13/04/2011

.: QUADRINHOS .: Black Kiss

Até então desaparecido do catálogo nacional, o clássico “Black Kiss” está finalmente de volta ao Brasil, cortesia da Devir Editora. A minissérie, escrita e desenhada por Howard Chaykin, foi originalmente publicada nos anos 80 e será relançada agora na íntegra, em uma compilação de mais de 150 páginas, com opção de capa dura e tudo mais. Mas é bom que se diga: quando a editora faz questão de deixar claro que “Black Kiss” é conteúdo recomendado para o público adulto, eles não estão brincando. Afinal, estamos falando de uma série erótica envolta em muita polêmica, que chegou a ser proibida em alguns países e queimada em praça pública em outros.

Eu li o gibi devidamente garimpado em um sebo, onde comprei todas as edições publicadas anteriormente pela editora Toviassu, que é uma empresa dos humoristas do Casseta e Planeta, na década de 90. Lá fora, saiu pela independente Vortex. A história em P&B, de inspiração policial noir, é protagonizada por Cass Pollack, um músico de jazz fracassado que acaba de sair de uma clínica para recuperação de drogados. Quando o azarado sujeito dá carona para uma loiraça provocante, sua vida vira novamente do avesso. E tome doses cavalares de sexo, devidamente misturadas com um submundo de drogas e prostituição, sem esquecer da boa e velha violência, da corrupção e até, vejam só, dos estranhos rituais de um culto satânico. Pode parecer deslocado, mas faz muito sentido.

A história de “Black Kiss” é realmente envolvente – e, acredite, caminha por rumos surpreendentes. Você vai devorar a trama do início ao fim, sem respirar. Pelo menos um grande segredo final eu consigo garantir que você nem sequer pode imaginar. Na hora, me lembrou um grande sucesso cinematográfico, mas cujo nome eu não posso dizer porque, caso você tenha assistido ao dito cujo, vai matar a charada na hora. Prefiro manter o silêncio e permitir que você seja genuinamente surpreendido.

O que posso dizer é que a linguagem cinematográfica que permeia as histórias de Cass e sua trupe vai imediatamente lembrar aos leitores mais atentos de “Sin City”, de Frank Miller - lançado alguns anos depois, é bom lembrar. Mas por mais que Marv se esforçasse, ele jamais conseguiria chegar aos pés da classuda escrotidão dos personagens de Chaykin. Aliás, se o termo "classuda escrotidão" faz sentido para você, então você é do tipo que vai adorar "Black Kiss".

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