27/12/2010

.: QUADRINHOS .: Red – Aposentados e Perigosos

Ainda não vi a adaptação cinematográfica para a minissérie em três edições do roteirista Warren Ellis e do desenhista Cully Hamner, estrelada por Bruce Willis, Helen Mirren e John Malkovich. Mas já posso dizer, com 100% de certeza, que estamos falando de um filme com uma tônica completamente diferente do original em papel. Basta ler o gibi, recém-lançado pela Panini Comics, e assistir aos trailers e aos vídeos de divulgação da película. Enquanto o filme tem uma levada visível de ação com doses de humor, reunindo um elenco de primeira atuando de maneira descontraída, a HQ é uma paulada violenta, curta e grossa, sangrenta e sem possibilidade alguma de se abrir um sorriso. “Red – Aposentados e Perigosos”, a história em quadrinhos, é um conto, apenas e tão somente sobre Paul Moses, que daria quando muito um filme de 1 hora para a televisão – e justamente por isso os produtores do filme incluíram diversos outros personagens e sub-tramas na jogada.

Feito o paralelo entre as duas mídias, é hora de se falar especificamente sobre o gibi...que, perdão, está longe de ser um dos pontos altos da carreira do sempre talentoso Warren Ellis.

A história dá pra resumir facilmente em poucas linhas: chega um novo diretor na CIA, vindo por indicação do novo governo norte-americano. Apresentado a um dossiê sobre um de seus mais eficientes agentes de campo (leia-se “assassinos”), o sujeito fica nauseado e indignado. Com medo de que qualquer informação sobre aquele período possa vazar para o público, ele pira e ordena que aquele homem seja morto imediatamente. O caso é que Paul Moses vivia tranquilamente a sua aposentadoria, uma espécie de exílio para afastar-se de seus demônios. Mas, apesar de afastado da ativa e sob o peso da idade, Moses continua sendo um matador sem igual. E não vai perdoar os responsáveis pela caçada que causou a interrupção de seu período de paz.

E...é isso. Nem tem muito o que se dizer, já que Ellis é econômico nos diálogos e na quantidade de personagens, dedicando-se a cenas de ação repletas de sangue e miolos espirrando para todos os lados. Não tenho nada contra narrativas ágeis, rápidas e violentas, do tipo pá-pum. Aliás, eu até gosto quando os autores que vemos costumeiramente no mercado norte-americano de HQs, com edições conectadas e repletas de continuações, exercitam a capacidade de contar histórias mais curtas e diretas ao ponto. Mas o caso é que Ellis peca ao utilizar mal o pouco espaço e tempo que o formato lhe permite, preferindo explosões adolescentes de adrenalina em quadrinhos com mortes chocantes do que efetivamente desenvolver e nos mostrar um pouco mais sobre a personalidade de Moses. Se temos tão poucos personagens em cena, por que não aproveitá-los melhor, dar mais espaço a eles do que a pistolas e tiroteios?

E sem desculpas, porque Ellis sabe fazer isso muito bem. Vejamos a aparição da secretária com a qual Moses falava sempre ao telefone, por exemplo. A inclusão da coitada na história, por exemplo, é tão rasteira e frouxa que, quando ela sai da trama, não faz a menor falta. Não é estranho? Uma história com pouquíssimos personagens, sendo que um deles não chega a fazer qualquer pingo de relevância?

Ainda bem que a Panini lançou “Red – Aposentados e Perigosos” de uma vez por aqui, com as três edições reunidas. Se a gente tivesse que se submeter a uma publicação como a dos EUA, dividida por três, para chegar a um resultado final tão abaixo da média de um autor como Ellis, a sensação de broxada ia ser muitíssimo maior.

RED – APOSENTADOS E PERIGOSOS
Roteiro: Warren Ellis
Arte: Cully Hamner
Páginas: 76
Preço: R$ 7,90

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