16/11/2009

.: QUADRINHOS .: Invasão Secreta

Brian Michael Bendis continua sendo um dos meus escritores contemporâneos favoritos. Mas é preciso dizer que, ao acumular a responsabilidade por uma dezena de títulos dentro da Marvel Comics, em algum momento ele não agüentaria tanta pressão e fraquejaria, mostrando um trabalho irregular – o que, para quem acompanha a trajetória dele em “Ultimate Spider-Man”, parecia ser impossível. Mas não é. E a prova é justamente a megassaga “Invasão Secreta”, que acaba de ser completada aqui no Brasil. As histórias de “Invasão Secreta” que vinham sendo publicadas em “Novos Vingadores” conseguiram oferecer um painel muito mais interessante do que este apresentado na minissérie principal. E olha que o roteirista é o mesmo!


A tentativa de dominação mundial dos skrulls até que começou bem, amarrando diversas pontas soltas de outros arcos anteriores – de “Dinastia M” a “Guerra Civil – e apresentando os alienígenas transmorfos sob uma ótica quase religiosa. Mas à medida que fomos chegando às edições 4 e 5, criou-se uma espécie de “barriga” na série principal, com uma trama que não parecia deslanchar. Os número 6 e 7, no entanto, recuperaram o fôlego de maneira genial, preparando o cenário para uma batalha final que contou com uma atuação fantástica de Clint Barton pegando o arco e flecha pela primeira vez desde que assumiu o uniforme de Ronin. Mas então chegou o último número, cuja capa você vê ao lado. E a minha única forma de descrevê-lo é como “bem mais ou menos”.

A ideia de colocar Norman Osborn como o herói da história toda, desacreditando Tony Stark de vez e fazendo o sujeito cair em desgraça absoluta, é ótima. Mas o jeito como tudo acontece é rápido demais e não deixa o leitor 100% convencido de que o presidente dos EUA compraria o lado do ex-Duende Verde de maneira tão simplória. A história secundária, estrelada pelo repórter Ben Urich, oferece uma visão muito mais interessante da trama, colocando-o frente a frente com o homem cuja polêmica biografia ele escreveu.

A explicação para que os heróis e coadjuvantes que tinham sido substituídos pelos skrulls ainda estejam vivos não chega a ser ruim, embora possa ser contestada pelos mais xiitas – mas é fato que te deixa com aquela sensação de “putz, mas não dava para ser mais ousado e deixar estes caras mortos de vez?”. Por sinal, senti uma falta tremenda de ousadia na escolha dos personagens substituídos pelos verdinhos. Podiam dizer, sei lá, que o Soldado Invernal era um skrull. Isso sim ia ser uma virada na trama – o cara que assumiu o manto do Capitão América é um ET com memórias falsas? Ouch. Com exceção da Mulher-Aranha, todos os escolhidos são do segundo escalão da editora. O único ponto de real força dramática foi quando Jessica Jones percebeu que tinha deixado sua filha com o skrull que se fazia passar pelo mordomo Jarvis. Boa sacada ter deixado isso como fio solto para as próximas tramas.

Outro ponto positivo é perceber que Bendis também entende que o Thor é um deus (pode parecer óbvio, mas para muitos roteiristas, não é!) – e, como tal, acabou pendendo a balança na batalha final para o lado dos terráqueos. E a lição de moral que ele dá no outrora amigo Tony Stark é fantástica, um diálogo que quase nos faz relevar o restante dos defeitos da edição. Mas é apenas “quase”.

Que venha “Dark Reign”. Porque aquela splash page com todos os grandes malvadões da Casa das Ideias reunidos é bem legal. Mas resta saber se ela é apenas um pôster bonito para um filme ruim.

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