15/12/2009

.: QUADRINHOS .: Batman - The Return of Bruce Wayne

O título da minissérie em seis partes na qual o roteirista Grant Morrison está trabalhando é totalmente auto-explicativo. Ou seja: o período de Dick Grayson usando o traje do Homem-Morcego está prestes a acabar. Embora o milionário psicótico de Gotham City tenha morrido de fato duas vezes (em "Crise Final" e também em "Batman R.I.P.", ambas escritas por Morrison), sabe-se que a versão oficial é a do mega-crossover. Ou seja: Batman foi atingido pelos raios ômega de Darkseid e enviado ao passado. Ou seja: ele não está morto de fato. Apenas perdido no fluxo temporal. Prometo que não vou entrar no mérito de que viagens dimensionais e/ou temporais não combinam em nada com o tipo de histórias que os fãs gostam de ler do Morcegão, um vigilante mascarado essencialmente urbano e policialesco. Vamos em frente.


Na minissérie, Wayne viajará pelo tempo, começando no final do período paleolítico e passando por diversas épocas, incluindo aí o século 17 - na vila que um dia se tornaria Gotham City. Voltando a brincar com o conceito de que cada edição vai ter um clima diferente, como fez com "Os Sete Soldados da Vitória", o escritor mostrará o herói no papel de um homem das cavernas, um puritano, um pirata, um caubói e um detetive, "num esforço para recuperar a memória e reencontrar sua época". Diz ele, em entrevista ao jornal USA Today, que sua ideia é relembrar aqueles "gibis malucos dos anos 50 que tinham aventuras do Batman das Cavernas e do Batman Viking". E completa: "É o maior desafio que Bruce Wayne já enfrentou: Batman contra a própria história".

"Batman - The Return of Bruce Wayne" tem lançamento previsto para abril de 2010. Cada capítulo terá um desenhista diferente, sendo que o primeiro será Chris Sprouse.

Permitam-me aqui falar um pouco sobre Grant Morrison, este sujeitinho que parece não bater muito bem da cabeça. Ao redor do Twitter oficial do site Universo HQ, rolou dia destes uma interessante discussão sobre o que os leitores e jornalistas especializados achavam do autor. E foi interessante ver que as opiniões foram bem divididas: alguns amavam, outros odiavam, alguns não estavam nem aí. O que eu acho? Que o saldo dele ainda continua bastante positivo. O cara fez uma bagunça nesta "Crise Final", criando uma trama tão enrolada e cheia de fios soltos que apenas ele entendeu. Mas ele ainda é o mesmo cara que fez aquele arco inesquecível de histórias com o Homem-Animal, provando que é possível alinhar tramas inteligentes, sutis e repletas de referências com a cronologia comum de uma editora de gibis de super-heróis. E também é o cara que escreve lindamente "All-Star Superman", lidando muito bem com o básico, com o arroz e o feijão que 90% dos roteiristas do Homem de Aço simplesmente não entendem.

Na boa? Ainda dou crédito a ele. Como já disse por aqui em outras ocasiões: ele pode ter as pirações dele, não nego. Mas pelo menos nunca fez "O Cavaleiro das Trevas 2". Tá valendo.

Um comentário:

Silas Chosen disse...

Ele escreveu duas de minhas histórias favoritas, o seu mencionado All Star Superman e ARKHAM ASYLUM- SERIOUS HOUSE ON SERIOUS EARTH.

Pra mim é ótimo.