29/10/2009

.: CINEMA .: Tá Chovendo Hambúrguer

Sabe aquela história de que os americanos são mestres em fazer trailers, colocando as melhores piadas de suas comédias naqueles dois minutos vendedores - e quando você finalmente vai assistir ao filme de quase duas horas, tem vontade de enforcar alguém, já que comprou a impressão totalmente errada? Comigo, aconteceu justamente ao contrário no caso da animação "Tá Chovendo Hambúrguer". Vi o trailer. Achei engraçadinho, ok. E logo pensei: as melhores piadas devem estar aí. Não botei a menor fé, admito. Em meu dever de pai, levei a filhota no último final de semana para ver o dito cujo nos cinemas. E, catso, não é que eu me diverti? Muito mais do que eu esperava?


Animação da Sony inspirada no livro de Judi e Ron Barrett, "Tá Chovendo Hambúrguer" mostra o jovem cientista louco Flint Lockwood tentando criar algo que vai melhorar a vida da população de sua pequena cidade, dependente de uma falida fábrica que sobrevivia da pesca de sardinhas. Assim, o projeto tornou-se inventar uma máquina que transforma-se água em comida. Criativo e apaixonado por ciência desde a infância, Flint sempre quis impressionar o pai, um homem simples e introvertido. E conseguiu, embora não do jeito certo: graças a uma sucessão de acidentes, sua máquina vai parar nas nuvens - e ele consegue fazer chover comida. A inusitada situação metereológica atrai as atenções de todo o mundo, incluindo de uma emissora de TV que envia a estagiária Sam Sparks para cobrir o caso. Sim, Flint e Sam vão se apaixonar. Mas este clichê está longe de ser um defeito - porque a relação entre os dois é desenvolvida de maneira bastante simpática e engraçada.

O segredo de "Tá Chovendo Hambúrguer" é não ter medo de entrar de cabeça em seu mote absurdo, embarcando em diversas situações do mais puro non-sense - e, graças a Deus, rendendo-se muito pouco à patrulha do politicamente correto (vale lembrar que é um filme infantil, então não espere um delírio anárquico, pelamordedeus). E é preciso destacar os excelentes personagens coadjuvantes, que roubam a cena: Tim, pai de Flint, tem uma memorável sequência na qual luta com o mouse do computador; o cinegrafista latino de Sam é responsável por duas sacadas hilariantes na última meia-hora; e o policial Earl Deveraux (dublado originalmente pelo Mr.T, cara! O Mr.T!) dá um show na cena final de fuga - ok, ok, sem spoilers aqui.

Uma nota, no entanto: "Tá Chovendo Hambúrguer" é bem legal. Mas dava fácil para ver em 2D. É mais um daqueles filmes que acabaram sendo rodados em 3D apenas para entrar na moda - porque, convenhamos, ele mal usa os recursos típicos deste tipo de exibição. Não é a primeira vez que falo sobre isso por aqui. E tenho a ligeira impressão de que não vai ser a última.

Nenhum comentário: