01/07/2010

.: QUADRINHOS .: Que bonita a sua roupa, Diana!

Ou não. Você é quem decide.

O fato é que a imagem ao lado percorreu o mundo, tomando conta inclusive de diversas publicações que nada têm a ver com o universo dos quadrinhos. Afinal, estava todo mundo interessado em saber como era o novo uniforme da Mulher-Maravilha, que a moça assume a partir do número 600 de sua revista, que chegou ontem ao mercado norte-americano.

O design, muito mais urbano, foi desenvolvido por Jim Lee - e deixa o biquini estrelado de lado por uma calça muito mais comportadinha. O amigo Borbs, do Judão, levantou a lebre de que a DC Comics podia estar preparando o terreno para que finalmente a personagem chegue aos cinemas - e que este novo uniforme estaria sendo apresentado agora para que os fãs mais puristas possam ir se acostumando. Afinal de contas, o biquini estrelado numa telona não combinaria muito com o que a conservadora família ianque quer ver numa superprodução de Hollywood. Seria uma super-heroína sexual demais. A tese faz sentido.


Mas o assunto está aqui neste blog menos pelo aspecto fashion e mais por conta do novo roteirista do gibi da Princesa do Poder: J. Michael Straczynski. É. E ele já chega mudando completamente a história da heroína. Vai ser algo assim: os deuses alteraram o passado, mudando a linha do tempo e removendo a proteção divina sobre a Ilha Paraíso (também chamada nos gibis mais atuais de Themyscira). Ai. Isso significa que, lá no passado, um exército maléfico, liderado por um vilão até então não revelado, atacou e Ilha e acabou com quase todas as amazonas. A Rainha Hipólita, no entanto, consegui salvar sua filha Diana - que, aos três anos de idade, foi entregue nas mãs de guardiãs que conseguiram fugir a tempo.

Ok? Está me acompanhando?

Passaram-se duas décadas e Diana vive no mundo urbano, com pouquíssimas lembranças daquela linha do tempo que os leitores vinham acompanhando até então. A moça cresceu na cidade dos homens, buscando a identidade do responsável pela morte de suas irmãs e procurando por outras Amazonas sobreviventes. Straczynski já revelou que está história vai durar um ano.

Como esta nova cronologia da Mulher-Maravilha se integra ao restante do Universo DC? Ou não se integra e é uma espécie de "Mulher-Maravilha Ultimate"? Ela conhece o Batman e o Super-Homem? E como ficam as personagens secundárias derivadas de sua cronologia, como Donna Troy? Depois deste um ano, a cronologia normal vai retornar como se nada tivesse acontecido?

Não me faça perguntas difíceis. Só o Straczynski tem estas respostas.

Olha, nós sabemos que Diana é o elo mais fraco da chamada Trindade da DC, bem menos popular do que o Homem-Morcego e o Homem de Aço. Ao longo dos anos, a moçoiola sofreu nas mãos de roteiristas medíocres e, nos dias de hoje, vem perdendo leitores consideravelmente. Esta é (mais) uma tentativa de revitalizar a personagem, de dar-lhe uma cara mais moderna, enfim. Nada contra, acho bem produtivo. O caso é que, por enquanto, não dá para saber qual é o Straczynski que está escrevendo as histórias.

Se é o Straczynski que escreveu a fantástica "Poder Supremo" - e que, inclusive, tinha uma mais do que interessante versão da própria Mulher-Maravilha, que eu leria mensalmente fácil, fácil. Se é o Straczynski que revitalizou o Thor, nos oferecendo a melhor fase do Deus do Trovão desde a era Walt Simonson, mesclando de maneira memorável seus aspectos humano e divino (basta ler "Os Novos Vingadores" para entender do que estou falando).

Ou se é o Straczynski que escrevia o Homem-Aranha. Que inventou aquela enorme bobagem de herança totêmica e afins. Que criou uma explicação mística para os poderes do Escalador de Paredes. E que fez com que o seu passado fosse modificado num estalar de dedos literal pelo próprio Mefisto, anulando seu casamento com Mary Jane Watson. O mesmo Straczynski que fez esta cagada e depois disse que foi tudo culpa da interferência editorial do editor-chefe Joe Quesada. Tá bom.

Se for o primeiro Straczynski, jóia. Sinal de que vem coisa boa por aí.

Se for o segundo Straczynski, lascou-se. Tenho pena do que está reservado para Diana Prince.

Um comentário:

Sandro disse...

Já que tocou no assunto: e o "Poder Supremo", héin! Que fim será que levou?