04/02/2011

.: CINEMA .: Enrolados

Sou pai de uma menina de sete anos de idade. Desta forma, você já pode imaginar o quão especialista sou no universo das “Princesas” – a franquia que a Disney espertamente formulou nos últimos anos reunindo, num mesmo balaio de gato, personagens clássicas de suas animações como Cinderela, Bela Adormecida, Branca de Neve e afins. E como profundo (!) conhecedor deste universo cor-de-rosa, fico duplamente satisfeito com o resultado que eles obtiveram no simpático “Enrolados”, surpreendentemente sua primeira incursão em todos estes anos pela clássica história da Rapunzel.

Dá para dizer, assim como em “A Princesa e o Sapo”, que a convivência com a Pixar tem dado cada vez mais vida às produções da casa do Mickey. “Enrolados” é vivo, cheio de energia, com uma dinâmica e um senso de humor inteligente muito mais próximos de um “Toy Story” ou “Monstros S.A.” do que dos chatéssimos “Irmão Urso” e “Nem que a Vaca Tussa”. E nem vale a pena chover no molhado e ficar falando da qualidade da animação, que é obrigação absoluta deles que seja impecável. O que me surpreende em “Enrolados” é mesmo a qualidade da princesa.

Rapunzel é uma princesa muito mais próxima da realidade da Cinderela ou da Bela Adormecida do que dos mundinhos de Mulan, Pocahontas ou mesmo da contemporânea Tiana, numa Nova Orleans repleta de jazz e blues. A Rapunzel é uma princesa clássica, loira e linda, filha do rei, numa ambientação medieval típica. Tinha tudo para ser a melhor amiga de shopping das princesinhas que passam a vida esperando a chegada dos seus príncipes encantados, daquele tipinho que os dois primeiros filmes do “Shrek” sacaneiam com maestria. Mas a Disney não caiu nesta tentação fácil, de transformá-la na eterna donzela em perigo. Mesmo presa no alto de sua torre, a menina dos loooooooooongos cabelos loiros luta por seus sonhos, vive tentando driblar a insegurança e o medo que sua mãe de mentira, a bruxa da história, lhe coloca na cabeça. E quando ela finalmente sai para conhecer o mundo real, são seus cabelos "chicoteantes" e sua habilidade no manuseio da frigideira que a tiram de todas as enrascadas. A garota é divertidíssima e cheia de atitude. Ela sofre quando tem que sofrer. E dá porrada quando a situação pede também.

E vamos combinar que Rapunzel é mesmo a melhor coisa de “Enrolados”. Ela é a personagem mais interessante do longa, eclipsando de longe o seu príncipe-ladrão Flynn Rider. Em “A Princesa e o Sapo”, a protagonista Tiana perde de longe para o marrento Naveen ou para a mimada Charlotte. Em “Enrolados”, Rapunzel domina o filme, domina as cenas, conquista o público desde os primeiros minutos, mesmo quando sai cantarolando feito uma maluca deslumbrada ou mostra seu lado bipolar ao rir e logo depois chorar ao conhecer as maravilhas do mundo exterior.

Valeu a indicação ao Oscar de “melhor animação” – embora, é claro, não seja nem de longe um filme com os predicados do lindíssimo “Toy Story 3”. Mas acho que é um programa espetacular para mostrar para as filhotas que lugar de mulher não é, nem nunca foi, em casa esperando o príncipe chegar montado num cavalo branco.

Em tempo: na dublagem em português, a voz de Rider ficou a cargo de Luciano Huck, alvo de críticas e mais críticas por parte dos jornalistas especializados. Olha, enquanto o personagem atua como narrador, até que a participação do maridão da Angélica é simpática, a levada da voz dele funciona. Mas o problema é quando o sujeito tem realmente que interpretar os diálogos ao longo da história. Aí, ele parece estar o tempo todo fazendo os merchans do seu caldeirão. Não rola. Bola fora total.

ENROLADOS (Tangled, 2010)
Direção: Nathan Greno, Byron Howard
Com as vozes originais de: Mandy Moore, Zachary Levi, Donna Murphy, Ron Perlman, M.C. Gainey, Jeffrey Tambor, Brad Garrett

2 comentários:

Gabriel Lima disse...

Realmente, o que falta(va) a todas as histórias da Disney é essa 'inovação'. No caso de 'Enrolados', foi colocado um 'mocinho' não é tão 'mocinho' assim. Foi muito boa a sacada dos animadores ao fazerem isso. As histórias depois de um tempo passam a ser óbvias e repetitivas e isso não é legal. 'Mocinhas não são tão ingênuas quanto parecem ser!'

PS: E quanto ao texto, ele está um pouco grande. Leitores de blogs não têm muita paciência pra lerem posts imnesos como este seu. Eu li tudo, mas será que todos conseguem chegar até o final? Às vezes eu também exarego (Como é o caso desse comentário). Espero ter colaborado! =D

Sandro disse...

Essa eterna mania de botar umas pessoas que não tem nada a ver pra dublar porque isso supostamente atrairá mais atenção é uma lástima.