09/08/2010

.: QUADRINHOS .: Duas faces do Universo Ultimate

Nas bancas brasileiras, o leitor habitual de quadrinhos de super-heróis pode se deparar atualmente com duas diferentes facetas do chamado Universo Ultimate - releitura século XXI que a Marvel criou para seus principais personagens. A primeira delas chega representando a visão pré-Ultimatum, o risível evento apocalíptico que destruiu parte do planeta e matou gente pra dedéu no meio do caminho. Trata-se da edição especial fechada "Marvel Millenium: Réquiem", cujo título faz referência direta ao nome anterior da revista publicada pela Panini Comics. A idéia seria mostrar o que aconteceu com o Homem-Aranha, com o Quarteto Fantástico e com os X-Men imediatamente depois de Magneto ter pirado (devidamente influenciado pelo Doutor Destino) e tirado o Planeta Terra de seu pólo magnético natural, causando uma série de desastres como a inundação da cidade de Nova York.


O que temos neste "Réquiem", pergunta-me você? Rigorosamente a mesma coisa que vínhamos tendo nos últimos números de "Marvel Millenium", ora bolas. Histórias tenebrosamente ruins dos mutantes e do Quarteto, daquele tipo que causa uma sensação nítida de vergonha alheia, misturada com aquele sentimento de "inferno, por que raios continuo gastando meu dinheiro nisso?". E uma ótima história do Aranha, o que é já é padrão, escrita por Brian Michael Bendis e com uma bela alternância de desenhos entre Mark Bagley (o anterior) e Stuart Immonen (o atual). Como se acreditava, até então, que Parker tinha morrido no conflito, a trama é contada com delicadeza justamente do ponto de vista de J.Jonah Jameson, que escreve o obituário do herói para a versão online do aparentemente finado Clarim Diário.

Em resumo? Mais uma daquelas edições nas quais a gente gostaria de ter a história do Cabeça de Teia com uma espécie de picote, para poder ser separada do resto do gibi...a ser devidamente jogado fora. Como réquiem, esta edição especial é uma despedida muito triste especialmente para a versão ultimate dos x-heróis, sistematicamente tratados como lixo nesta reta final. Alguém tente me explicar a razão da aparição da Mística e do Dentes de Sabre, faz favor.
Mas calma, você aí que é fã dos personagens ultimate. Afinal, já chegou a primeira edição do novo gibi deles, também via Panini, agora atendendo pelo título "Ultimate Marvel". Esta revista representa rigorosamente o primeiro momento pós-Ultimatum. E que, pelo menos graças a esta impressão inicial, é extremamente positivo, uma redenção diante da queda constante de qualidade das histórias imediatamente anteriores ao Ultimatum.

Este reinício traz o Aranha ainda escrito pelo Bendis, mas agora com o traço quase mangá do espanhol David Lafuente. Pode até causar um tanto de estranhamento inicial. Mas é nítido que funciona, dando uma frescor ainda mais jovem não só à narrativa visual, mas também aos personagens. Seu Homem-Aranha é baixinho, cabeçudo e magrelo, além de bastante simpático, parece mesmo um adolescente vestindo uma roupa colorida para combater o crime. E na trama, vemos a Grande Maçã em lua de mel com o herói, desacostumado a ser tão bem tratado depois de ter seu heroísmo reconhecido por Jameson e cia. Em casa, a Tia May sabe de seu segredo e ele tem como hóspede a loirinha Gwen Stacy, com quem anda trocando beijos furtivos pelos cantos. O que mais o moleque podia querer? Claro que tem alguma treta se esgueirando pelos becos, pronta a tirá-lo desta situação de conforto. Como a volta do Rei do Crime, por exemplo.

Logo depois, vem o igualmente excelente Warren Ellis com a sua versão ultimate para o clássico arco "Guerra das Armaduras", do Homem de Ferro. Retratando um Tony Stark playboy, beberrão e carismático como o próprio Robert Downey Jr. dos cinemas, somos apresentados à descoberta de que os geniais planos científicos de Stark vazaram e estão sendo usados por pessoas com intenções bem pouco louváveis. Pois é, tem gente utilizando os planos do Ferroso para construir exércitos de armaduras maléficas por aí. Ótimos diálogos, repletos de humor e daquela típica pseudo-ciência dos gibis, além de cenas de ação que prometem.

E para finalizar, Mark Millar retorna ao lugar de onde nunca deveria ter saído, dando um chega para lá no mala do Jeph Loeb e voltando a assumir os roteiros de "Os Supremos" - que, agora, serão os "Vingadores Ultimate". Os desenhos são de Carlos Pacheco - que, embora menos realista do que Bryan Hitch, soube manter o tom. Com o fim do Ultimatum, Nick "Sou um clone do Samuel L.Jackson" Fury retorna da dimensão do Esquadrão Supremo e, mesmo que não esteja mais no controle da SHIELD, já encontra um pepino para resolver, com o Capitão América agindo como um fora da lei depois de encontrar o Caveira Vermelha - e descobrir uma segredinho pessoal a respeito dele, coisa que aparentemente Fury já sabia. Destaque para a impressionante cena de ação do Capitão e do Gavião Arqueiro tentando impedir dois helicópteros da IMA (Idéias Mecânicas Avançadas) de saquear o Edifício Baxter, saltando de um para o outro em pleno ar. E detalhe: embora este Clint Barton seja mais um maníaco suicida do que a sua versão da cronologia normal, utilizando pistolas ao invés do arco e flecha, Millar conseguiu transformá-lo em um excelente personagem, com a mesma dose de carisma, tirando a péssima impressão que Loeb deixou em sua passagem pelo volume 3 dos Supremos.

Um título que promete voltar a fazer meu dinheiro valer a pena.

MARVEL MILLENIUM: RÉQUIEM
Editora: Panini Comics
Número de páginas: 148
Preço de capa: R$ 14,90

ULTIMATE MARVEL NÚMERO 001
Editora: Panini Comics
Número de páginas: 76
Preço de capa: R$ 6,50

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