06/11/2009

.: TELEVISÃO .: Glee

"Não, ele não são otários. Nós todos somos otários. Todos desta escola, deste bairro, até mesmo da cidade. Somos todos otários"
(Finn Hudson)


Nesta quarta-feira (4), antes da Fox começar a exibição de sua nova série "Glee", entrou uma daquelas cartelas da classificação indicativa exigidas pelo Ministério da Justiça. E na parte referente ao gênero, o programa era descrito como "Comédia Drama Musical". Pode parecer esquisito, surreal até, misturar as três coisas. Mas "Glee" faz isso mesmo - e muito bem. O primeiro episódio é muitíssimo melhor do que toda a expectativa criada pelos vídeos promocionais e pelos comentários positivos vindos de terras estrangeiras faziam crer.

Os créditos já dão um indício do que esperar - já que a criação de "Glee" ficou a cargo de Ryan Murphy, responsável pelo mordaz humor negro de "Nip/Tuck". O que ele faz é reunir esta pegada ácida com um retrato nada politicamente correto da adolescência como ele começou a ver em "Popular" (1999) - por sinal, uma série bem interessante, mas que infelizmente teve vida curta. "Glee", a exemplo do filme "Pequena Miss Sunshine", é uma deliciosa crítica a esta sociedade que quer que todos sejamos vencedores, que sempre estejamos em primeiro lugar, que nos apresentemos sempre lindos, asseados e maravilhosos.


Na série, o professor de espanhol de uma típica escola suburbana resolve assumir a direção do clube do coral, colocando a molecada para cantar. Inicialmente, ele acaba atraindo apenas os perdedores, os outsiders rejeitados que o restante dos estudantes ignora. Estão lá o nerd de cadeira de rodas, a japonesa from hell, o gay fashionista e até mesmo a maluca criada desde pequena para competir em todos os festivais de canto e dança existentes. A dinâmica entre eles funciona bastante, em especial quando o quarterback do time de futebol americano também se junta ao time - de maneira pouco ortodoxa, é verdade. E o professor enfim percebe que encontrou uma atividade pela qual se apaixonou de verdade, por mais que sua esposa não concorde tanto com a dedicação que ele oferece a este grupo de alunos...

E sobre o fato de ser um musical, gênero que faz algumas pessoas torcerem o nariz...por favor, não permita que isso o afaste de "Glee". É certo que eu, por natureza, adoro musicais e toda esta coisa performática. Mas aqui, as canções são sempre releituras bem-humoradas que vão de Aretha Franklin aos hard rockers do Journey, passando por Amy Winehouse, Queen, blues, country...Uma trilha sonora de responsa e que está absolutamente bem integrada à trama. Não tem essa de pessoas totalmente desconhecidas começando a cantar do nada, no meio da rua. Em resumo? "Glee" é tudo que "High School Musical" queria ser. Ou que pelo menos deveria ser, com personagens que poderiam existir de verdade (e com os quais qualquer um pode se relacionar) e uma incrível dose de respeito à inteligência de quem está do outro lado da telinha.

Serviço:
Todas as quartas-feiras, às 22h, na Fox (TV paga).

Um comentário:

Anônimo disse...

Falta eles tocarem "You Can't Stop the Beat", do "Hairspray". :-)