02/06/2011

.: QUADRINHOS .: Começar de novo...

Não faz muito tempo, eu fiz aqui um post sobre o que diabos a DC Comics estava programando para o seu universo depois da saga “Flashpoint”. Faça o favor de ler para entender o contexto.

Enfim. O fato é que tanto eu quanto os especialistas em histórias em quadrinhos estávamos certos. A partir de setembro, a DC lança nada menos do que 52 títulos (quem acompanha a editora, sabe que este número é praticamente um fetiche em sua mitologia atual) a partir do número 1, incluindo aí seus personagens clássicos e alguns egressos da Wildstorm. Se comparado com o que rolou com “Zero Hora”, não tem nada de novo. Mas o caso é que Geoff Johns vai MESMO chacoalhar o velho esqueleto da Distinta Concorrência. Fazendo o que eles chamaram de um “Universo DC mais diversificado e moderno”, teremos personagens modificados em aparência, origem e até mesmo em idade. Sim, meu caro, certos heróis da DC serão magicamente rejuvenescidos. E, claro, teremos diversos outros personagens sendo simplesmente riscados do mapa.

Os detalhes estão saindo aos poucos – mas já se sabe que o próprio Johns (chefe executivo de criação) estará à frente dos roteiros do novo gibi da Liga da Justiça. A arte será do co-editor da DC, Jim Lee. A primeira imagem do time está ao lado, conforme você pode conferir. Na formação, Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Aquaman, Flash e, a grande novidade, o Cyborg.

Mas repare bem no desenho (Image Comics anos 90 style, preciso dizer). Ele já dá uma boa idéia do que esperar. A começar pela roupa da Princesa Amazona, com uma calça comprida que deve ser aplicada em boa parte das heroínas do plantel, aliás, conforme repaginada visual comandada pelo própria Lee. E detalhe: não é aquele uniforme bizarro anunciado há poucos meses, tornando-se uma mistura do novo com a versão antiga. O Lanterna e o Aquaman ganharam uma gola esquisita, enquanto o Flash está com um detalhe tosco no queixo. E veja só o Super-Homem...com o S no peito mais estilizado e sem a cueca por cima da calça. Detalhe: tudo indica que o casamento dele com Lois Lane será apagado da cronologia e Kal-El terá um caso com a Mulher-Maravilha (será que alguém andou tendo aulas com o Mefisto?). Para completar, tem o Batman de armadura. E este é o Bruce Wayne – porque já se sabe que Dick Grayson voltará a ser o Asa Noturna, deixando o manto do Morcegão apenas para o paizão adotivo. Portanto, esquecemos completamente o ótimo conceito de Batman, Inc. criado pelo Grant Morrison?

Sei que outras novidades devem ser anunciadas nos próximos dias. Mas só estas já estão me dando calafrios. Porque eu simplesmente tenho surtos neuróticos quando algum autor resolve ter a brilhante idéia de dizer “esqueça tudo que você já leu até hoje, estamos apagando a cronologia e começando do zero”. Sério. Nunca achei que o Geoff Johns fosse capaz de ter um insight assim tão jeca. A não ser que ele tenha alguma carta brilhante escondida na manga, caiu uns vinte degraus no meu conceito.

Mais uma nova origem pro Super-Homem? Pro Batman? Já não passamos desta fase? Isso é realmente necessário? Isso realmente vai atrair novos leitores? Ou estamos indo pelo caminho errado mais uma vez?

Surpreendente, de fato, é a estratégia de lançamento dos novos gibis da DC – que passarão a ser disponibilizados não apenas nas bancas e nas lojas especializadas, mas também em versão digital para tablets, celulares, leitores como o Kindle e afins. O formato não é novo para uma série de editoras, mas sim o timing: afinal, tudo que se tinha até então eram HQs de catálogo. Vai ser a primeira vez que gibis de linha inéditos estarão disponíveis nas lojas virtuais ao mesmo tempo em que nas lojas reais. Já tem um monte de distribuidores e comic shops reclamando e querendo a cabeça do sujeito que inventou esta modernidade. Neste ponto, admito: a Marvel deve estar roendo os cotovelos diante da coragem da concorrente.

Isso, de fato, pode ser chamado de ousadia. O resto é só a indústria dos quadrinhos de super-heróis sendo ela mesma. De novo.

Nenhum comentário: