25/03/2011

.: CINEMA .: Um novo Homem de Aço, uma nova abordagem?

Tá vendo este camarada aí do lado? O nome dele é Henry Cavill. Você, que curte séries de TV, talvez o conheça como o Charles Brandon de “The Tudors”. Mas você, que é nerd de carteirinha, vai conhecê-lo a partir de agora como Clark Kent. Ele é o protagonista do novo filme do Super-Homem, provisoriamente batizado de “Superman: Man of Steel”. É melhor ir se acostumando a ver a cara dele em tudo quanto é lugar. Afinal, estamos falando de um sujeito que vai dar vida ao super-herói mais icônico da história (e neste momento o amigo Emílio “Elfo” Baraçal pula de alegria).

Sem qualquer relação com “Superman – O Retorno” (2006), o novo filme deve manter um relacionamento apenas respeitoso para com o sagrado trabalho de Richard Donner nos filmes originais – mas, segundo promete o diretor Zack Snyder, seu filme terá vida e linguagem próprios, sem canonizar o herói vivido por Christopher Reeve. E por mais que tenha gostado bastante de “Superman – O Retorno”, preciso admitir que, sim, a película encabeçada por Bryan Singer tem ares de homenagem, de rendição plena e absoluta de um fã declarado, de um fanático pelo que Donner fez. No fim das contas, Singer conduziu um filme que não tinha sua própria identidade, mas que era basicamente o “Superman 3” que Donner teria feito caso pudesse. Neste sentido, a posição de Snyder é irrepreensível. “Os filmes de Richard Donner são lindos. Mas eu vou fazer o meu próprio filme do Super-Homem”. Perfeito.

Maaaaaaaaaaaaaaaas...preciso levantar um ponto-chave. Pois é, meu querido visitante, quando falo do diretor deste novo Homem de Aço, estou me referindo ao mesmo Snyder responsável pelo recente “Sucker Punch” e pelas adaptações de quadrinhos “300” (Goood!) e “Watchmen” (Baaaad!). Acho Snyder um ótimo diretor. Mas também o acho dependente demais da estética. Para estar efetivamente em casa, o cineasta parece precisar se ancorar numa identidade visual de ponta, de vanguarda. Foi assim com os três filmes que citei anteriormente. E esta pode ser a saída mais fácil quando falamos de um personagem que pode voar, tem uma força descomunal, dispara rajadas de calor pelos olhos e mais uma coleção de poderes fora do comum. O sonho de qualquer diretor de arte, de fotografia, de efeitos visuais.

Mas, neste caso, eu queria ver mais traços do Snyder de “Madrugada dos Mortos” do que do Snyder de “Watchmen”. Em “Madrugada dos Mortos”, o diretor reinterpreta o mestre Romero com sua própria personalidade, exatamente como ele promete fazer com o Super. Mas o foco não está nos efeitos especiais espetaculares, em um ritmo alucinante de edição ou em um visual inovador inspirado nos videogames. O foco está nos personagens, em boas histórias de vida, em relacionamentos humanos. E para se contar uma boa história do Super-Homem, conforme venho defendendo em meus textos há mais de uma década (de verdade!), ainda acho que a chave é saber entender a relação entre Clark Kent e Super-Homem.

Pode parecer uma conclusão óbvia, mas são poucos os escritores, incluindo aqueles que trabalham o Escoteiro Azul nos gibis, que entendem esta dinâmica. São pouquíssimos os que trabalham um meio-termo entre o seu lado humano e o seu lado quase divino. Geralmente, ele é tratado como o bonzinho quase banana, um caipirão que, por um acaso do destino, voa e pode derrubar um prédio com um tapão, zoado pelo restante dos membros da Liga da Justiça, respeitado pelo seu bom coração e cabelinho lambido. Ou então é tratado como um ser intocável, visto de baixo pelos meros mortais, como uma ameaça. Acho que o equilíbrio é a chave. Trabalhar mais a dualidade, do homem que foi criado para ser um fazendeiro, do Clark Kent que pensa sempre no bem-estar de seus semelhantes. Mas que ao mesmo tempo sabe que não tem semelhantes, que é um alienígena, o último de sua raça, que não é igual a ninguém neste planeta, que guarda um poder imenso de destruição dentro do peito. Alguém que chega a ter medo de si mesmo, que chega a perder o controle, que chega a se sentir tentado a dominar este terráqueos estúpidos, apenas para depois perceber que só não o faz por uma escolha pessoal...e, por que não dizer, humana.

Neste sentido, concordo com Tarantino, no já lendário monólogo de “Kill Bill Vol.2”: Clark Kent é a identidade secreta do Super-Homem, e não ao contrário. A persona real é Kal-El, o kryptoniano. E toda manhã ele tem que se vestir de ser humano, de Clark Kent, esta é a sua fantasia, e não a roupinha com as cuecas por cima das calças. Mas vou além, discordando do trecho em que David Carradine diz que o Clark Kent é a crítica do Super-Homem para toda a raça humana. Poder ser Clark Kent é algo que Kal-El quer mais do que tudo. Ele foi criado para isso desde bebê, para ser Clark Kent, para ser humano, para ser um de nós, para se comportar bem e tomar todo o leitinho com biscoitos. Afinal, ele é até fisicamente similar aos humanos da Terra. Mas ele também sabe que, se perder o controle, pode transformar-se na nossa maior ameaça, no nosso maior predador natural, num monstro mais perigoso do que seria se tivesse antenas e a pele verde. Visto por este ângulo, consigo achar o Super-Homem um personagem MUITO mais legal do que alguns roteiristas pintam atualmente.

Diz aí: você não adora esta filosofia barata do universo das HQs? =P

No elenco, além de Cavill, já estão confirmados Kevin Costner e Diane Lane – que serão respectivamente Jonathan e Martha Kent, os pais terrestres adotivos de Clark que ajudam a moldar seu caráter. Reza a lenda que o principal vilão será ninguém menos do que o General Zod, devidamente ladeado pelos asseclas Non e Ursa. O roteiro é de David Goyer, baseado em uma história criada em parceria com Christopher Nolan, que também é produtor do filme. Sim, o mesmo Nolan de “A Origem” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Entendeu por que os fãs estão tão empolgados? =)

Um comentário:

MBari disse...

Cardim, você pode nao acreditar mas eu tenho a mesma opnião sobre o diretor. Mas vale lembra que mesmo na estetica há história e sei o quanto gostou de "300". Acho que o filme do Superman tem que definir ele como diretor.