01/03/2010

.: QUADRINHOS .: DOUTOR DESTINO: ele AINDA quer conquistar o mundo!

* Matéria publicada originalmente no site A ARCA


Tá legal, o Duende Verde é um personagem muito bacana, com todo aquele envolvimento pessoal com o Homem-Aranha, seu desejo de vingança irrefreável e coisa que o valha. Tudo bem, o Thanos é uma das maiores ameaças cósmicas que já afligiu o universo (bom, pelo menos o Universo Marvel). E o Dentes-de-Sabre é tão cruel e sanguinário que dá até gosto ver o sujeito pisoteando o Wolverine. No entanto, é fato: assim como o Coringa é o vilão mais legal da DC Comics, é praticamente inegável que o Dr. Destino é a grande representação do mal na Casa das Idéias.

Veja só como ele se enquadra bem na lista de qualidades que um vilão clássico tem que ter: ele quer dominar o mundo (confere), ele é totalmente arrogante (confere), ele tem uma legião de seguidores fiéis (confere), ele tem dinheiro a dar com pau (confere), ele é manipulador e mentiroso (confere), suas ações atingem escala global e algumas vezes até universal (confere), ele tem uma obsessão sem fronteiras por seu nêmesis intelectual (confere), ele fala em terceira pessoa (confere), ele é inteligente pra cacete (confere), tem poderes místicos e ao mesmo tempo é uma brilhante mente científica (confere) e ainda é o ditador absoluto de um pequeno país do leste europeu (confere). Bingo!

Basta lembrar, por exemplo, de sua participação na primeira saga da série Guerras Secretas. No meio de um roteiro bobo e rasteiro, Jim Shooter abriu as portas para a participação memorável de Destino - que consegue roubar os poderes cósmicos da entidade suprema e absoluta (até o fim da série, claro) de nome Beyonder. Não é pra qualquer um não, fala sério.

No entanto, também é fato que Victor Von Doom vem sendo sistematicamente tratado com desdém pelos roteiristas da editora nas últimas décadas. E talvez por isso boa parte dos fãs de quadrinhos não consiga visualizar o potencial de um personagem como ele. Antes de tudo, Doom é uma espécie de Rei do Crime em escala global - é hora dos escritores entenderem que ele tem que controlar e manipular as situações de longe, da forma mais cínica possível, livrando-se de toda e qualquer acusação contra seus planos usando a boa e velha diplomacia internacional. Afinal, ele controla uma nação, não é um mero operativo de campo. Não precisa ficar trocando sopapos com super-heróis. E está devidamente protegido pelas legislações e tratados da ONU. Portanto, não pode ser tocado...mas tem que se manter nas sombras, sem chamar atenção para as suas atividades ou pode acabar causando um incidente internacional que pode virar uma guerra. Olha só as possibilidades criativas da bagaça.

Von Doom, por sinal, é uma figura que se parece com uma versão classuda de Saddam Hussein. Ele rege a Latvéria com mãos de ferro. Uma parte do povo o odeia... mas uma boa parte do povo também o ama. Afinal, a Latvéria é uma nação próspera. Destino ama a Latvéria. E, além de Reed Richards, ele também odeia os Estados Unidos e a sua invasiva e agressiva política internacional. Ele jamais choraria pelos atentados do dia 11 de setembro, como sugeriu J. Michael Straczynski no especial do Homem-Aranha. Será que aí não está um mote poderosíssimo para o novo rumo que vêm seguindo as histórias do Capitão América, sob a batuta de Ed Brubaker?

Que tal lembrar, por exemplo, as implicações políticas do Destino 2099 (que, segundo consta, era o próprio Victor Von Doom da cronologia regular da editora), que rapidamente conquistou o mundo e tomou conta dos Estados Unidos? Por que diabos um homem tão ardiloso e sagaz como ele jamais teria tentado impôr uma campanha militar contra aquele que considera o seu maior obstáculo para fazer do mundo um "lugar ideal"? Quem sabe, numa espécie de corrida armamentista, ele não pudesse ter que acabar encarando, nos bastidores, um certo Tony Stark? Isso não seria demais? Talvez fosse até o caso de afastar Destino de vez das sagas cósmicas da editora (podiam aproveitar e fazer o mesmo com o Homem-Aranha, que fica muito melhor combatendo o crime nas ruas de Nova York).

Um outro lado a ser explorado também é do Destino mago - afinal, ele se envolveu com todo tipo de artes místicas para libertar a alma de sua mãe (uma bruxa de origem cigana), presa no inferno sob o cativeiro do demônio Mefisto. Por sinal, o assunto rendeu uma memorável graphic novel na qual Doom e o Dr. Estranho, mago supremo da Terra, seguem para os domínios infernais do cramulhão mor da Marvel para libertar a Sra. Doom. Deu pra ver de que tipo de vilão estamos falando? Ele não é meramente um sujeito fortão e psicótico com um uniforme simbionte babando sangue. Trata-se de uma ameaça real e muito difícil de ser abatida com o uso dos punhos ou mesmo com uma intrincada armadilha.

Destino é esguio. É poderoso. É eterno. Longa vida ao Dr.Destino (e que a Marvel finalmente entenda o valor do monarca da Latvéria, por favor).

Um comentário:

Anônimo disse...

DOOM RULES!