06/12/2010

.: CINEMA .: Megamente

Existe uma verdade praticamente incontestável no mundo da cultura pop: os vilões são muito mais legais que os super-heróis. Nos gibis clássicos, então, é que não dá pra negar mesmo. Na saga "Reinado Sombrio", atualmente publicada no Brasil, é uma satisfação sem tamanho ver vilões como Loki e o ditador supremo Doutor Destino tratados com o devido respeito por argumentistas que os fazem malignos do jeito que eles têm que ser. Mesmo os vilões caricatos, com ares cômicos, costumam ser mais legais que a maior parte dos representantes da turma dos bonzinhos. É o caso do protagonista do legalzão "Meu Malvado Favorito" e do recém-lançado "Megamente", animação da mesma Dreamworks que já nos presenteou este ano com o ótimo "Como Treinar Seu Dragão".

Em um filme repleto de referências às HQs clássicas de justiceiros multicoloridos, o azulado e cabeçudo Megamente é enviado para a Terra como o último representante de um planeta moribundo (te lembra alguém?). O caso é que, ao mesmo tempo, de um outro planetóide moribundo vizinho ao seu, vem o poderoso e perfeitinho moleque que, anos mais tarde, se tornaria o Metroman, defensor máximo de Metro City.

Desde a infância, os dois travavam as mais intensas batalhas - já que Metroman, um clone clássico do Super-Homem (de capa, dentes perfeitos e queixo quadrado), é amado e idolatrado por todos, criado em uma mansão por pais milionários, enquanto o Megamente é tratado com desprezo por todos os amiguinhos de escola. Logo, ele se descobre muito mais confortável no papel do vilão, do antagonista, do malfeitor. Tudo bem, Megamente é daquele tipo de cientista maluco bastante inteligente, embora tenha um nítido probleminha com a pronúncia de certas palavras mais complicadas. Mas o sujeito é tão inteligente quanto atrapalhado, o que lhe relega a uma sequência sem fim de fracassos. Até que no dia em que é inaugurado o museu oficial do Metroman, ele consegue, meio que por acaso, acabar com seu grande inimigo. Em meio a um plano mirabolante, ele dá uma tacada de sorte. Isso mesmo. O vilão venceu. Bwahahaha. E agora? O que será desta Metro City comandada por seu maior algoz?

Sinceramente, nem o próprio Megamente parece saber. Porque não demora até que ele comece a sentir falta do antigo nemêsis, falta dos combates, do eterno conflito do bem x mal, dos confrontos épicos. E, para desespero de seu sempre presente companheiro de nome Criado (basicamente, um peixe comandando uma enorme armadura mecânica de aspecto que lembra um gorila), o vilão resolve criar um novo herói para dar sentido à sua existência, um paladino da justiça com o mesmo pacote de poderes do Metroman. Junte a isso o fato de que nosso bandido cabeçudo começa a se interessar pela repórter enxerida, obviamente inspirada em Lois Lane, e a confusão está instaurada de vez.

Além das muitas referências de fundo nerd - com destaque para a performance inspirada em Marlon Brando que Megamente faz de um velhote a la Jor-El, simplesmente hilária - o filme acerta também na trilha sonora. Como todo bom supervilão, Megamente adora entradas triunfais, repletas de uma dose exagerada de efeitos especiais, melodrama e, é claro, com uma trilha sonora adequada. Assim sendo, ele opta por canções como "Highway to Hell" e "Back in Black" (AC/DC), "Crazy Train" (Ozzy Osbourne) e "Welcome to the Jungle" (Guns 'n' Roses). Bom para já ir treinando as crianças a ouvirem música de qualidade, preciso dizer (yeah, the Jonas can suck my balls).

Tá bom, é bem óbvio que a trama de "Megamente" segue por um caminho daqueles típicos, levando a um final padrão - que o internauta mais espertinho já deve ter sacado depois da minha descrição até aqui, por mais que eu não vá entregar nenhum spoiler. Mas a diversão total não está, sinceramente, nas surpresas e/ou viradas do roteiro. Um filme como "Megamente" nos cativa quando faz uma piada com o Sr.Miyagi e que a nossa filhota de sete anos de idade, obviamente, não entende. E nos cativa ainda mais quando nos dá a chance de explicar a ela quem é o Sr.Miyagi e compartilhar um pedaço de nossa própria infância com a pequena curiosa. Aí é que está o segredo de uma animação como "Megamente". Vou ali levar a minha filha para ver o "Karatê Kid" original e já volto.

MEGAMENTE (Megamind, 2010)
Direção: Tom McGrath

Roteiro: Alan J. Schoolcraft, Brent Simons
Com as vozes de: Brad Pitt, Will Ferrell, Tina Fey, Jonah Hill, Ben Stiller, J.K.Simmons

Um comentário:

Do Vale disse...

Só o trailer já vale a pena. =D