07/04/2010

.: QUADRINHOS .: O Universo Wildstorm por Alan Moore

Numa boa? Dizer que o Alan Moore é genial ao vê-lo atuar sob as condições ideais de temperatura e pressão, com a total liberdade criativa que teve à frente de clássicos como "Watchmen", "V de Vingança" ou "A Liga Extraordinária", é muito fácil. Mas depois de ler o encadernado "O Universo Wildstorm por Alan Moore", você tem a mais plena certeza de que este inglês barbudo está realmente muitos degraus acima da média. Porque aqui ele está trabalhando sob condições incrivelmente adversas. Estamos falando de lidar com alguns dos personagens mais meia-boca que já passaram pelas páginas dos gibis. Ah, vá, não faça esta cara. Você sabe que é verdade.

Ok, Jim Lee não é Rob Liefeld e os Wild C.A.T.S. estão longe de serem comparados com o Youngblood. Mas vamos ser bem sinceros, do fundo de nossas almas nerds, e admitir: o grupo nasceu como uma versãozinha furreca dos X-Men, com um pouquinho de Liga da Justiça para dar tempero. Pfff. O Bandoleiro nada mais é do que uma releitura do Wolverine. E o Majestic é um Super-Homem que consegue ser ainda mais pé no saco do que o original. Mas, assim como já tinha feito com o Supreme de Liefeld, Moore consegue escrever uma história simples e deliciosa sobre um guerreiro imortal no fim dos tempos, no inevitável final de toda a existência. Pode parecer deprê. Mas, estranhamente, nunca o fim pareceu assim tão cheio de esperança. E o que ele consegue extrair de uma heroína feminina que beira o ridículo como a Vodu? Uma trama atraente e cheia de tesão e tensão sobre os deuses africanos que pairam sobre Nova Orleans. Bingo, Mr.Moore.

E tem mais: Moore ainda consegue fazer seus roteiros brilharem mesmo tendo como pares um bando de desenhistas medíocres. Tá bom, quem faz os traços da história dos Wild C.A.T.S. é o Travis Charest, que merece todas as nossas reverências e muito mais. Mas o Majestic ultramusculoso de Carlos D'Anda é pura vergonha alheia. E o estilo pra lá de genérico de Al Rio e Michael Lopez na história da Vodu é uma lembrança das mais desagradáveis do quão ruim foi o pedaço Image da década de 90, quando imagem era tudo e roteiros eram nada. Só que, mesmo com estes desenhos pavorosos, não é que as boas histórias de Moore se sobressaem? Não precisam ser daquele tipo que marca época, que revoluciona o mundo dos gibis. Precisam ser apenas boas. E isso é coisa que Alan Moore faz com as mãos nas costas. E com um copo de cerveja bem ao lado.

O UNIVERSO WILDSTORM POR ALAN MOORE
Editora: Panini Comics
220 páginas
R$ 30,90

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