17/05/2010

.: QUADRINHOS .: E eu andei lendo...

LOVELESS - TERRA SEM LEI - DE VOLTA PARA CASA: Em "100 Balas", Brian Azzarello já tinha provado que sabe retratar a violência de maneira inteligente e sem frescuras, deixando o sangue fluir pelas ruas das grandes cidades, moldando histórias dramáticas e delineando ótimos personagens. Voltando no tempo, ele prova que também seria um excelente roteirista de westerns clássicos em "Loveless", empolgante série da Vertigo. A sua visão do Velho Oeste, no entanto, está longe da visão de John Ford, com toda a questão da honra de seus bravos heróis. Neste mundo pós-Guerra Civil norte-americana, Azzarello nos apresenta Wes Cutter, pistoleiro sem papas na língua que retorna à cidadezinha sulista de Blackwater para retomar o seu antigo território, agora nas mãos do Governo. Entre velhos amigos e novos inimigos, vai sobrar bala para todo mundo, enquanto ele tenta - pelo menos na teoria, como se vai descobrir logo depois - encontrar pistas sobre a esposa desaparecida. Cutter poderia facilmente ser um personagem do chamado western spaghetti, importalizado pelo cineasta italiano Sergio Leone. A dinâmica arte de Marcelo Frusin só nos ajuda a imaginar Cutter trocando tiros com o Clint Eastwood da chamada "Trilogia dos Dólares". E com direito até a trilha de Ennio Morricone.

Editora: Panini Comics
Autores: Brian Azzarello (roteiro) e Marcelo Frusin (arte)
Número de páginas: 128
Preço: R$ 16,90



HOMEM-ARANHA: COM GRANDES PODERES...: Dentro do selo "Marvel Knights", Mark Millar já tinha feito maravilhas com o Cabeça de Teia dentro do ótimo arco "Caído Entre os Mortos". Agora, foi a vez de David Lapham (quadrinista independente do ótimo "Stray Bullets") se arriscar na difícil reinterpretação de um personagem icônico da Casa das Ideias. Contando com a arte realista de Tony Harris ("Ex-Machina"), Lapham resolve versar sobre o período imediatamente posterior à picada da aranha radioativa, quando o nosso simpático Peter Parker ainda não pensava em ser herói e só queria ser mesmo um astro da luta livre. O autor acerta em cheio ao retratar Peter como um adolescente típico, um moleque atormentado na escola que, ao se deparar com uma coleção tão legal de poderes, resolve tirar proveito deles - embora nem sempre da melhor maneira possível. Ele tenta impressionar a gatinha da escola (Liz Allen), tenta tirar o valentão (Flash Thompson) da frente, tenta fugir da superproteção dos tios...Aqui, por sinal, vem o grande acerto: retratar Peter como um garoto que não aguenta mais a Tia May e o Tio Ben. A revolta dos filhos contra os pais (ainda que adotivos, neste caso) nesta fase acontece mesmo, não fazia sentido mostrar sempre e sempre a relação entre o Escalador de Paredes e seus tios como sendo santificada e abençoada. Na verdade, os conflitos só ajudam a intensificar a culpa nele quando o ladrão mata o Tio Ben. Única ressalva? Lapham poderia ter mantido um pouco mais os pés no chão, concentrando seus esforços no mundo de Peter Parker. Quando o Quarteto Fantástico entra em cena, o foco continua sendo Peter, seu medo daquele gigantesco monstrengo atacando NY e do que ele terá que fazer, de maneira desastrada, com seus poderes. Não tinha necessidade de incluir uma máfia de cores quase noir no universo da luta livre e uma femme fatalle coroa que seduz o moleque. Não chega a estragar o resultado final. Mas não precisava. Enfim: uma bola dentro da Panini em um belíssimo encadernado de luxo.

Editora: Panini Comics
Autores: David Lapham (roteiro) e Tony Harris (arte)
Número de páginas: 120
Preço: R$ 19,90



OS PERDEDORES - HORA DO TROCO: Quando se lê a série da Vertigo "The Losers", fica claro o interesse de Hollywood pela trama e seu interesse por transformá-la num filme, que será lançado em breve. Diferente do que se pode tradicionalmente esperar do estereótipo de séries da Vertigo, o interesse do autor Andy Diggle é imprimir pura ação e adrenalina do início ao fim. As cenas de ação na versão impressa são de tirar o fôlego, de deixar o camarada grudado na cadeira. Storyboard fácil e entregue prontinho. O caso é que, mesmo com a arte frágil e esquisita de Jock (não consigo gostar dele, não adianta), Andy Diggle consegue manter o ritmo aliado a uma história interessante, a uma trama coesa sobre um grupo de ex-operativos do governo dispostos a tudo para limpar seus nomes (e sacanear de leve a agência para a qual trabalhavam) e, especialmente, a diálogos inteligentes, ágeis e cheios de humor. Ou seja: se Tarantino ou Guy Ritchie quisessem, estaria pronto aqui o seu próximo trabalho. Ação com cérebro, é preciso dizer. E o meu grande receio é justamente que Hollywood pegue este conceito e transforme em "ação sem cérebro", como costuma acontecer com frequência. Nem "Os Perdedores" merecem este destino.

Editora: Panini Comics
Autores: Andy Diggle (roteiro) e Jock (arte)
Número de páginas: 160
Preço: R$ 22,90

Um comentário:

Anônimo disse...

E vc ainda duvida que Hollywood vá cagar tudo?