26/08/2011

.: CINEMA .: Lanterna Verde

Vou esclarecer logo no primeiro parágrafo, para não restar dúvidas: é de uma injustiça sem tamanho dizer que “Lanterna Verde” é uma bomba do tamanho da “Mulher-Gato” vergonhosamente protagonizada por Halle Berry. O filme não é sensacional, sofre de pelo menos dois problemas crônicos que prejudicam – e muito! – o resultado final... mas tem lá seus predicados, vá. Digamos que, depois de uma tonelada de críticas ruins vindas dos quatro cantos do mundo, eu podia jurar que o dito cujo seria muito pior. Não foi. Tá bom, não espere ver o equivalente ao “Batman: O Cavaleiro das Trevas” com um anel de poder, porque a comparação nem seria justa. Mas dá para se divertir. Pelo menos em alguns trechos do filme.

Sempre que eu imaginava o planeta Oa num possível filme do Gladiador Esmeralda, eu pensava em algo como a visão futurista do Luc Besson para “O Quinto Elemento”, sabe? Uma coisa meio Moebius. Mas acho que a equipe do diretor Martin Campbell acertou no retrato do quartel-general da Tropa dos Lanternas. Aliás, as melhores cenas do filme são justamente aquelas que se passam em Oa, prova viva de que os efeitos especiais da película estão bem acabadinhos e funcionam bem – mas, com o orçamento desta produção, eu nem poderia cobrar nada menor. Os construtos que Hal Jordan elabora com sua imaginação são bem interessantes e criativos, outro ponto positivo. É aqui que o filme diverte, que por pouco nos faz esquecer seus defeitos. Mas não faz.

Engana-se quem acha que o grande pecado de “Lanterna Verde” é o seu protagonista, Ryan Reynolds. O sujeito é carismático e até que conduz bem o papel, sem grandes exageros. Aos reclamões de plantão, que acham que Jordan deveria se retratado como um tipo meio paladino, um soldado perfeito e impecável que daria gosto seguir, quase um Capitão América verde, vale o alerta: no começo, o mais famoso lanterna da Terra não era assim. Tá certo, talvez os roteiristas carreguem nas tintas ao exagerar demais no humor meio adolescente, meio “sessão da tarde”. Mas insisto: Hal Jordan era um piloto de testes irresponsável e inconseqüente até que o anel de Abin Sur o escolheu. Está, nos quadrinhos, não fui eu quem inventou isso. Então, era de se esperar mesmo uma tiradinha jocosa aqui e outra ali. Isso não foi o que mais me incomodou, nem de longe.

Conforme disse na abertura, duas outras coisas me incomodaram bastante. Uma delas é o péssimo timing da trama. Na tentativa de incluir uma porrada de elementos diferentes na história, tudo parece acelerado e corrido demais, nada se resolve no tempo que deveria a ponto de nos envolver de fato. O tempo de treinamento de Jordan em Oa, ao lado de Kilowog (ótimo, com a voz de Michael Clarke Duncan) e Tomar Re é curto demais para justificar que ele consiga se entender com o diacho do artefato cósmico em tão pouco tempo, a ponto de salvar o universo. Mais cenas do seu processo de aprendizado seriam bem-vindas, assim como mais seqüências nas quais ficasse clara a tensão entre ele e Sinestro (Mark Strong, muito bom no papel, talvez o grande destaque do filme). Teria sido melhor limar as tramas paralelas envolvendo o cabeçudo Hector Hammond vivido por Peter Sarsgaard e mesmo o Parallax e colocar mais destaque no Hal tentando se ajustar à Tropa. Mas talvez isso fosse inchar demais o budget, né?

Tanto Hammond quanto o Parallax são vilões muito, mas muito frouxos, simplesmente não dão liga com o herói principal. Insistir em fazer de uma entidade cósmica sem forma e sem graça o grande antagonista e ainda nos fazer crer que aquela fumaça tipo “Lost” é a ameaça suprema que serviria como teste para Hal Jordan é subestimar a nossa inteligência. E Sarsgaard pode até se esforçar. Mas acaba ficando tão espremido entre tantos detalhes fúteis a 120 km/h que seu Hector Hammond apresenta-se superficial, raso, não causa empatia (e sequer antipatia, como se esperaria de um bom malvadão) com o espectador. É o típico caso de personagem “nada”, usando uma nomenclatura bem em voga no site dos amigos do Delfos.

O restante do elenco, sinceramente, não acrescenta nada. Blake Lively está linda, muito mais bonita do que em “Gossip Girl”, mas causa tanto impacto em cena quanto uma batata assada com recheio de gorgonzola. A presença de Angela Bassett no papel da seminal Amanda Waller é quase nula, tanto faz quanto tanto fez e acaba saindo do circuito sem causar nenhum impacto. E vamos combinar que é muito, mas muito MESMO, difícil engolir Tim Robbins (aqui, abusando do direito de ser canastrão) como pai de Sarsgaard, sendo que a diferença de idade entre os dois chega a ser mínima. Não colou.

“Lanterna Verde” não é um lixo. Mas, verdade seja dita, ainda está muito aquém do potencial que o personagem mereceria. Uma pena. Quem sabe melhora na continuação – que, aliás, já foi até confirmada pelo estúdio. Vamos ver. A cena que está logo depois dos créditos pode ser um indicativo positivo disso.

LANTERNA VERDE (Green Lantern, 2011)
Diretor: Martin Campbell
Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Tim Robbins, Peter Sarsgaard, Mark Strong, Jay O.Sanders, Angela Bassett

3 comentários:

Tiago disse...

Deixando de lado o xiitismo, não vou falar dos uniformes, da energia amarela estar em Oa e nem da falta de propósito de se criar um anel amarelo. O que realmente me incomodou nesse filme foi a falta de motivação e a incoerência!
Hal treina por 5 minutos em Oa (mais rápido que Telecurso 2000), desiste e vai embora COM o anel. Quando descobre que o Parallax está indo para a Terra, vai pra Oa pedir ajuda e essa foi a parte mais sem noção do filme!

- Oi, meu planeta vai ser devorado, preciso de ajuda.
- Foi mal, não vai dar pra te ajudar.
- Blz, vou lá sozinho, mas vocês não podem ter medo.

Ai ele volta e joga o Parallax no Sol!

Fico triste, porque cada vez mais um filme da Liga se enterra na montanha de erros da Warner

MBari disse...

A cada dia que passa nemor é a vontad de ver ao filme. Pena.

lipe fonseca disse...

Tiago, não acho que o filme tenha erros, este filme foi em si um erro: desperdício de uma boa história, bom orçamento e bons atores.

O que sobra, é uma graça sem graça de quem tentou fazer algo bom [e tinha tudo para], mas ficou mediano. Uma pena, vale dizer.