13/09/2010

.: QUADRINHOS .: Os quatro que não andam lá muito fantásticos...

Dos títulos clássicos dos quadrinhos de super-heróis da Marvel, aquelas criações lendárias de Stan Lee e Jack Kirby que persistem até hoje, acho que o “Quarteto Fantástico” é aquele que vai andando pior das pernas. Sim, caros amigos, estou dizendo com todas as letras que o gibi do Quarteto anda passando por uma fase ainda pior que os de seus colegas mutantes, os “X-Men” – pois é, os mesmos mutantes cujos roteiros passaram décadas sendo tratados mal e porcamente por uma trupe de roteiristas que a gente prefere evitar lembrar. Mas, recentemente, nomes como Joss Whedon e Grant Morrison, goste você do que eles fizeram ou não, deram uma bela sacudida nas tramas das x-equipes.


E o que diabos andou acontecendo no mundinho dos habitantes do Edifício Baxter? Quase nada, para ser bem sincero. Quando muito, Mark Millar e Bryan Hitch (a dupla de "Os Supremos") tiveram uma rápida passagem pelo título, mas nada que fosse marcante o suficiente para ser considerado histórico como, por exemplo, a era de John Byrne à frente do gibi. No começo dos 2000, Mark Waid ainda fez um trabalho bacana, contando com a arte do saudoso Mike Wieringo? Fez, tudo bem. Mas ainda é pouco, muito pouco para estes quatro personagens que são, em essência, a primeira grande família heróica dos gibis.

Hoje em dia, por exemplo, a Marvel inventou de colocar Reed, Sue, Johnny e Ben em uma saga chamada de “Three”, cortesia do roteirista Jonathan Hickman. Há quem argumente que o cara é um bom escritor, que merece nosso voto de confiança. Eu mesmo até gosto de ver o que ele fez com os “Guerreiros Secretos” de Nick Fury pós-Invasão Secreta, não nego. Mas todo o conceito me deixa bastante com o pé atrás. Afinal, como o próprio nome já entrega, parece que teremos a morte de um membro da equipe (UAU, HEIN?) – e, reza a lenda, que o gibi pode até acabar. No fim das contas, tudo tem cheiro daquelas jogadinhas mequetrefe de marketing nas quais a Casa das Idéias tem apostado costumeiramente. Quantas vezes você já não viu a formação do Quarteto Fantástico mudar – seja pela morte de um dos integrantes (lembro bastante da morte do Sr.Fantástico depois de uma luta contra o Doutor Destino, por exemplo, lá na década de 90), seja pela entrada ou saída de gente nova no pedaço (Mulher-Hulk, Pantera Negra, Tempestade)?

“Não é só para causar choque, ou só para provar alguma coisa... Tudo tem seu propósito”, tenta explicar Hickman, que promete ainda uma integração maior da equipe com o restante do universo Marvel. A gente, do lado de cá, finge que acredita.

Enquanto isso, nos cinemas, a 20th Century Fox planeja o reinício da franquia Quarteto Fantástico, deixando de lado os outros dois filmes, a exemplo do que a Sony fará com o Homem-Aranha. É um filme novo, com elenco novo e diretor novo. Um reboot que, para alguns, era mais do que necessário. Eu, particularmente, nem achei os dois filmes assim TÃO tenebrosos – a relação entre o Tocha Humana e o Coisa, por exemplo, era bem divertida e bastante fiel às provocações familiares vemos nas HQs clássicas. O Doutor Destino é que foi o grande pecado, retratado como um playboyzinho babaca que só estava interessado em dar uma encoxada na mocinha. A promessa é que Von Doom seja retratado, neste novo filme (com o sintomático título de “Fantastic Four Reborn”), como mestre das artes místicas e soberano egocêntrico da Latvéria. Tudo indica que não será uma história de origem, e que a fonte dos poderes dos quatro será apenas lembrada no começo.

A Fox está correndo para começar os trabalhos, ou os direitos retornam para a Marvel Studios – que já provou saber o que está fazendo com seus personagens. As filmagens em 3D começam no ano que vem, com previsão de estréia para 2012. Joe Carnahan (“Esquadrão Classe A”), David Yates (“Harry Potter e a Ordem da Fênix”) e James McTeigue (“V de Vingança”) poderiam ser os diretores. Sobre o elenco, a boataria diz que Adrien Brody estaria na disputa para o papel de Reed Richards, enquanto Alice Eve poderia ser Sue Storm e o moleque Kevin Pennington (da nova versão de “Barrados no Baile”, ai Jisuis!) queimaria os céus como o Tocha Humana. O Coisa seria inteiramente feito em computação gráfica. Bruce Willis estaria sendo cotado para dar voz ao pedregoso sobrinho da Tia Petúnia.

Tudo, por enquanto, no campo das especulações – assim como a contratação de Stephen Moyer, o vampirão Bill de “True Blood”, para ser Victor Von Doom. Uma pena. Porque desta forma eu jamais realizaria meu sonho de ver Jeremy Irons vivendo o meu vilão favorito das HQs.

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