10/03/2011

.: MÚSICA .: Tarja Turunen

Nunca fui dos maiores fãs do som do Nightwish. Minhas músicas favoritas da banda são justamente aquelas nas quais o baixista Marco Hietala mais participa como vocalista, dividindo os microfones com a cantora oficial do grupo. Mas não dá para negar que Tarja Turunen, a antiga dona do posto à frente da banda, tem um baita vozeirão de inspiração operística. Eu entrevistei a moçoila em duas oportunidades. A primeira delas, em 2000, foi durante a primeira turnê mundial do grupo, em sua passagem inaugural pelo Brasil, para promover o bom disco "Wishmaster". Eles ainda não tinham estourado na MTV tupiniquim e eram, pelo menos na ocasião, uma banda cultuada apenas pelo nicho headbanger.

Neste meu primeiro encontro com ela, a moça tinha ares de diva, falava pouco, tinha os olhos azuis um tanto perdidos, mal olhava para mim. O papo foi ao lado do tecladista, compositor e líder do grupo, Tuomas Holopainen, que é claro foi quem mais falou. Mas foi Tarja quem mais chamou a atenção. Ao adentrar a sala, ela tirou o fôlego de quem estava ao redor. Me lembro até hoje que um dos seguranças, devidamente posicionado na porta do camarim, quase deixou o queixo cair quando Tarja pisou no local. Mais do que bonita, a cantora tinha uma espécie de magnetismo, parecia tão perfeita quanto uma estátua, de pele alva impecável e lábios desenhados. Achei a dita cuja lindíssima, mas neste primeiro momento ela me passou uma sensação de arrogância, de quem chegou se achando, a dona da cocada preta. Peguei birra.

Quatro anos depois, quando Tarja retornou ao Brasil com o seu projeto "Uma Noite Escandinava", no qual cantaria apenas música clássica daquela região, em especial aquela tipicamente finlandesa, tivemos a oportunidade de conversar de novo. Desta vez, ela estava sozinha na sala. Era, de fato, a estrela do evento. E a impressão que me deixou foi radicalmente diferente. Muito mais sorridente e expansiva, ela deixou o vestido longo e o enorme lenço da outra ocasião de lado e se apresentou para a imprensa muito mais comum, calças compridas, camiseta curta, pouca maquiagem. E, ainda assim, igualmente linda. Falamos pelo dobro do tempo. Ela me olhava sempre nos olhos, parecia muito mais confiante - mas também um pouco tímida, como a própria confessaria durante a entrevista. A soberba do primeiro bate-papo me soou imediatamente como introversão. Inteligente e bem-humorada, falou um pouco sobre como seu casamento com um argentino a tinha deixado um pouco mais próxima de nós, o quanto tinha aquecido o seu gelado sangue finlandês. Saí da sala apaixonado pela moça, pelo seu carisma, pela sua delicadeza, pelo seu jeito introvertido. Eu e todos os outros jornalistas presentes, é claro, é óbvio. "O que é esta mulher, cara?", me perguntou um roadie, no elevador. Eu não sabia dizer.

Ali, eu percebi claramente uma coisa. Que os dias dela no Nightwish estavam contados.

Era só uma impressão. Mas um ano depois, em 2005, logo após a apresentação deles no festival Live 'n Louder, aqui em São Paulo, notei que tinha algo errado. Que Tarja tinha crescido mais do que a banda. Que era nítido o estranhamento entre ela e os outros integrantes do grupo. Comentei isso com meu eterno parceiro de shows, Mr.Alex "webBANGER" Estevam. Por isso não estranhei quando surgiu, no mesmo ano, a carta aberta demitindo a frontwoman.

Neste final de semana, Tarja Turunen retorna ao Brasil para sua segunda turnê-solo, para divulgar o álbum "What Lies Beneath". É uma apresentação que vale a pena conferir. Por ela. Por mais que você não goste do disco, do que ela vem fazendo em sua trajetória solitária, longe do Nightwish. Mas Tarja domina o palco com sua voz poderosa e com uma presença só sua. Quando ela canta, dá pra perceber em cada gesto, em cada olhar para o público, que a garota amadureceu, ganhou confiança. Mas continua com um jeitinho tímido que é difícil encontrar em qualquer vocalista feminina de heavy metal. "Hoje gosto mais do meu corpo do que antes", disse em recente entrevista para a Playboy brazuca. "Sei que pode parecer engraçado isso. Acho que todas as mulheres são sexies, é só a maneira de perceber o que verdadeiramente é ser sexy". E ela percebeu.

TARJA TURUNEN NO BRASIL

Sábado - 12/03 - São Paulo/SP
HSBC Brasil

Domingo - 13/03 - Rio de Janeiro/RJ
Fundição Progresso

Terça-feira - 15/03 - Brasília/DF
Clube dos Subtenentes e Sargentos

4 comentários:

Dani disse...

Aaaaaaaaaaaahhhh!!!!!! E nada de Pernambuco. Detesto morar no Nordeste.

César disse...

E sobre o Nightwish, tem notícia? Que achou do Dark Passion Play? Anette e tal... E do vindouro Imaginarium, novo CD e filme da banda? Abs.!

The thousand F's and the 2 L's disse...

Eu irei ao show de VIP porque vale a pena pagar tudo aquilo para vê-la. Sem mais.

Anônimo disse...

A TARJA É FANTASTCA