30/08/2011

.: QUADRINHOS .: Curso intensivo para Robin

Aí, a DC Comics decide que vai “zerar” a sua cronologia, reformando as origens de seus principais personagens (para, digamos, rejuvenescê-los perante uma audiência cada vez mais jovem, zzzZZZzzz) e fazendo com que os super-heróis tenham aparecido entre os pobres mortais há, no máximo, cinco anos – sendo que o primeiro deles foi justamente o Super-Homem, para o alto e avante, uma versão Bruce Springsteen via Grant Morrison (não pergunte). Certo. Começa todo aquele mimimi dos fãs, aquele zumzumzum da imprensa especializada, aquele blábláblá dos estudiosos. Nesta reformulação, contudo, a editora não poderia colocar em risco alguns de seus títulos que vinham desempenhando o melhor papel em termo de vendas nos últimos anos, correto? E isso significa: não, a reformulação não afeta os gibis do Batman (dentro daquele conceito “Batman Inc.”) e do Lanterna Verde (pós-era Geoff Johns).

Não afeta? Sei. O fato é que estamos falando de dois personagens que não estão desconectados do restante do universo DC – aliás, bem pelo contrário. Ambos são membros efetivos da Liga da Justiça, estão o tempo todo nas publicações de outros colegas mascarados. E seus coadjuvantes têm títulos-próprios, fazem parte de outras equipes, enfim. Então, esse papo de que a nova cronologia não os afeta diretamente é furadíssimo.

Vejamos o caso do Batman. De acordo com o novo manual da nova DC, o Cavaleiro das Trevas também surgiu há no máximo cinco anos – mas, mesmo assim, passou por todo aquele perrengue de morrer (duas vezes, aliás) e renascer, deixando Dick Grayson em seu lugar até retornar com a idéia de espalhar o Batman como uma espécie de franquia por todo o mundo. Isso em apenas cinco anos. Tá. Acredito (ironia mode: on). Mas o que realmente não funciona é o Robin. Sim. Porque continuam existindo quatro Robins em sua trajetória. E isso em cinco anos. Uau. Ser Robin é, como os próprios autores resolveram definir, uma espécie de curso intensivo. Ah, tá.

Me chamem de “chronology bitch”, mas essa não dá pra engolir. E nem estou falando de Damian Wayne, filho do Morcegão e atual Robin. E tampouco de Tim Drake, o anterior, atualmente membro dos Titãs e envergando um uniforme com penas de galinha d’angola. Estou falando de Jason Todd – em tese, o período que compreende a atuação do moleque como Robin, sua morte e seu “renascimento” (ele veio de uma realidade paralela, mas não conta pra ninguém) não deve ter durado mais do que um ano. Mas estou falando principalmente de Grayson – agora um adulto, agora novamente atuando como Asa Noturna, depois de uma boa temporada como Batman.

Como alguém em sã consciência vai me fazer engolir que Grayson, hoje com algo em torno de 20 e poucos anos, vestia o uniforme do Robin com no máximo quinze anos e, em cinco anos, desenvolveu-se tão eficientemente em seu treinamento a ponto de poder substituir o mestre? O próprio Bruce Wayne demorou muito mais do que isso até que se sentisse pronto para começar a atuar como o Cavaleiro das Trevas, aprimorando-se desde a infância, enfim.

Vai mexer em cronologia? Pois que mexa. Mas prepare-se para cobrir de maneira minimamente convincente todos os buracos que você vai deixar no lugar.

Afe.

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