08/07/2011

.: CINEMA .: X-Men: Primeira Classe

Ali, bem ao lado do Doutor Destino, o Magneto sempre esteve entre os meus vilões favoritos da Marvel. Sempre achei o sujeito estiloso, aquela combinação capa e capacete meio semi-deus, o olhar arrogante, a postura superior. O poder mutante de Erik Lensherr (e sua extensão quase infinita, com possibilidades beeeeeem interessantes) também está na minha lista de “gostaria de ter nascido com esta habilidade”. Mas, definitivamente, o que mais me chama atenção no personagem é a sua ambigüidade. Enquanto Victor Von Doom é a ambição em pessoa, um homem sempre em busca de poder, aquele tipo de vilão bem clássico mesmo, Magneto caminha numa espécie de linha fina. Assim como seu velho amigo Charles Xavier, Erik realmente acredita em suas convicções políticas. Embora nem sempre use os melhores métodos, ele está sempre pensando, de maneira genuína, no bem de seu povo. Ele não quer fama, fortuna ou sequer imagina dominar o mundo. Ele só quer garantir um lugar melhor para os mutantes – embora, para isso, talvez precise erradicar um pequeno detalhe conhecido como “raça humana”. No fim das contas, ele está mais para “terrorista” do que para “tirano/ditador”.

Dito isso, preciso dizer que gosto da interpretação dada por Ian McKellen ao personagem nos três primeiros filmes da franquia X-Men. Ele dava um tom um tanto afetado, por vezes até caricato e exagerado demais? Sem dúvida. Mas, para a proposta de filme desencadeada por Bryan Singer, funcionou, em especial se colocado diante de sua contraparte, o Professor Xavier de Patrick Stewart. No entanto, também me sinto na obrigação de dizer aos engravatados de Hollywood: esqueçam esta idéia de fazer um filme solo do Magneto. Ele já existe. E se chama “X-Men: Primeira Classe”. Nesta película, Michael Fassbender rouba a cena e toma a projeção inteira para si, numa performance tão intensa e soberba para Magneto que, além de eclipsar completamente o colega de cena James McAvoy (que vive um Professor Charles Xavier simpático, admito), chega a deixar McKellen no chinelo. Fato: pelo menos até o momento, Fassbender é o retrato definitivo do mestre do magnetismo nas telonas. Fassbender faz de Magneto um homem ao mesmo tempo carismático e assustador, cuja postura dúbia arrebanha seguidores de maneira sutil e intensa.

Embora seja o seu principal destaque, não é só o Magneto que funciona em “X-Men: Primeira Classe”. O filme inteiro é muito bom. A condução de Matthew Vaughn (diretor de “Kick-Ass” e que, por ironia do destino, seria o diretor de “X-Men 3” mas acabou abandonando o barco no começo, deixando a responsa nas mãos de Brett Ratner) é precisa, dizimando completamente os temores de todos os fãs xiitas que, meses antes da estréia, metiam o pau na produção e a pintavam como o seu pior pesadelo nerd nas telonas. Esqueça todos os seus medos idiotas. “X-Men: Primeira Classe” consegue reunir boas doses de ação, bom humor, dramas pessoais e ainda lida de maneira bastante inteligente com o aspecto retrô de uma história que se passa na década de 60 e que poderia, perigosamente, tornar-se paródia de si mesmo. E a trilha ainda é matadora, veja só.


Como todo bom fã, fiquei encantado com o primeiro “X-Men” – mas depois de assistir ao segundo, com o Noturno (meu x-man favorito), rapidamente o decretei como sendo o melhor da cine-série. O terceiro...bom, o terceiro é um problema. Eu juro que até dei minhas risadas assistindo ao dito cujo. Não o odeio, de verdade, cheguei até a comprar o DVD. Mas entendo seus defeitos. A versão bisonha do Fanático, a apresentação sem sentido de uma Fênix Negra que não cumpre as expectativas levantadas no segundo filme, o desnecessário fortalecimento do Wolverine. Com a chegada de “X-Men: Primeira Classe”, afirmo que “X2” perdeu o seu posto como melhor retrato dos Filhos do Átomo na Sétima Arte. E sim, caso você não tenha percebido, ignorei propositalmente “X-Men Origens: Wolverine”. Porque, pra mim, este é um capítulo a ser desconsiderado. É o pior de todos. Em comparação com “X-Men 3”, perde de lavada.

Um único porém, no entanto, sobre “Primeira Classe”: sou do tipo que não liga para alterações na história e na cronologia dos personagens em sua transposição cinematográfica, desde que se mantenha o espírito original. Sou do tipo de fã de HQs que defende que os quadrinhos são uma coisa, os filmes são outra, o diretor e o roteirista têm que ter total liberdade criativa. O espírito original de Stan Lee (que, por sinal, não faz sua tradicional participação especial) e Jack Kirby está lá, mais do que nos primeiros filmes de Singer – que, aqui, aliás, atua como produtor. Mas, se temos uma franquia cinematográfica, ela já desenvolveu a sua própria cronologia. É natural. Se a intenção com “X-Men: Primeira Classe” é reiniciar a franquia do zero, tudo bem, está tudo liberado, faz todo o sentido, eles que façam o que bem entenderem. Mas se a intenção com esta produção é ser um prólogo para os outros filmes, aí a coisa complica. E, novamente, não estou falando da comparação com a cronologia dos gibis. Tá bom, sei que nos quadrinhos o Professor X e o Magneto se conheceram de outra forma, que não foi deste jeito que Xavier ficou paralítico, que o Destrutor é o irmão mais novo do Ciclope e não o contrário, que aquela não é formação original da equipe, enfim.

Mas o erro, pra mim, está na cronologia específica do cinema. Como diabos a Rainha Branca pode ser adulta aqui e criança em “Origens”? Como, em nome de Odin, Xavier conheceu a Mística a vida inteira e nenhuma menção é feita a isso no primeiro “X-Men”? Eu poderia citar mais uma dezena de pequenos detalhes. Mas aí eu estaria incorporando o xiita babaca. E prefiro pensar, de fato, que “Primeira Classe” é apenas o primeiro passo para uma nova franquia dos X-Men, esquecendo a outra de vez. Porque “X-Men: Primeira Classe”. Porque um filme que consegue fazer Kevin Bacon funcionar como vilão (no caso, o Sebastian Shaw do Clube do Inferno) merece meu respeito. E porque eu quero muito ver Michael Fassbender como Magneto de novo. Mesmo.

Gostei muito de “Thor”. E tenho grandes expectativas para “Capitão América”. Mas me sinto inclinado a dizer, sem grandes chances de errar: “X-Men: Primeira Classe” é a melhor adaptação de gibis da Marvel lançada em 2011.

PS: Stan Lee não aparece. Mas fique de olho nas participações especiais de Hugh Jackman e Rebecca Romijn.

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (X-Men: First Class, 2011)
Diretor: Matthew Vaughn
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Rose Byrne, Jennifer Lawrence, Oliver Platt, Jason Flemyng, Zoë Kravitz, January Jones, Nicholas Hoult, Zoë Kravitz, Lucas Till

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