarandon de maneira sensual e provocante. E sem apelar para o vulgar em nenhum momento. Destaque para a música "Bela Lugosi is Dead", do Bauhaus. Nota: o livro, como era de esperar, é ainda melhor. Se tiver a chance, leia-o de cabo a rabo.

A HORA DO ESPANTO (1985)
Sucesso dos anos 80, fez a minha adolescência com seu humor macabro. Imagine um moleque, fissurado por filmes de terror, colocando na cabeça que seus novos vizinhos são vampiros. E como se não bastasse, ele ainda conta com a ajuda de um antigo astro de fitas do gênero. Pois é. Definitivamente, é tão divertido quanto a sinopse deixa transparecer.

OS GAROTOS PERDIDOS (1987)
Eu diria que este é o "Clube dos Cinco" dos filmes de terror - dada a sua importância em termos de linguagem para um novo tipo de jovem. A tribo de ameaçadores vampiros de óculos escuros e jaquetas de couro, liderada por Kiefer "Jack Bauer" Sutherland, tornou-se referência no retrato destes sanguessugas urbanos, agora distantes do tipão Bela Lugosi de ser, muito mais LA do que Transilvânia.

INOCENTE MORDIDA (1992)
Com direção de John Landis, de "Um Lobisomem Americano em Londres", esta é a história de uma vampira cujas vítimas são apenas criminosos. Mas, quando ela acaba deixando acidentalmente vivo um chefão da máfia, que agora pode produzir seu próprio exército de vampiros, a situação fica preta. Um pouco de terror, um pouco de comédia e muito sangue espalhado pela tela.

DRÁCULA DE BRAM STOKER (1992)
Um filme dirigido por Francis Ford Coppola e com Gary Oldman no papel do líder romeno Vlad Tepes que, ao perder seu grande amor, renega a fé em Deus e amaldiçoa a si mesmo com a praga do vampirismo. Acho que eu não preciso dizer mais nada, mas vou dizer mesmo assim: assista o quanto antes. Oldman entrega uma interpretação totalmente desvinculada de Lee e Lugosi, com uma intensidade arrepiante.

ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994)
Que os puristas digam o que quiserem. Que Tom Cruise faz uma versão afetada demais de Lestat, que Brad Pitt não consegue transmitir a emoção necessária em seu Louis. Pura chateação. Ambos estão muito bem...embora a ainda pequenina Kirsten Dunst roube a cena como a maléfica e faminta garotinha Claudia. Por sinal, se você tem assim tanta paciência para os livros da Sra.Meyer, faça o favor de procurar todas as obras vampíricas de Anne Rice nas livrarias. De preferência, agora mesmo.

UM DRINK NO INFERNO (1996)
Em tese, este nem parece um filme de vampiros. Afinal, quando George Clooney e Quentin Tarantino entram em ação como os criminosos irmãos Gecko e fazem refém a família de Juliette Lewis, parece que estamos vendo um certo tipo de filme. Mas quando eles buscam abrigo em um bar suspeito depois da fronteira do México, vem a surpresa: a rebolativa Salma Hayek e seu grupo de amiguinhos famintos. E eis que surge um sangrento e segundo filme. Yeah.

VAMPIROS DE JOHN CARPENTER (1998)
Está aqui um filme do qual aprendi a gostar com o tempo, ainda que com uma série de ressalvas. James Woods vive um vingativo caçador de vampiros que precisa impedir que um grupo de dentuços coloque as garras em um artefato ancestral. Tem lá seus defeitos, incluindo o principal vilão, totalmente inexpressivo. Mas o final é surpreendente, admito, e vale a pena.

A SOMBRA DO VAMPIRO (2000)
Sabe o "Nosferatu", primeiro filme desta lista? Então. Agora imagine que Max Schreck, o ator principal, fosse um vampiro de verdade - com quem o diretor F.W.Murnau teria um trato de cavalheiros. Coloque John Malkovich e Willem Dafoe frente à frente num duelo de titãs e você vai entender (ou pelo menos deveria) o quão legal é a trama.

30 DIAS DE NOITE (2007)
Baseado na HQ escrita por Steve Niles, vale especialmente pela performance de Danny Huston como o líder dos vampiros que invadem um vilarejo no Alasca no qual é sempre noite durante um mês do mais rigoroso inverno. Aqui, os vampiros não são criaturas sedutoras e provocantes, mas seres selvagens, famintos e violentos, que despedaçam sem pudor qualquer um que se coloque em seu caminho. Verdadeiros animais.

Evite a qualquer custo: qualquer filme da série ANJOS DA NOITE
Hum. Pensando bem, acho que quem gostou de "Crepúsculo" até que vai curtir o enrosco amoroso e quase emo entre Kate Beckinsale e seu lobisomem híbrido amado e querido. Eu passo longe. Beeeeeeeeem longe.

Futura estreia que merece ser conferida - Parte 1: DEIXE ELA ENTRAR
Está chegando ao Brasil, depois de um bom atraso, este terror sueco sobre uma vampira que se torna amiga de um garotinho deslocado e tratado como lixo pelos colegas de escola. O título diz respeito à tradição clássica de que um vampiro só pode adentrar os domínios de alguém se for convidado. Tudo que vi até então é fantástico.

Futura estreia que merece ser conferida - Parte 2: MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS
Só o título desta atração do Festival do Rio já é motivo o bastante. Mas estamos falando de um filme honesto, com grande potencial para se tornar cult, que não tem qualquer pretensão de levar-se a sério e que retoma a tradição do humor leve e inteligente dos bons filmes dos anos 80. E eu já mencionei que o filme se chama "Matadores de Vampiras Lésbicas"? Então.

10 comentários:

xDanix disse...

Deixa ela entrar - um dos melhores filmes que vi neste ano. Uma obra-prima que deveria estar em qualquer lista de filmes de vampiro obrigatórios. O filme é ambientado em uma cidade melancólica, que combina muito bem com a vida do garoto. Aliás, a dupla atua perfeitamente. Ah, e o final é daqueles de vc gritar "Yeah, motherfuckers!"
Vá assistir, rápido.

Nilton Ferreira disse...

Muito bom esse pôster, essa geração que não viu filmes de vampiro e nem sabe o que eles significam amam esse que para mim é a pior filme e livro sobre os vampiros "Crepúsculo"

Deixe ela entra é também para mim um dos melhores filmes que eu vi esse ano.

Lucas disse...

Realmente são os classicos!!!
Me desculpa quem gosta mais esse tal de Crepusculo é uma especie de RBD ou High School de vampiros,
Más Cada um com seu cinema neh
Só acho que falar de amor é clichê colocar isso emum filme de vampiro
é d+ ....

team taylor disse...

twilight rox! u sux!

Morph disse...

Qual sua opinião de especialista sobre True Blood, caro El Cid?

Guilherme | TW disse...

Deixe ela entrar é um filmaço, ele não foca no terro como foi citado, mas sim no drama.

O matadores de vampiras lésbicas eu pretendo assistir esperando conteúdo de humor, está todo mundo classificando ele como futuro cult, mas eu não sei não. Pra mim será só mais um filme meio besteirol.

upsidedownwalker disse...

ae cara, esquece a juventude de hj, nego quer ver bunda e peito e somente isso, não importa se eh vampiro ou lobisomen, essa filosofia de levar as coisas a serio infelizmente acabou.
Eu tiro meu comentario sobre o que o nicholas cage disse sobre a megan fox e a capacidade limitade de atuação dela.

Anônimo disse...

como diria o def leppard: love bites!

Thiago "El Cid" Cardim disse...

@Morph, preciso dizer o seguinte: só vi um único episódio de "True Blood". Não tenho a HBO em casa. Sei que era do começo da temporada. Até gostei do que vi, sabe? Tem uma pitada de humor negro que me interessou.

Anônimo disse...

As fãs pentelhas do Crepúsculo conseguiram entrar até aqui? Vade retro, adolescentes!!!!!!!