19/02/2010

.: QUADRINHOS .: O retorno dos paladinos da justiça?

O mundo dos super-heróis era lindo e brilhante, com seus justiceiros de malhas justas coloridas e inabaláveis códigos de honra e retidão. Aí, veio um inglês maluco chamado Alan Moore e mostrou que, no mundo real, os heróis estariam submetidos aos mesmos defeitos que qualquer um de nós, que poderiam ser criaturas mesquinhas, egoístas, pequenas e, por que não dizer, malucas. E aí veio um americano narigudo de nome Frank Miller e mostrou que o futuro do Batman poderia ser um inferno pós-apocalíptico no qual o maior dos heróis, o Super-Homem, teria se transformado em um escoteiro babaca a serviço do governo.

E o mundo dos heróis nunca mais foi o mesmo.

Não demoraria até que a novidade se tornasse moda. O mundo dos heróis estava irremediavelmente marcado pelas trevas, pela violência, por vigilantes que se equilibravam na linha fina entre o bem e o mal. E ganharam espaço o Wolverine, o Justiceiro, o Motoqueiro Fantasma, o Demolidor. E todas aquelas pataquadas da era Image, com dentes rangendo, armas gigantescas, garras e dentes afiados.

Os últimos anos foram bem sintomáticos neste aspecto tanto na Marvel quanto na DC. Veja só o que rolou na Casa das Ideias, resumidamente: a Feiticeira Escarlate pirou, usou seus poderes de alteração da realidade para colocar o mundo de pernas para o ar, acabou com os Vingadores, reduziu a população mutante a meros 198 membros...Quando finalmente foi detida, a opinião pública passou a desconfiar dos heróis, a ter medo de suas lutas que deixavam Nova York em frangalhos. O Congresso aprovou uma lei de registro para os mascarados, dividindo os combatentes da lei e colocando amigos como Homem de Ferro e Capitão América em lados distintos da batalha. O Capitão América morreu. Os skrulls aproveitaram o clima de desconfiança, se infiltraram por todos os lados, semearam a cizânia, fizeram o circo pegar fogo. Quando eles foram desmascarados, adivinha quem foi eleito pelo público e pelas autoridades como o queridinho, o salvador da Pátria? Norman Osborn. Os vilões não poderiam ficar mais felizes.

Isso porque nem vou entrar no mérito de “Darkest Night”, megassaga da DC na qual os anéis negros, versões maléficas dos anéis dos Lanternas Verdes, trouxeram diversos personagens fundamentais de volta à vida com um jeitão meio zumbi. Brrrrrrr. Mêda.

Pois este clima macabro e sombrio que anda assolando o mundo dos heróis está prestes a mudar. Depois de “Siege”, crossover no qual Norman Osborn estraga tudo e se deixa levar pelas pirações da época de Duende Verde, a próxima grande saga da Marvel tem um nome mais do que apropriado: “Heroic Age”. A Era Heróica. Esqueça os Vingadores Sombrios, os Novos Vingadores, os Poderosos Vingadores. A mais representativa equipe da editora voltará a ser apenas Os Vingadores. E na formação, recém-anunciada, o trio principal está junto de novo: Thor, Homem de Ferro e Capitão América. Tá bom, o Homem-Aranha está na jogada, assim como Wolverine – personagem que mais aparece em revistas da Marvel, uma loucura. E sabe-se que o Gavião Arqueiro e a Mulher-Aranha devem dar as caras por lá. Mas, ainda assim, é literalmente uma luz no fim do túnel. Um sopro de alegria para a comunidade heróica depois de anos levando porrada na moleira.

Detalhe importante: Steve Rogers ressuscitou. Mas não vai reassumir o manto de Capitão América. Pelo menos, não por enquanto. Bucky Barnes continua sendo o Sentinela da Liberdade, tanto no título próprio quanto na revista dos Vingadores – que será escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por John Romita Jr (YEAH!). Decisão mais do que acertada. E quem será o primeiro vilão que eles vão encarar? Kang. Há. Mais clássico, impossível.

Mas tem mais: a dupla Ed Brubaker e Mike Deodato está à frente de um título de nome “Secret Avengers”, equipe cuja formação ainda é mantida em segredo. E Luke Cage, o elo que manteve os Vingadores unidos em seus piores momentos, vai assumir a liderança dos Thunderbolts. Mas agora eles não serão vilões tentando se passar por heróis, mas sim vilões tendo que provar que podem se tornar heróis de verdade. Imagine só como vai ser complicado disciplinar uma equipe formada por camaradas da pesada como Fanático, Rocha Lunar, Ossos Cruzados e Fantasma. E o que o Homem-Coisa, o Monstro do Pântano da Marvel, está fazendo aqui mesmo? :-)

Não pense que a mudança se resume à Marvel – porque, depois da saga “Darkest Night”, eis que é hora da maxissérie “Brightest Day”. Entendeu o recado nada sutil?

Eu adoro vilões. Mas juro que já estava cansando de ver os heróis se tornando sujeitos capazes de cometer mais barbaridades do que seus próprios antagonistas.

...e ainda falando sobre super-heróis...

- Por falar em “Brightest Day”, sabe quem vai voltar na série? O Aquaman. De novo. Aquele mesmo que já morreu e voltou à vida algumas muitas vezes. Reza a lenda que ele “reassumirá seu lugar de importância dentro do Universo DC”. Quero só ver.

- “Brightest Day” também terá outra boa novidade: no novo título “Green Lantern - Emerald Warriors”, os protagonistas serão a dupla Guy Gardner e Kilowog. Roteiro de Peter Tomasi e arte do espanhol Fernando Pasarin.

- Os caras da Warner Bros., que não são bobos nem nada, escolheram ninguém menos do que Christopher Nolan para servir como uma espécie de supervisor do novo filme do Super-Homem – que, é claro, está nos planos do estúdio e que, é claro, vai ser mais um restart na vida do Azulão. Boa sorte ao kryptoniano. E à Warner, é claro, que vai ter encarar o pepino dos direitos autorais reivindicados pelas famílias de Jerry Siegel e Joe Shuster.

- E já que o assunto é Nolan: David Goyer abandonou a série ”FlashForward” para escrever, ao lado de Jonathan Nolan, irmão de Chris, o terceiro filme do Batman dirigido pelo cineasta. Os rumores novamente dão conta de que o vilão será o Charada, sendo que vários outros personagens farão pontas por conta do papel fundamental do Asilo Arkham...entre eles o Pingüim e um certo Dr.Fries. Diz-se ainda que tanto Barbara Gordon quanto Dick Grayson devem pintar na trama.

- Ainda sobre os filmes de heróis da DC: Tim Robbins entrou para o elenco de “Lanterna Verde”. Ele será o Senador Hammond, pai do vilão Dr. Hector Hammond, interpretado por Peter Sarsgaard.

- Pulando das telonas da DC para as telonas da Marvel, o diretor Joe Johnston aproveitou o espaço que a imprensa lhe deu pelo lançamento de “O Lobisomem” e abriu a boca para falar do filme do “Capitão América”. O vilão vai ser o Caveira Vermelha, os Invasores (com uma formação diferente daquela dos gibis, é claro) vão aparecer na segunda metade do filme, a segunda versão do uniforme vai ter um quê do realismo de “Os Supremos”. Só falta anunciarem logo quem vai interpretar Steve Rogers.

- Nova estrutura na DC, que agora é DC Entertainment: Dan Didio (antigo vice-presidente sênior e editor-executivo da DC Comics) e Jim Lee (criador da Wildstorm) serão coeditores, sendo que Didio tem sede na costa leste e Lee na costa oeste dos EUA. Já o talentoso Geoff Johns terá o pomposo cargo de executivo-chefe de criação. Chique.

Um comentário:

RicardolbSdA disse...

não dá pra engolir essa de "voltar a era de prata", a maioria das pessoas já estava farta da industria dos quadrinhos por uma razão óbvia:
PRECISA-SE DE BONS ROTEIRISTAS!
outra boa solução seria, outra revolução outro "frank miller" ou "alan more" com uma idéia nova (o sujeito que mais tem se mostrado sucedido nesse ponto é o mark millar).
e eu pessoalmente estava satisfeito com o material mais recente; cerco, vingadores sombrios, thor...