18/11/2010

.: QUADRINHOS .: Picaretagens aracnídeas

Engraçado perceber as reações que ainda é capaz de causar um teaser como este da “Morte do Homem-Aranha”, que a Marvel Comics colocou sorrateiramente na capa da revista “Previews”, publicação da Diamond Comics, uma das maiores distribuidoras de quadrinhos do mercado ianque (veja ao lado). Você, caro leitor, ainda se surpreende com tais revelações bombásticas? Sério mesmo? Juro que eu já estou calejado e vacinado, depois de décadas como leitor de quadrinhos de super-heróis. “Oh, não, será que a Marvel teria coragem de matar seu herói mais importante e lucrativo?”. Ah, vá.

E não me venham os detratores do editor-chefe Joe Quesada dizer que isso é mais uma de suas estratégias marketeiras. Tá bom, nós sabemos que é. Mas vamos combinar que isso não é exclusividade dele – já que sagas que prometem virar o universo de nossos personagens favoritos do avesso não são novidade e acontecem desde que eu me entendo por gente? O que dizer da “Saga do Clone”, só para citar o exemplo mais emblemático no título do Cabeça de Teia?

E os DCnautas que parem de tripudiar dos coleguinhas marvetes, porque não é só a Marvel que gosta de aprontar destas. Ou a morte – e posterior retorno – de Bruce Wayne não passaram do quê? Ok, Grant Morrison aparentemente está sabendo virar o jogo. Mas ninguém, em são consciência, acreditava que o alter-ego bilionário do Homem-Morcego fosse permanecer de uma vez por todas na terra dos pés juntos. O mesmo rolou com o Super-Homem, tripudiado pelo Apocalypse e, bingo, trazido de volta inteirinho da silva pouco tempo depois.

O próximo da imensa lista, que inclui protagonistas e coadjuvantes, é o Demolidor. Pobre Murdock. Esse sofre.

O objetivo de Quesada e sua equipe, e que está sendo cumprido com maestria, é um só: atrair atenção. E não só dos indignados fãs das antigas, mas também de novos fãs que porventura tenham se interessado pelos personagens em suas aventuras cinematográficas. E não só da imprensa especializada, mas também da grande imprensa. Porque, caso vocês não se lembrem, o anúncio do assassinato do Capitão América pós “Guerra Civil” foi parar em grandes jornais como o USA Today e o New York Times – além de ser destaque em emissoras de renome como a CNN. Muito além dos sites especializados e seu séquito fiel porém restrito de visitantes. É isso que Quesada quer: renovar o público, atrair outros olhares além daqueles dos devotos, mostrar que os quadrinhos podem ser uma continuação interessante para a vida dos heróis que são sucesso de bilheteria como o Teioso e o Homem de Ferro. Ele está tentando salvar o emprego de um monte de gente...e ainda garantir seu polpudo bônus no final do ano, não sejamos inocentes. Talvez esta não seja a estratégia mais adequada, apelar para o sensacionalismo barato? Concordo. Mas aí a discussão é radicalmente outra.

Em tempo: depois de tanto furor, a Marvel deu mais detalhes sobre a tal “Morte do Homem-Aranha”, que começa a partir de fevereiro de 2011. Na verdade, será um evento dentro do Universo Ultimate. Ou seja, fora da cronologia normal. E com roteiros de uma dupla de alto calibre: Brian Michael Bendis e Mark Millar, alternando-se durante seis meses pelo títulos “Ultimate Spider-Man” e “Ultimate Avengers vs. New Ultimates”. Juntando estas duas mentes perturbadas em um dos melhores gibis regulares de heróis atualmente em publicação, eu até posso perdoar o momento tablóide londrino. E sendo bem sincero: o título é “A Morte do Homem-Aranha” – e não “A Morte de Peter Parker”. O que quero dizer com isso? Que, nas mãos de escritores competentes como Bendis e Millar, o termo “morte” pode não ser usado dentro de uma conotação assim tão literal. Pode ser a morte de uma identidade, de um tipo de existência, de um estilo de vida. Sei lá. Também comecei a viajar aqui. Imagine a viagem que esta dupla não vai promover.

Ah, é, um novo complemento: enquanto isso, na cronologia normal, fevereiro também promete ser um mês complicado para o nosso Escalador de Paredes favorito. Dentro do novo arco “Big Time”, as edições 654 e 655 da revista “Amazing Spider-Man” (que agora é quinzenal e traz um único escritor, Dan Slott, com desenhistas que vão se revezando) prometem uma “grande transformação nos poderes do Homem-Aranha”. Dia destes, confessei ao amigo Julio “R.Pichuebas” Almeida que finalmente comecei a me divertir com as histórias aracnídeas que vieram depois de “Um Novo Dia”. Em nome de Odin, tomara que esta transformação não me faça mudar de opinião.

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